é um filme estadunidense de 1951, do gênero suspense, dirigido por Alfred Hitchcock, com roteiro baseado no livro homônimo de Patricia Highsmith.

Estrelado por Farley Granger e Robert Walker o longa-metragem envolve a história de dois estranhos que se encontram em um trem, um dos quais é um psicopata que sugere que eles "troquem" assassinatos para que nenhum deles consiga ser pego. Inicialmente recebeu análises mistas mas ao passar do tempo se tornou um clássico com elogios sendo direcionado a atuação de Walker, fotografia e a direção de Hitchcock.

Sinopse Guy Haines é um tenista famoso, casado, que gostaria de se divorciar para casar novamente com Anne Morton, a mulher que ama, e que é filha de um senador estadunidense. Para isso Haines viaja até Metcalf, sua cidade natal, com o intuito de conseguir a assinatura do divórcio de sua infiel mulher, Miriam, e fica furioso quando não consegue. Encontra no trem um psicopata chamado Bruno Antony, que o reconhece dos jornais e sabe de toda sua história. A certa altura, durante a viagem, Bruno propõe um pacto: ele mataria a mulher de Haines e em troca Haines mataria o pai dele. Embora Haines não tenha aceitado, Bruno realiza a sua parte e insiste em cobrar o pacto de Haines.

Elenco

Produção Pré-produção Hitchcock garantiu os direitos do romance de Patricia Highsmith por apenas 7.500 dólares, já que era seu primeiro livro. Como de costume, Hitchcock manteve seu nome fora das negociações para conseguir comprar os direitos autorais do romance por um valor mais baixo. Highsmith irritou-se após descobrir mais tarde quem comprou os direitos autorais do livro por um preço tão baixo.

Após isto, Whitfield Cook realizou um tratamento da obra tecendo um subtexto homoerótico. Em seguida, Hitchcock procurou um roteirista "famoso" para ajudar na promoção do longa mas foi rejeitado por oito profissionais, incluindo John Steinbeck e Thornton Wilder, os quais negaram por acharem a história vulgar e se sentiram desencorajados pelo status de novata de Highsmith. Dashiell Hammett inicialmente aceitou a oferta porém também recusou.

Hitchcock pediu então a Raymond Chandler, que havia recebido uma indicação ao Óscar já em seu primeiro roteiro, Double Indemnity (1944) em colaboração com Billy Wilder. Chandler aceitou ser roteirista apesar de achar o livro "uma historinha boba". Mas a relação de Chandler com Hitchcock se tornou incompatível, com o roteirista detestando a adaptação de Hitchcock e colocando o romance de Highsmith acima. Ele reclamou do fato do diretor "sacrificar a lógica da trama em prol de um truque de câmera". As relações interpessoais detoriaram rapidamente, até que Chandler a certa altura, ao ver Hitchcock a lutar para sair de sua limosine, Chandler comentou ao alcance da voz: "Olha o gordo bastardo tentando sair do carro!". O roteirista completou o primeiro rascunho e depois escreveu o segundo, sem ouvir uma única palavra de Hitchcock; quando finalmente recebeu uma comunicação do produtor ao final de setembro, a sua demissão do projeto.

Ben Hecht foi notificado porém afirmou não ter disponibilidade mas pediu para a sua até então assistente Czenzi Ormonde, escrever o roteiro. Com uma nova roteirista, Hitchcock decidiu recomeçar do zero:

Em menos de três semanas, Ormonde juntou-se a Bárbara Keon e Alma Reville sob a orientação de Hitchcock e juntos escreveram grande parte do enredo do filme, após isto, enviaram metade da obra para a organização e o resto foi concluído no início do mês de novembro.

