Rodrigo da Fonseca Magalhães (Condeixa-a-Nova, Condeixa-a-Nova, 24 de julho de 1787 – Lapa (Lisboa), 11 de maio de 1858) foi um dos mais importantes políticos liberais portugueses e primeira figura do movimento da Regeneração. Frequentava a Universidade de Coimbra ao tempo da invasão francesa comandada por Jean-Andoche Junot (1807). Alistou-se no Batalhão Académico e seguiu para o Brasil depois da execução do general Gomes Freire de Andrade. Emigrado em Inglaterra (1828), regressou a Portugal depois do desembarque do Mindelo. Iniciou, então, uma fulgurante carreira política que o levou a Conselheiro de Estado efectivo, deputado, Par do Reino, várias vezes Ministro e Chefe do Governo. Foi sócio emérito da Academia Real das Ciências de Lisboa, sócio do Conservatório Real de Lisboa e membro do Instituto Histórico e Geográfico do Brasil. Entre outras honras e condecorações, foi feito fidalgo cavaleiro da Casa Real, por alvará de 2 de Agosto de 1835, recebeu a grã-cruz da Ordem de Cristo, o grau de cavaleiro da Ordem da Torre e Espada, a Cruz n.º 4 das Campanhas da Guerra Peninsular e a medalha britânica de 7 acções da mesmas Guerra. Deixou impressos vários dos seus discursos políticos, alguns dos quais marcaram a história parlamentar portuguesa.

Biografia Rodrigo da Fonseca Magalhães era filho de Luís da Fonseca Magalhães, senhor de Azenhas em Condeixa, proprietário e lavrador, natural de Condeixa-a-Nova, e de sua mulher Joana da Costa Carvalho Remeixa.

Fez os primeiros estudos em Condeixa, aprendendo com um jesuíta as primeiras letras e o latim. Partiu depois para Coimbra, onde frequentou os estudos preparatórios no Colégio das Artes daquela cidade.

Destinado pela família à vida eclesiástica, depois de terminados os preparatórios, matriculou-se no curso de Teologia da Universidade de Coimbra, frequentando, ao mesmo tempo, cadeiras nas faculdades de Filosofia e Matemática. Na Universidade revelou-se um estudante brilhante e um prolífero escritor, produzindo versos humorísticos que circulavam manuscritos no seio da academia.

Cursava o segundo ano quando em 1807 rebentou a Guerra Peninsular e as tropas francesas comandadas por Jean-Andoche Junot invadiram o território português, a que se seguiram os tumultos revolucionários de 1808. A gravidade da situação e a instabilidade que se vivia na Universidade levaram a que as aulas fossem indefinidamente suspensas e que a academia dispersasse.

Seguindo o percurso da maioria da Academia, Rodrigo da Fonseca Magalhães alistou-se no Batalhão Académico que então se formou em Coimbra sob o comando do lente de Matemática Tristão de Oliveira. Daí passou para o Corpo de Guias, onde permaneceu até ser colocado, como alferes, no Regimento de Infantaria n.º 15.

Por esta altura a sua produção literária evoluiu para os versos épicos, escrevendo versos alusivos aos acontecimentos que então se viviam em Portugal.

Sendo tenente do Exército, em 1817 estava em Lisboa, afastado do seu Regimento, quando ocorreram fracassados acontecimentos revolucionários que levaram à execução do general Gomes Freire de Andrade e de outros oficiais, no acontecimento que deu origem aos Mártires da Pátria que a imagética liberal décadas depois alçaria aos píncaros do heroísmo. Implicado nos eventos, Rodrigo da Fonseca Magalhães conseguiu escapar às denúncias e viveu na clandestinidade durante dois anos. Quando, por ordem do general William Carr Beresford, foi declarada desertor, resolveu embarcar clandestinamente para o Brasil, onde o seu antigo comandante de infantaria, o general Luís do Rego Barreto, era comandante militar da província de Pernambuco. Conta-se, embora tal seja inverosímil, que o terá feito disfarçado de galego e dizendo-se criado de si próprio.

