A singularidade tecnológica, frequentemente chamada simplesmente de singularidade, é um evento hipotético no qual o crescimento tecnológico acelera além do controle humano, produzindo mudanças imprevisíveis na civilização humana. De acordo com a versão mais popular da hipótese da singularidade, o modelo de explosão de inteligência de I. J. Good, de 1965, um agente inteligente atualizável poderia eventualmente entrar em um ciclo positivo de retroalimentação de ciclos sucessivos de autoaperfeiçoamento; gerações mais inteligentes surgiriam cada vez mais rapidamente, causando um aumento explosivo na inteligência que culminaria em uma superinteligência poderosa, superando em muito a inteligência humana.

Alguns cientistas, incluindo Stephen Hawking, expressaram preocupação com o fato de que a superinteligência artificial poderia resultar na extinção da humanidade. As consequências de uma singularidade tecnológica e seus potenciais benefícios ou malefícios para a raça humana têm sido intensamente debatidos.

Tecnólogos e acadêmicos proeminentes contestam a plausibilidade de uma singularidade tecnológica e da “explosão” da inteligência artificial associada a ela. Uma das alegações é que o crescimento da inteligência artificial provavelmente terá retornos decrescentes, em vez de crescentes. O cientista de IA Stuart J. Russell e o cientista da computação Peter Norvig observam que, na história da tecnologia, o aprimoramento em uma área específica tende a seguir uma curva em S: começa com um aprimoramento acelerado, depois se estabiliza sem continuar subindo até uma singularidade hiperbólica.

História Alan Turing, frequentemente considerado o pai da ciência da computação moderna, lançou bases fundamentais para o debate contemporâneo sobre a singularidade tecnológica. Em seu artigo seminal de 1950, “Computing Machinery and Intelligence” (Máquinas Computacionais e Inteligência, em tradução livre), Turing argumentou que uma máquina poderia, em teoria, exibir comportamento inteligente equivalente ou indistinguível do de um ser humano. Entretanto, para Turing, o desenvolvimento de máquinas capazes de executar tarefas em nível igual ou superior ao humano não exige que uma singularidade tecnológica tenha ocorrido, nem implica necessariamente a possibilidade de tal evento. Isso é ilustrado por exemplos históricos, como a vitória do supercomputador Deep Blue, da IBM, sobre o grande mestre de xadrez Garry Kasparov, em 1997.

O matemático húngaro-americano John von Neumann (1903–1957) é considerado a primeira pessoa conhecida a discutir a possibilidade de uma “singularidade” iminente no progresso tecnológico. Em 1958, Stanislaw Ulam relatou que uma conversa anterior com von Neumann “centrava-se no progresso acelerado da tecnologia e nas mudanças na vida humana, o que dava a impressão de estarmos nos aproximando de alguma singularidade essencial na história da humanidade, além da qual os assuntos humanos, como os conhecemos, não poderiam continuar”. Autores posteriores ecoaram esse ponto de vista.

Em 1965, I. J. Good especulou que a inteligência sobre-humana poderia provocar uma “explosão de inteligência”:Defina-se uma máquina ultrainteligente como uma máquina capaz de superar em muito todas as atividades intelectuais de qualquer homem, por mais inteligente que seja. Como o projeto de máquinas é uma dessas atividades intelectuais, uma máquina ultrainteligente poderia projetar máquinas ainda melhores; haveria então, sem dúvida, uma “explosão de inteligência”, e a inteligência do homem ficaria muito para trás. Assim, a primeira máquina ultrainteligente é a última invenção que o homem precisaria fazer, desde que a máquina fosse dócil o suficiente para nos dizer como mantê-la sob controle.