Mesmo enquanto a escrita do roteiro se arrastava, a excitação do diretor sobre o longa era ilimitada. "Hitchcock foi para cima de todos: o roteiro, o elenco, o estúdio [...] Cenas do filme dançavam como cargas elétricas em seu cérebro". Por causa desta epifania, Alfred decidiu contratar pessoalmente um diretor de fotografia, a qual foi Robert Burks, que continuaria a trabalhar com Hitchcock até Marnie (1964) - com exceção de Psycho. De acordo com McGillian, Burks foi excepcionalmente adequado para cuidar da fotografia do longa-metragem, fazendo Stranger on a Train ser o "filme mais germânico da carreira do Hitchcock em anos: as composições densas, a iluminação surreal, os efeitos visuais exigentes". Produção Com elenco definido, roteiro concluído e um diretor de fotografia em sintonia com a direção de Alfred Hitchcock, a organização estava pronta para começar a filmagem. Hitchcock tinha uma equipe filmando as finais da Copa Davis de 1950, realizadas entre 25 à 27 de agosto de 1950 no West Side Tennis Club em Forrest Hills, Nova York. Enquanto estavam lá, a equipe enviada também fez outras explorações no local.

Hitchcock, elenco e toda a equipe de produção partiram para a Costa Leste em 17 de outubro de 1950. Em seis dias, eles filmaram cenas na Penn Station em Nova York e na estação ferroviária de Danbury em Connecticut - que tornou-se a cidade natal do personagem Guy.

Ao final do mês, voltaram à Califórnia onde Hitchcock havia descrito especificações e as enviou para um parque de diversões no rancho do diretor Rowland Lee em Chatsworth, enquanto a cena do túnel de amor foram realizadas em um outro parque: Canoga Park. Algumas cenas da partida de tênis foram filmadas em South Gate. O resto das filmagens foram feitas em estúdio.

Strangers on a Train marcou uma espécie de renascimento para Alfred Hitchcock, após passar vários anos sentindo pouco entusiasmo com as suas produções ao final dos anos 40, e ele dedicou-se a ser mais inclusivo em outros ramos do produção do longa-metragem. O próprio diretor fez o design da gravata do personagem Bruno, que em uma cena close-up foi revelada ter "garras de lagosta". Ele também demonstrou interesse em um detalhe raramente considerado na caracterização de caráter; a comida:

Uma das cenas mais memoráveis da filmografia de Hitchcock - "estudada nas aulas de cinema" diz Kasey Rogers, que interpretou Miriam - é a sequência de estrangulamento de sua personagem pelo vilão Bruno no parque de diversões. Donald Spoto classifica a cena como "um dos momentos mais inesperados e esteticamente fascinantes do cinema". A sequência apresenta um ângulo até então naquela época incomum mostrando o assassinato através dos óculos de Miriam, para atingir a perfeição foram necessárias seis tomadas e só na sétima a cena fluiu bem.

Outra sequência bastante lembrada é a da luta entre Guy e Bruno no carrossel acelerado. Que de acordo com o escritor Donald Spoto: "É um dos momentos na obra de Hitchcock que continua a arrancar suspiros de todos os espectadores e aplausos de cinéfilos". A explosão é desencadeada após conseguir atravessar o carrossel sob o convés e em seguida desativar o brinquedo. Embora o diretor tenha admitido ter acelerado artificialmente a sequência, não foi utilizado efeitos visuais: o figurante teve que rastejar embaixo do carrossel correndo risco de machucar-se. "Hitchcock me disse que está cena foi o momento mais assustador pessoalmente para ele em qualquer um de seus filmes", escreve a biografa Charlotte Chandler. Alfred Hitchcock relatou: "Se o homem tivesse levantado a cabeça mesmo que ligeiramente, o filme se tornaria de suspense para terror".

As filmagens foram concluídas pouco antes da semana de natal em 1950. Trilha Sonora O compositor Dimitri Tiomkin foi escolhido pela Warner Bros para a composição da trilha sonora de Strangers on a Train. Embora já tivesse experiência com o diretor pois também cuidou da trilha de Shadow of a Doubt (1943), e continuasse em mais dois filmes consecutivos do cineasta, eles "simplesmente nunca foram próximos" e "a trilha sonora de Tiomkin para os filmes de Hitchcock não são as melhores [da carreira de ambos]".