Chegado a Pernambuco foi bem acolhido pelo general Luís do Rego Barreto, que o nomeou seu secretário. Quando na sequência da Revolução Liberal do Porto se organizou naquela província do Brasil, em Março de 1821, uma Junta Governativa, coube a Rodrigo da Fonseca Magalhães exercer as funções de seu secretário.

Mantendo o seu interesse pelas letras, e já empenhado na propaganda política liberal, Rodrigo da Fonseca fundou em 1821, com o título de Aurora Pernambucana, o primeiro jornal político que apareceu no Pernambuco. Quando, face ao crescente movimento independentista, o general Luís do Rego Barreto deixou o cargo de presidente da Junta Governativa, Rodrigo da Fonseca Magalhães acompanhou-o no regresso a Portugal, embarcando em 26 de outubro de 1821. Por esse tempo havia já casado com Inácia Cândida do Rego Barreto, a filha do general.

Na sequência de um concurso, a 12 de agosto de 1822, Rodrigo da Fonseca Magalhães foi nomeado oficial da Secretaria de Estado dos Negócios Eclesiásticos e da Justiça, tomando posse do respectivo lugar. Nesse mesmo ano, o seu sogro, o general Luís do Rego Barreto, foi nomeado comandante militar de Trás-os-Montes, tendo como missão subjugar a revolta absolutista liderada pelo general Francisco da Silveira Pinto da Fonseca Teixeira, o conde de Amarante. Rodrigo da Fonseca Magalhães foi escolhido para o acompanhar, com as funções de comissário do governo, encarregado de colaborar na pacificação dos sublevados.

Estava Rodrigo da Fonseca nesta missão quando triunfou a Vilafrancada e sendo considerados entre os liberais, sogro e genro foram deportados para a Figueira da Foz, sendo Rodrigo da Fonseca Magalhães logo sumariamente demitido do lugar de oficial da Secretaria de Estado em que fora provido pouco antes. Com o apaziguamento da situação que se seguiu, em 1824 obteve licença para ir residir em Viana do Castelo, e em 1825 foi reintegrado no seu cargo de oficial da Secretaria da Justiça, o qual voltou a exercer durante o tempo em que, depois da outorga da Carta Constitucional de 1826, o sistema liberal vigorou em Portugal.

Quando em Fevereiro de 1828 D. Miguel foi proclamado monarca absoluto, Rodrigo da Fonseca Magalhães foi convidado pelo então ministro da justiça, Furtado de Mendonça, e pelo conde de Rio Pardo, com promessa de honras e mercês, a aderir à nova situação. Recusou, tenso de se homiziar, assim permaneceu, até que chegando a Lisboa o seu amigo José da Silva Carvalho, que vinha fugido da Beira. Conseguiram então embarcar clandestinamente para Inglaterra, chegando a Londres no fim de Setembro daquele ano.

Em Londres, Rodrigo da Fonseca Magalhães apresentou-se a Pedro de Sousa Holstein, o marquês de Palmela, que naquela cidade era então o líder da emigração constitucional portuguesa. Foi colocado na secretaria da embaixada, ficando encarregue da direcção dos jornais Aurora e Paquete de Portugal que os liberais portugueses ali mantinham para sustentar a opinião liberal e combater os artigos e notícias que os jornais afectos ao governo de Lisboa publicavam em desabono da causa liberal e dos seus partidários. Durante a sua permanência em Londres publicou uma obra intitulada Breves Anotações ao Denominado Manifesto do Infante D. Miguel, que em 1832 foi impressa em Londres sem o seu nome e depois reeditada em Lisboa, no ano de 1833, já depois da ocupação da capital portuguesa pelas forças liberais.

Rodrigo da Fonseca Magalhães apenas pôde regressar a Portugal após o desembarque do exército de D. Pedro no Mindelo, tendo desembarcada na cidade do Porto, então sitiada pelas forças afectas a D. Miguel, no auge do período que ficaria conhecido pelo Cerco do Porto. Foi então encarregado pelo Governo de D. Pedro IV, então sedeado naquela cidade, de organizar as Secretarias do Estado, retomando as suas funções como alto funcionário.