—  Especulações sobre a primeira máquina ultrainteligente (1965)O conceito e o termo “singularidade” foram popularizados por Vernor Vinge: primeiro em 1983, em um artigo que afirmava que, uma vez que os humanos criassem inteligências superiores às suas, haveria uma transição tecnológica e social semelhante, em certo sentido, ao “espaço-tempo emaranhado no centro de um buraco negro”; e, em seguida, em seu ensaio de 1993, “A singularidade tecnológica que se aproxima”, no qual ele escreveu que isso sinalizaria o fim da era humana, já que a nova superinteligência continuaria a se atualizar e avançar tecnologicamente a uma velocidade incompreensível, e ele ficaria surpreso se isso ocorresse antes de 2005 ou depois de 2030.

Outra contribuição significativa para uma maior divulgação do conceito foi o livro de Ray Kurzweil, publicado em 2005, intitulado The Singularity Is Near (A Singularidade Está Próxima), que prevê a singularidade para 2045.

Explosão da inteligência

O progresso tecnológico é limitado pela inteligência básica do cérebro humano que, de acordo com o biólogo Paul Ehrlich, há milênios não passa por alterações significativas. Porém, com o crescimento do poder dos computadores e de outras tecnologias, a construção de uma máquina significativamente mais inteligente do que os seres humanos pode eventualmente se tornar possível.Good, I. J. "Speculations Concerning the First Ultraintelligent Machine", Advances in Computers, vol. 6, 1965. Archived May 1, 2012, at the Wayback Machine.

Em 1965, Irving John Good especulou que a inteligência artificial poderia provocar uma explosão de inteligência, propondo um cenário onde, se uma superinteligência for concebida — seja através da amplificação da inteligência humana ou da inteligência artificial —, em teoria, ela ultrapassará os limites de resolução de problemas e a capacidade inventiva dos seres humanos. Tal categoria de inteligência artificial é geralmente denominada IA semente,Eliezer Yudkowsky. General Intelligence and Seed AI-Creating Complete Minds Capable of Open-Ended Self-Improvement, 2001. pois se uma IA for criada com capacidades de engenharia que correspondem ou superam aquelas de seus criadores, ela pode melhorar autonomamente seu próprio software e hardware, concebendo uma máquina ainda mais capaz, que poderia, por sua vez, repetir o mesmo processo. Esta automelhoria recursiva poderia acelerar, potencialmente permitindo uma mudança qualitativa significativa antes de alcançar quaisquer limites impostos pelas leis da física ou da computação teórica. Especula-se que ao longo de muitas interações, tal inteligência superaria, em muito, as habilidades cognitivas humanas.

Surgimento da super inteligência Superinteligência, hiperinteligência ou inteligência sobre-humana é um agente hipotético que possui uma capacidade intelectual muito superior à dos seres humanos mais brilhantes e talentosos. O termo “superinteligência” também pode se referir à forma ou ao grau de inteligência detido por esse agente. I. J. Good, Vernor Vinge e Ray Kurzweil definem o conceito em termos da criação tecnológica de uma superinteligência, argumentando que é difícil ou mesmo impossível para os humanos atuais prever como seria a vida após um evento de singularidade tecnológica. Ray Kurzweil, The Singularity is Near, pp. 135–136. Penguin Group, 2005.

Um conceito relacionado é o de “superinteligência de velocidade”, que descreve uma inteligência artificial capaz de funcionar como a mente humana, porém em uma velocidade muito maior. Por exemplo, com um aumento de um milhão de vezes na velocidade de processamento de informações em relação à humana, um ano subjetivo transcorreria em apenas 30 segundos no tempo físico. Esse aumento na velocidade de processamento poderia resultar na singularidade tecnológica ou contribuir significativamente para sua ocorrência.

Especialistas em previsão tecnológica e pesquisadores divergem quanto ao momento — ou mesmo quanto à possibilidade — de a inteligência humana ser superada. Alguns argumentam que os avanços em inteligência artificial (IA) podem levar ao desenvolvimento de sistemas de raciocínio geral capazes de contornar as limitações cognitivas humanas. Outros acreditam que os próprios seres humanos evoluirão ou modificarão diretamente sua biologia para alcançar níveis radicalmente mais elevados de inteligência.