A partitura do longa-metragem retoma o tema onipresente de "duplos" - mais especificamente de duplos constrates - logo na sequência de abertura do filme: "A primeira cena — dois pares de sapatos masculinos, barulhentos versus silenciosos, movendo-se em direção a um trem — carrega um som baixo e áspero contra riffs semelhantes aos de Gershwin, um medley de duas partes chamado "Strangers" e "Walking" que nunca mais é ouvido". A música ressalta com precisão a sequência de abertura - o enorme edifício de granito da Pennsylvania Station de Nova York, que substituindo a Union Station de Washington — porque foi composta para uma orquestra invulgarmente grande, incluindo saxofones alto, tenor e barítono, três clarinetes, quatro trompete, três pianos e um novachord.

Os constrates dessa temática sonora percorrem por todo o longa-metragem, delineando dois personagens com diferenças substanciais: "Para 'Guy Theme', Tiomkin criou uma sonoridade hesitante e passiva". O personagem Bruno, que fala a Guy no trem que admira pessoas "que fazem coisas", recebe um tom musical mais vigoroso: "A complexidade harmônica define os motivos associados a Bruno: baixo retumbante, clusters chocantes e harmônicos de cordas vítreas. Esses sons perturbadores, ouvidos com efeito soberbo em faixas como 'The Meeting', 'Senator's Office' e 'Jefferson Memorial', não são apenas sobre Bruno, mas sobre como ele é percebido por aqueles cujas vidas ele cruza - primeiro Guy, depois todos na comitiva de Guy".

As músicas mais lembradas por quem assiste são as que tocam durante as cenas do parque de diversões. Foi ideia de Hitchcock e não de Tiomkin trazer às músicas "The Band Played On", "Carolina in the Morning", "Oh, You Beautiful Doll" e "Baby Face" para a trilha sonora e utilizar o instrumental delas em todos o filme:

O crítico Jack Sullivan teve uma opinião mais favorável sobre a trilha sonora de Tiomkin para Strangers on a Train: "[E]la se encaixa tão perfeitamente e inevitavelmente no design do filme que parece um elemento dos storyboards de Hitchcock", e lamenta por não ser tão "amplamente celebrada". Marketing e lançamento Com o lançamento agendado para no início do verão, o departamento de marketing do estúdio entrou em modo acelerado a partir de janeiro de 1951. Hitchcock fora fotografado estrangulando em tom de brincadeira várias atrizes e outras mulheres - algumas com uma mão, outras com as duas - uma destas fotografia foi com os dedos em volta do pescoço de um busto da filha Patricia; a foto chegou aos jornais de todo o país. O cineasta também foi fotografado adicionando a letra L na palavra "Strangers" virando "Stranglers" (tradução livre: estranguladores) no pôster oficial do filme.

Um comunicado do estúdio para a imprensa gerou um mito que perdura até hoje. Patrícia Hitchcock tinha medo de altura e o pai lhe deu cem dólares para andar na roda gigante e enquanto estava no topo ele mandou cortar a energia, deixando-a no escuro. O comunidade de imprensa deixou está história mais sórdida, alegando que Hitchcock deixou a filha "na escuridão total por uma hora".Comunicado de imprensa da Warner Bros. #HO9-1251 . 30 de novembro de 1950 Embora esse relato continue a ser publicado em livros até hoje, "simplesmente não era verdade", de acordo com Patricia Hitchcock O'Connell, pois ela não estava sozinha e sim com os dois atores que interpretavam os namorados de Miriam. Este falso acontecimento ajudou na promoção do longa-metragem e reafirmou no marketing pessoal de Hitchcock como um diretor "sádico".

Temas e Análises Strangers on a Train incluí ao seu decorrer uma série de metáforas visuais e calembur. Em uma conversa com François Truffaut, Hitchcock falou: "Não é um design fascinante? Poderíamos estudar [este filme] para sempre".

Os dois personagens principais, Guy e Bruno, podem ser analisados como doppelgängers, o par tem o que o escritor Peter Dellolio chama de de "simbiose sombria". Pois, Bruno incorpora o desejo sombrio de Guy de matar a Miriam, uma "encarnação que realiza a fantasia de Guy".Dellolio, Peter (2004). "Hitchcock and Kafka: Expressionist Themes in Strangers on a Train". Midwest Quarterly. 45 (3): 240–55. Duplo