Experiência refere-se a eventos conscientes em geral, mais especificamente a percepções, ou ao conhecimento prático e á familiaridade produzidos por estes processos conscientes. Entendida como um evento consciente no sentido mais amplo, a experiência envolve um sujeito ao qual vários elementos são apresentados. Neste sentido, ver um pássaro amarelo em um galho apresenta ao sujeito os objetos "pássaro" e "galho", a relação entre eles e a propriedade "amarelo". Elementos irreais também podem ser incluídos, o que acontece quando se experimentam alucinações ou sonhos. Quando entendida em um sentido mais restrito, apenas a consciência sensorial conta como experiência. Neste sentido, a experiência é normalmente identificada com a percepção e contrastada com outros tipos de eventos conscientes, como pensar ou imaginar. Em um sentido ligeiramente diferente, a experiência não se refere aos eventos conscientes em si, mas ao conhecimento prático e à familiaridade que produzem. Neste sentido, é importante que o contato perceptivo direto com o mundo externo seja a fonte do conhecimento. Assim, um alpinista experiente é alguém que realmente viveu muitas caminhadas, não alguém que meramente leu muitos livros sobre o alpinismo. Isto está associado tanto á familiarização recorrente no passado quanto às habilidades aprendidas através dela.
Muitos debates acadêmicos sobre a natureza da experiência concentram-se na experiência como evento consciente, seja no sentido amplo ou mais restrito. Um tema importante neste campo é a questão de se todas as experiências são intencionais, ou seja, dirigidas a objetos diferentes de si mesmas. Outro debate se concentra na questão de saber se há experiências não conceituais e, em caso afirmativo, que papel poderiam desempenhar na justificação de crenças. Alguns teóricos afirmam que as experiências são transparentes, o que significa que como se sente uma experiência depende apenas dos conteúdos apresentados nesta experiência. Outros teóricos rejeitam essa afirmação, apontando que o que importa não é apenas o que é apresentado, mas também como é apresentado.
Uma grande variedade de tipos de experiências é discutida na literatura acadêmica. As experiências perceptuais, por exemplo, representam o mundo externo através de estímulos registrados e transmitidos pelos sentidos. A experiência da memória episódica, por outro lado, envolve reviver um evento passado que se experimentou antes. Na experiência imaginativa, os objetos são apresentados sem o objetivo de mostrar como as coisas realmente são. A experiência de pensar envolve representações mentais e o processamento de informações, nas quais ideias ou proposições são entretidas, julgadas ou conectadas. Prazer refere-se a experiência que se sente bem. Está intimamente relacionada à experiência emocional, que tem adicionalmente componentes avaliativos, fisiológicos e comportamentais. Os ânimos são semelhantes às emoções. Uma diferença chave é que lhes falta o objeto específico encontrado nas emoções. Desejos conscientes envolvem a experiência de querer algo. Desempenham um papel central na experiência da agência, na qual intenções são formadas, cursos de ação planejados e decisões tomadas e realizadas. A experiência não ordinária refere-se a experiências raras que diferem significativamente da experiência no estado comum de vigília, como experiências religiosas, experiências fora do corpo ou experiências de quase-morte.
Experiência é discutida em várias disciplinas. A fenomenologia é a ciência da estrutura e dos conteúdos da experiência. Usa diferentes métodos, como a epoché ou a variação eidética. A experiência sensorial é de interesse especial para a epistemologia. Uma importante discussão tradicional neste campo diz respeito a se todo conhecimento é baseado na experiência sensorial, como afirmam os empiristas, ou não, como sustentam os racionalistas. Isto está intimamente relacionado com o papel da experiência na ciência, na qual se diz que a experiência atua como um árbitro neutro entre teorias concorrentes. Na metafísica, a experiência está envolvida no problema mente-corpo e no problema difícil da consciência, os quais tentam explicar a relação entre matéria e experiência. Na psicologia, alguns teóricos sustentam que todos os conceitos são aprendidos a partir da experiência, enquanto outros argumentam que alguns conceitos são inatos.
Definição O termo "experiência" está associado a uma variedade de significados intimamente relacionados, razão pela qual várias definições diferentes são encontradas na literatura acadêmica. A experiência é frequentemente entendida como um evento consciente. Isto às vezes é restrito a certos tipos de consciência, como percepção ou sensação, através dos quais o sujeito adquire conhecimento do mundo. Mas em um sentido mais amplo, a experiência inclui outros tipos de eventos conscientes além de percepção e sensação. Este é o caso, por exemplo, para a experiência de pensar ou a experiência de sonhar. Em um sentido diferente, "experiência" refere-se não aos eventos conscientes em si, mas ao conhecimento e à familiaridade prática que trazem consigo. De acordo com este significado, uma pessoa com experiência profissional ou um alpinista experiente é alguém que tem uma boa familiaridade prática no respectivo campo. Neste sentido, experiência não se refere a um processo consciente, mas ao resultado deste processo.