Diversos estudos prospectivos exploram cenários que combinam essas possibilidades, sugerindo que os humanos poderão se integrar a computadores ou transferir suas mentes para sistemas computacionais, permitindo uma amplificação substancial da inteligência. O livro The Age of Em (2016), de Robin Hanson, descreve um futuro no qual cérebros humanos são escaneados e digitalizados, criando “uploads” (ou envios de arquivo) — versões digitais da consciência humana. Nesse cenário, o desenvolvimento desses uploads pode preceder ou coincidir com o surgimento de uma inteligência artificial superinteligente.

Variações

"Contra-singularidade" Para alguns escritores, a "singularidade" deve ser utilizada de forma mais ampla, para referir-se a quaisquer mudanças radicais em nossa sociedade provocadas por novas tecnologias, a exemplo da nanotecnologia molecular,"h+ Magazine | Covering technological, scientific, and cultural trends that are changing human beings in fundamental ways". Hplusmagazine.com. Retrieved 2011-09-09.Yudkowsky, Eliezer. The Singularity: Three Major SchoolsSandberg, Anders. An overview of models of technological singularity enquanto que, para Vinge e outros mais, tais mudanças não se qualificam como uma verdadeira singularidade sem o acréscimo da super inteligência. Muitos escritores também ligam a singularidade a observações de crescimento exponencial em várias tecnologias (tendo a Lei de Moore como exemplo mais proeminente), usando-as como base para prever a ocorrência da singularidade em algum momento durante o século XXI."Max More and Ray Kurzweil on the Singularity". KurzweilAI. Retrieved 2011-09-09.

Estimativas e previsões thumb|direita|350px|Quadro representativo sobre as previsões de Gordon Moore em relação ao aumento do poder de processamento dos computadores. Para fazer uma estimativa precisa de quando exatamente a inteligência artificial conseguirá alcançar níveis superiores à inteligência humana muitos índices tem sido usados e comparados. A lei de Moore, em vigor há mais de 30 anos, segundo a qual a cada 18 meses a capacidade de processamento dos computadores dobra, enquanto os custos permanecem constantes, é extensamente usada como modelo nos estudos sobre singularidade tecnológica.

No modelo de singularidade tecnológica como consequência natural do acelerado progresso técnico científico, vários outros índices também têm sido utilizados. Dentre eles podemos destacar: o número crescente de publicações científicas anuais, o número crescente de patentes registradas e a crescente concorrência econômica e industrial internacional.

A maior parte daqueles que pesquisam ou discutem a singularidade tecnológica acreditam que esta possa decorrer entre os anos de 2025 e 2070, embora seja perfeitamente possível que esta demore mais a ocorrer ou, simplesmente, não ocorra.

Em 2011, Kurzweil observou tendências existentes e concluiu que a singularidade estava se tornando mais provável de ocorrer em torno de 2045. Ele disse à revista Time: "Vamos fazer com sucesso a engenharia reversa do cérebro humano em meados dos anos 2020. No final dessa década, os computadores terão inteligência no mesmo nível humano." Revista Time 2045: The Year Man Becomes Immortal.

Possibilidade Estudiosos como Paul Allen, Jeff Hawkins, John Holland, Jaron Lanier e Gordon Moore, cuja lei de Moore é frequentemente citada em apoio ao conceito, disputam a plausibilidade de uma singularidade tecnológica."Tech Luminaries Address Singularity – IEEE Spectrum". Spectrum.ieee.org. Retrieved 2011-09-09."Who's Who In The Singularity – IEEE Spectrum". Spectrum.ieee.org. Retrieved 2011-09-09.Paul Allen: The Singularity Isn't Near, retrieved 2015-04-12

Causa reivindicada: crescimento exponencial