William Blackwood (Edimburgo, 20 de novembro de 1776 — 16 de setembro de 1834) foi um editor e livreiro escocês, fundador da firma editorial William Blackwood & Sons e da célebre Blackwood's Edinburgh Magazine.
Biografia
Origens e formação Nascido em Edimburgo em 20 de novembro de 1776, filho de família de recursos modestos, William Blackwood recebeu uma educação sólida para os padrões da época. Aos quatorze anos, iniciou um aprendizado de seis anos na firma de livreiros Bell & Bradfute, em Edimburgo. Ao longo desse período, acumulou vasta leitura em história e arqueologia escocesa, formando o repertório cultural que guiaria sua carreira.
Após concluir o aprendizado, foi designado para supervisionar uma filial em Glasgow da firma Mundell & Company. Depois de um ano, retornou brevemente a Edimburgo e associou-se ao livreiro e leiloeiro Robert Ross — parceria que logo abandonou por incompatibilidade com o modelo de negócios. Seguiu então para Londres, onde se especializou no ramo de livros antigos e raros.
Estabelecimento em Edimburgo Em 1804, Blackwood retornou a Edimburgo e abriu uma livraria própria na South Bridge Street, dedicada a livros antigos, raros e curiosos. A iniciativa prosperou e ele tornou-se a principal referência escocesa no comércio de livros raros. O catálogo bibliográfico que publicou em 1812 foi pioneiro ao adotar um sistema de classificação por assunto, tornando-se autoridade reconhecida no ramo.
Por volta de 1810, passou a atuar como agente escocês da editora londrina John Murray e de outras casas inglesas, o que lhe abriu contatos valiosos com autores e o mercado editorial britânico. Em 1813, estabeleceu vínculos com os impressores de Walter Scott, os Ballantynes, e participou da publicação da primeira série dos Tales of My Landlord. Em 1816, transferiu a livraria para a Princes Street, artéria central da Nova Cidade de Edimburgo, que se tornaria um dos mais célebres endereços literários da Escócia.
Blackwood's Edinburgh Magazine Em 1 de abril de 1817, Blackwood lançou o Edinburgh Monthly Magazine, concebido como um contraponto tory ao influente e whig Edinburgh Review, de Archibald Constable. As vendas iniciais, de apenas 2 500 exemplares por edição, foram consideradas insatisfatórias. Relançada a partir do sétimo número com novo corpo editorial e o título Blackwood's Edinburgh Magazine — apelidada carinhosamente de Maga —, a publicação rapidamente se tornou o principal periódico literário escocês e órgão do partido tory na Escócia.
A revista reuniu alguns dos mais importantes escritores do período, entre os quais John Wilson, John Gibson Lockhart, James Hogg e David Macbeth Moir, além de colaborações ligadas a Walter Scott. A circulação chegou a aproximar-se de 10 000 exemplares, com reimpressões na América do Norte e distribuição em todos os países de língua inglesa.
Legado editorial Paralelamente à revista, Blackwood manteve intensa atividade como editor geral. Publicou a Edinburgh Encyclopædia, em dezoito volumes, organizada por David Brewster, e a biografia de referência de John Knox, escrita por Thomas McCrie em 1811. Publicou também obras de Walter Scott, Lockhart, James Hogg e outros nomes centrais das letras escocesas da época.
Morte e sucessão William Blackwood faleceu em 16 de setembro de 1834, em Edimburgo, após meses de doença. A firma foi herdada pelos filhos Alexander Blackwood (1806–1845) e Robert Blackwood (1808–1852), que acrescentaram uma filial em Londres em 1840 e uma gráfica em Edimburgo em 1847. O filho mais novo, John Blackwood (1818–1879), assumiu a direção após a morte dos irmãos e tornou-se responsável por publicar as primeiras obras de ficção de George Eliot, bem como textos de Anthony Trollope, Edward Bulwer-Lytton e Joseph Conrad.
Ligações externas
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