Como evento consciente A experiência é muitas vezes entendida como um evento consciente no sentido mais amplo. Isto inclui vários tipos de experiências, como percepção, consciência corporal, memória, imaginação, emoção, desejo, ação e pensamento. Geralmente se refere à experiência que um determinado indivíduo tem, mas também pode tomar o significado da experiência vivida por um grupo de indivíduos, por exemplo, de uma nação, de uma classe social ou durante uma época histórica particular. A fenomenologia é a disciplina que estuda as estruturas subjetivas da experiência, ou seja, como é, desde a perspectiva de primeira pessoa, experimentar diferentes eventos conscientes.
Quando alguém tem uma experiência, é apresentado com vários elementos. Estes elementos podem pertencer a diversas categorias ontológicas correspondentes, por exemplo, a objetos, propriedades, relações ou eventos. Ver um pássaro amarelo em um galho, por exemplo, apresenta ao sujeito os objetos "pássaro" e "galho", a relação entre eles e a propriedade "amarelo". Estes elementos podem incluir tanto elementos familiares quanto desconhecidos, o que significa que é possível experimentar algo sem compreendê-lo completamente. Quando entendida em seu sentido mais amplo, os elementos presentes na experiência podem incluir elementos irreais. Este é o caso, por exemplo, ao experimentar ilusões, alucinações ou sonhos. Neste sentido, pode-se ter a experiência de um pássaro amarelo em um galho, embora não haja nenhum pássaro amarelo no galho. As experiências podem incluir apenas elementos reais, apenas elementos irreais, ou uma mistura entre os dois. Os fenomenologistas fizeram várias sugestões sobre quais são as características básicas da experiência. As características sugeridas incluem a consciência espaço-temporal, a diferença de atenção entre primeiro e segundo plano, a consciência do sujeito de si mesmo, o senso de agência e propósito, a consciência corporal e a consciência de outras pessoas.
Quando entendida em um sentido mais restrito, apenas a consciência sensorial conta como experiência. Neste sentido, é possível experimentar algo sem compreender o que é. Este seria o caso, por exemplo, se alguém experimentasse um roubo sem estar ciente que exatamente estava acontecendo. Neste caso, as sensações causadas pelo roubo constituem a experiência do roubo. Essa caracterização exclui da experiência tipos mais abstratos de consciência. Neste sentido, às vezes se afirma que a experiência e o pensamento são dois aspectos separados da vida mental. Uma distinção semelhante é às vezes feita entre experiência e teoria. Mas estes pontos de vista não são geralmente aceitos. Os críticos frequentemente apontam que a experiência envolve vários componentes cognitivos que não podem ser reduzidos à consciência sensorial. Outra abordagem é distinguir entre experiência interna e externa. Assim, embora a percepção sensorial pertence à experiência externa, também pode haver outros tipos de experiência, como lembrar ou imaginar, que pertencem à experiência interna.
Como conhecimento e familiaridade prática Em outro sentido, a experiência se refere não aos eventos conscientes em si, mas ao conhecimento que produzem. Neste sentido, é importante que o conhecimento seja produzido através do contato perceptivo direto com o mundo externo. Que o conhecimento é direto significa que foi obtido por meio de observação imediata, ou seja, sem envolver qualquer inferência. Pode-se obter todo tipo de conhecimento indiretamente, por exemplo, lendo livros ou assistindo filmes sobre o tema. Este tipo de conhecimento não constitui experiência do tema, pois o contato direto em questão diz respeito apenas aos livros e filmes, mas não ao tema em si. Os objetos deste conhecimento são frequentemente entendidos como objetos públicos, que estão abertos à observação pela maioria das pessoas comuns.
O significado do termo "experiência" na linguagem cotidiana geralmente vê o conhecimento em questão não apenas como teórico ou conhecimento descritivo. Em vez disso, inclui alguma forma de prático, ou seja, familiaridade com um determinado assunto prático. Esta familiaridade é baseada em contatos ou execuções recorrentes no passado. Muitas vezes envolve ter aprendido algo de cor e ser capaz de praticá-lo habilmente, em vez de ter uma mera compreensão teórica. Mas o conhecimento e as habilidades obtidos diretamente desta forma são normalmente limitados a simples regras gerais. Como tal, carecem da certeza científica que surge através de uma análise metodológica por cientistas que condensa o entendimento correspondente em leis da natureza.
Na corrente filosófica do Pragmatismo, John Dewey, filósofo norte-americano, a experiência também ocupa papel de destaque no que diz respeito ao âmbito da educação, pois para o pensador o ambiente escolar é local em que a vivência favorece a compreeensão, por exemplo, da vida em sociedade no modo democrático, a fim de que sejam percebidos e respeitados as diferenças e a interação entre as pessoas possa colaborar para uma relação mais harmoniosa independente das ideias e posicionamentos particulares.
Debates sobre a natureza da experiência Intencionalidade