Nuno Eugênio de Lóssio e Seiblitz (Recife, — Rio de Janeiro, ) foi um sacerdote católico, magistrado e político brasileiro filiado ao Partido Liberal-Radical.

Biografia Mais novo de dez filhos e filhas do Marechal de Campo Jorge Eugênio de Lóssio e Seiblitz — em 1796 coronel comandante do Regimento de Olinda e marechal-de-campo dos Reais Exércitos, reformado em 1808 Verbete da família Lóssio e Seiblitz. — e de sua mulher Maria Felícia Egipciana Corrêa Viana.A declaração de filiação apresentada no seu processo de leitura de bacharéis (folha de depósito de taxa, Lisboa, 21 de agosto de 1806) nomeia o pai como "D. Jorge Eugenio de Locio", de Lisboa, e a mãe como "D. Maria Egipciaca Pereira Vianna", de Pernambuco; os avós paternos como D. Nuno Eugenio de Locio (Lisboa) e D. Thereza Angelica de S.ta Coimbra (Porto) — apelido de leitura incerta —, e os avós maternos como Luiz Pereira Vianna de Araujo e D. Anna Corrêa de Araujo, ambos de Pernambuco. Arquivo Nacional da Torre do Tombo, Desembargo do Paço, Processos de Leitura de Bacharéis, Letra N, maço 2, n.º 3. A família descendia de Jorge André de Seiblitz (nascido por volta de 1676), capitão de cavalaria de origem germânica que se radicou em Lisboa, bisavô também de Manuel João de Lóssio e Seiblitz. Um alvará de mercê de 14 de outubro de 1727 descreve este Jorge André como "natural de Alemanha, filho de D. Frederico Lourenço de Seilbits", capitão de cavalos do regimento do brigadeiro conde dos Arcos, e refere-o como gravemente ferido; o mesmo assento registra o seu casamento com D. Ana Bárbara Inácia de Lóssio e, mais adiante, a tença e o Hábito da Ordem de Cristo concedidos ao filho D. Nuno Eugénio por padrão de 18 de junho de 1762.Arquivo Nacional da Torre do Tombo, Registo Geral de Mercês, Mercês de D. João V, livro 19, fl. 29v-30 — alvará de 14 de outubro de 1727. A grafia do apelido no manuscrito não é de leitura segura, admitindo as formas Seilbits, Seiblits e Seidlits.

Fez os estudos secundários no Recife. Matriculado no curso de Leis da Faculdade de Leis da Universidade de Coimbra a 2 de outubro de 1801, onde se tornou Bacharel em Leis em 1806. Fez a leitura de bacharéis no Desembargo do Paço em 1807, tendo sido habilitado "pellas inquiriçoens do dito Seu Irmão" — isto é, pelas inquirições de genere produzidas no processo do seu irmão Francisco Xavier de Lóssio e Seiblitz, bacharel em Leis por Coimbra em junho de 1805 e nomeado juiz de fora por decreto de 29 de janeiro de 1806, dado no Palácio de Vila Viçosa.Arquivo Nacional da Torre do Tombo, Desembargo do Paço, Processos de Leitura de Bacharéis, Letra N, maço 2, n.º 3 (capa "M.2 – N – N.º 3"). O maço reúne os processos dos dois irmãos, ali grafados "de Locio". Recusou em 1823 a presidência da província de Mato Grosso. Foi membro de um triunvirato (composto por ele, Mateus de Abreu Pereira e Miguel José de Oliveira Pinto) que governou São Paulo interinamente de 26 de agosto de 1813 até 8 de dezembro de 1814, período em que consta da lista de governantes da capitania e província de São Paulo.

Foi ouvidor em São Paulo em 1821 e Juiz Desembargador.

Foi deputado geral e Constituinte (Suplente), por Pernambuco, de 3 de maio de 1823 a 11 de novembro de 1823, presidente de província, e senador do Império do Brasil por Alagoas de 22 de junho de 1826 até à sua morte a 13 de janeiro de 1843, atravessando as cinco primeiras legislaturas do Império: 1826–1829, 1830–1833, 1834–1837, 1838–1841 e 1843. No Senado votou a favor da vitaliciedade da câmara, e o registro biográfico da casa trata-o como "Dom Nuno Eugênio Lóssio e Seiblitz".