Em Janeiro de 1833, quando o estado-maior dos liberais decidiu organizar uma expedição que fosse desembarcar nas costas do Alentejo ou do Algarve como forma de abrir uma segunda frente que permitisse aliviar o cerco do Porto, Rodrigo da Fonseca Magalhães recebeu a missão de ir a Inglaterra desbloquear o fornecimento dos navios e das munições de guerra e de boca que eram necessários para o empreendimento. Chegou a Londres a 7 de fevereiro daquele ano, mas não levando o dinheiro preciso para os ajustes, e não sendo então possível encontrar ali quem emprestasse qualquer quantia ao governo constitucional, porque a situação do Porto era quase desesperada, não lhe foi possível obter os necessários meios, sendo a expedição adiada.

Ao longo daquele ano colaborou com Luiz António de Abreu e Lima, que depois seria visconde e conde da Carreira, na preparação da desejada expedição, a qual se organizou naquele Verão sob o comando do comandante inglês Charles Napier e resultou na vitória liberal na Batalha do Cabo de São Vicente e na subsequente conquista liberal de Lisboa a 24 de julho. Rodrigo da Fonseca Magalhães voltou a Portugal já depois da entrada dos constitucionais em Lisboa, sendo nomeado director-geral do Ministério dos Negócios Eclesiásticos e da Justiça e administrador da Imprensa Nacional de Lisboa, lugar que conservou por espaço de dois anos.

Nas primeiras eleições que se ocorreram após o termo das guerras liberais foi eleito deputado pela Província do Minho, tomando parte na reunião inaugural das Cortes, realizada a 15 de agosto de 1834. No parlamento revelou-se um excelente orador, granjeando com o espírito de tolerância e conciliação que o caracterizou durante toda a sua vida política o respeito de toda a Câmara. No termo da legislatura já tinha afirmado como uma das figuras cimeiras da facção cartista. Por esta altura fundou, de parceria com António Pereira dos Reis, um periódico intitulado Revista, nele colaborando assiduamente com artigos de opinião onde tentava demonstrar as formas como o Governo deveria proceder para consolidar o regime constitucional.

A 15 de julho de 1835 Rodrigo da Fonseca Magalhães ingressou pela primeira vez o executivo, recebendo a pasta de Ministro dos Negócios do Reino do gabinete ministerial presidido por João Carlos de Saldanha Oliveira e Daun, o marquês e futuro duque de Saldanha. O governo fora organizado a 27 de maio, sendo a entrada de Rodrigo da Fonseca devida a uma remodelação que resultara na transferência de João de Sousa Pinto de Magalhães, o anterior Ministro do Reino, para a pasta da justiça.

Estando o sector da educação cometido ao Ministério do Reino, coube a Rodrigo da Fonseca Magalhães nesta sua passagem por aquele departamento governamental realizar a primeira tentativa de fundar em Lisboa uma instituição de ensino superior capaz de ministrar o ensino completo das ciências. Criou por decreto de 5 de novembro de 1835 o Instituto de Ciências Físicas e Matemáticas, com um programa de ensino que compreendia 24 cadeiras na área das ciências exactas e da filosofia. Contudo, apenas o decreto foi publicado, a Universidade de Coimbra levantou-se em peso contra ele, temendo perder os seus foros e privilégios pela criação de um outro estabelecimento superior em Portugal. A celeuma que se seguiu contribuiu para a queda do ministério ocorrida poucos dias depois, a 18 de novembro. O assunto foi considerado tão sério que a criação do Instituto foi logo revogada por decreto de 2 de dezembro, referendado por Luís da Silva Mousinho de Albuquerque, o ministro que havia sucedido a Rodrigo da Fonseca Magalhães.

Quando em setembro de 1836 a ala esquerda do liberalismo toma o poder pela via revolucionária após o sucesso da Revolução de Setembro, Rodrigo da Fonseca Magalhães torna-se num dos mais resolutos adversários da nova situação política. Como jornalista e orador torna-se na principal voz cartista daquele tempo, defendendo os princípios da Carta Constitucional de 1826 e verberando aquilo que considerava uma transformação radical que punha em risco a estabilidade do regime constitucional perante as forças miguelistas que ainda resistiam entre os derrotados da recente guerra civil.