A Ardea cinerea, comummente conhecida como garça-real-comum, é uma ave pernalta ciconiforme, da família dos Ardeídeos, que marca presença em território português.
Nomes comuns É também comummente conhecida como garça-real (nome que partilha com a espécie Pilherodius pileatus, no Brasil) e garça-cinzenta, ou ainda galangundo em Angola.
Etimologia Quanto ao nome científico desta espécie:
O nome genérico, Ardea, provém do latim, ardĕa, e significa «garça». O epíteto específico, cinerea, também provém do latim, tratando-se de uma declinação do étimo, cĭnĕrĕus, e significa «da cor das cinzas; cinzento». Descrição
É uma ave pernalta, que se destaca pelo seu longo e alvadio pescoço e pela coloração cinzenta-clara da sua plumagem dorsal e das asas. Na época de acasalamento pode assumir cambiantes de coloração amarela-acinzentada ou alaranjada.
A cabeça é esbranquiçada com uma lista negra supraocular que se estende até às penas nucais, rematando nuns penachos compridos e escuros, nos indivíduos adultos. Os olhos soem de sobressair pela íris amarela. Apresenta pernas altas e compridas e bico longo, pouco afilado, tendencialmente rectilíneo de coloração amarelo-alaranjada. As patas, por seu turno, são compridas e avermelhadas.
Pode medir de comprimento até cerca de 1 metro, comportando uma envergadura de 179 a 195 cm e peso de 1,6 a 2 kg. Pode viver cerca de 25 anos.
Os espécimes juvenis apresentam cores mais claras, dorso cinzento-acastanhado e ventre branco raiado de negro e não possuem penacho. Atingem a maturidade aos dois anos de idade.
Distinção com outras espécies A garça-cinzenta pode confundir-se com a Ardea purpurea, distinguindo-se daquela mercê da ausência de tons castanhos ou arruivados na sua plumagem. Quando em voo, a garça-cinzenta retrai o pescoço em 'S', característica esta que a distingue da Ciconia ciconia.
Distribuição É a garça mais abundante e difundida no continente europeu. Marca presença em todo o território português continental, tanto no litoral como no interior.
Portugal A garça-cinzenta encontra-se em Portugal ao longo de todo o ano, sendo certo que, porém, costuma ser mais numerosa fora da época de nidificação. Geralmente marca presença em espaços hrigrófitos e zonas húmidas, mormente nos grandes estuários e lagoas costeiras, junto a margens pouco inclinadas e pouco obstruídas por vegetação densa.
Aquando da época de nidificação, esta espécie escasseia mais, coarctando a sua distribuição geográfica. Há algumas colónias assinaladas e protegidas no Alentejo, especialmente nos distritos de Évora e Portalegre, sendo certo que também são amplamente conhecidos espaços de nidificação noutros pontos do território nacional. As garças-reais-comuns, quando não nidificam em Portugal, podem ser vistas nas zonas de invernada ao longo do período da Primavera.
Habitat Privilegia um vasto leque de zonas húmidas, como as zonas costeiras, lagoas costeiras, estuários, barragens e albufeiras, rios e ribeiras, junto a margens pouco inclinadas e pouco obstruídas por vegetação densa. Tem nas árvores das orlas dos rios o espaço predileto para a nidificação, sendo comum uma mesma árvore abarcar diversos ninhos. Apesar de considerada uma ave aquática, não despreza as zonas agrícolas, recentemente aradas, onde anda à cata de répteis, anfíbios e mesmo pequenos mamíferos.
Muitas vezes partilha o habitat das cegonhas.
Alimentação É nas zonas húmidas onde habita que encontra o seu alimento, especialmente pequenos peixes, crustáceos, insectos e répteis, mas não despreza batráquios, pequenos mamíferos ou moluscos terrestres e aquáticos. Digere bem as espinhas mas regurgita os pelos dos roedores na forma de bolas.
No que repeita às suas tácticas de caça, a garça-real serve-se das suas reacções rápidas e dinâmicas para capturar as presas. Ao pescar, posiciona-se junto à margem, de atalaia ao menor movimento dos peixes. Assim que avista algum, proclina-se para diante, esticando o pescoço e arpoando-o subitamente com o bico. Normalmente engole os peixes inteiros, se bem que, os maiores, devora-os em terra.
Reprodução Reproduz-se de Fevereiro a Julho. Costumam escolher as árvores das orlas dos rios como espaço para a nidificação, sendo comum uma mesma árvore abarcar colónias de garças-reais. O seu ninho é chato, em forma de plataforma, semelhante ao das cegonhas. A fêmea põe de 3 a 6 ovos muito claros. Os ovos são cobertos alternadamente pelos dois progenitores durante 25 a 28 dias. Os jovens começam a voar ao fim de 50 dias e abandonam o território dos pais ao fim de 8 a 9 semanas.
Taxonomia Existem 4 subespécies: Ardea cinerea cinerea Linnaeus, 1758. Europa, África, Ásia ocidental Ardea cinerea jouyi Clark, 1907. Ásia oriental Ardea cinerea firasa Hartert, 1917. Madagáscar Ardea cinerea monicae Jouanin & Roux, 1963. Banc d'Arguin, Mauritânia.
Ligações externas
Categoria:Ardea Categoria:Aves de Portugal Categoria:Aves descritas em 1758