Como primeiro presidente da província das Alagoas, tomou posse a 1 de julho de 1824, tendo sido antes nomeado para o Mato Grosso. A 12 de outubro de 1825 recebeu o título de conselheiro, "em recompensa de seus bons serviços", e a 5 de maio de 1826 entregou a administração ao vice-presidente Tertuliano de Almeida Lins. Na Assembleia Constituinte substituíra o deputado efetivo João da Silva Ferreira, que não tomou assento.VARNHAGEN, Francisco Adolfo de. História da independência do Brasil. Brasília: Senado Federal, 2010, p. 477. Numa das notas explicativas da edição do Senado Federal da mesma obra, é referido como "esse fidalgo de antiga e nobre linhagem", com remissão, para quem quiser "informações mais particularizadas", ao periódico Brasil Histórico, 2.ª série, tomo II, páginas 142 a 144.VARNHAGEN, Francisco Adolfo de. História da independência do Brasil. Brasília: Senado Federal, 2010, p. 504 — nota explicativa (II) à secção de Alagoas.

Teve seis filhos e duas filhas de Ana Bárbara Corrêa de Araújo, sua prima.SILVA, Innocencio Francisco da. Diccionario Bibliographico Portuguez. Lisboa: Imprensa Nacional, tomo VIII (suplemento), p. 418 — aditamento ao verbete da filha, onde os pais são nomeados "o conselheiro D. Nuno Eugenio de Lossio e Seilbiz, senador do imperio, e [...] D. Anna Barbara Corrêa d'Araujo". Entre os seus filhos contaram-se o engenheiro e político Eugênio Frederico do Lossio e Seiblitz (1835–1899), deputado à Assembleia Legislativa Provincial de Santa Catarina,PIAZZA, Walter. Dicionário Político Catarinense. Florianópolis: Assembleia Legislativa do Estado de Santa Catarina, 1985. o conselheiro Jorge Eugênio de Lóssio e Seiblitz (1828–1878), pai do engenheiro sanitarista Jorge Lóssio, e a poetisa Anna Bárbara de Lóssio e Seiblitz (1829–1877), autora de O Sagrado Caminho da Cruz (Rio de Janeiro, 1865) e de O Passado e o Presente (1876).A filiação é dada por Álvaro de Faria, Parágrafos literários (1978), p. 81, que a nomeia "Ana Barbosa"; um jornal de 1869 citado na revista Letrônica (Porto Alegre: PUCRS), v. 8, n. 2, 2015, p. 594, chama-lhe "a distinta poetisa brasileira a Exma. Sra. D. Anna Bárbara de Lossio Seiblitz", e o mesmo artigo refere-a como filha natural do senador. As duas obras constam do Catalogue of Printed Books do British Museum, no verbete "LOSSIO E SEILBIZ (ANNA BARBARA DE)".

Ver também Deputados da Primeira Assembleia Nacional Constituinte do Brasil Lista de governadores de São Paulo Eugênio Frederico do Lossio e Seiblitz — filho Anna Bárbara de Lóssio e Seiblitz — filha Jorge Eugénio de Lócio e Seiblitz — sobrinho, filho do irmão Francisco Xavier Manuel João de Lóssio e Seiblitz

Categoria:Portugueses de ascendência austríaca Categoria:Alumni da Universidade de Coimbra Categoria:Religiosos de Portugal Categoria:Juízes Desembargadores de Portugal Categoria:Governadores de Alagoas (Império) Categoria:Governadores da Bahia Categoria:Governadores de São Paulo (Colônia) Categoria:Senadores do Império do Brasil por Alagoas Categoria:Deputados do Império do Brasil Categoria:Deputados provinciais da Assembleia Nacional Constituinte de 1823 Categoria:Naturais do Recife