Resumo do Grande Prêmio do México de Fórmula 1 realizado na Cidade do México em 29 de maio de 1988. Quarta etapa do campeonato, foi vencido pelo francês Alain Prost, que subiu ao pódio junto a Ayrton Senna numa dobradinha da McLaren-Honda, com Gerhard Berger em terceiro pela Ferrari.
Resumo Corrida no primeiro semestre Realizado pela primeira vez em 1962 como uma prova extracampeonato, o Grande Prêmio do México integrou-se à Fórmula 1 no ano seguinte nela permanecendo até 1970 quando uma série de questões relativas à segurança determinaram a exclusão da etapa mexicana, reintegrada ao calendário em 1986. Desde então as doze edições da corrida foram realizadas entre outubro e novembro, contudo a edição de 1988 foi transferida para maio de forma a coincidir com Canadá e Detroit, provas a serem realizadas também na América do Norte.
McLaren domina os treinos Recordista de vitórias na Fórmula 1, com 30, Alain Prost chegou ao México exalando confiançaː "Acredito que tenho boas chances de vencer não só o Grande Prêmio do México, mas todas as demais provas desta temporada". Considerando os números da tabela de classificação, os recordes e os dois títulos mundiais que detém, o líder do campeonato não está apenas alimentando o próprio ego, sobretudo por causa de uma declaração inopinada de Ayrton Senna em relação às características da reformada pista mexicana. "É muito fácil ultrapassar aqui, principalmente no retão, que é enorme. Se você larga em segundo lugar e tem um carro tão bom quanto o que largou em primeiro, não há muitos problemas para ultrapassá-lo". Considerando o equipamento excelso ao dispor da McLaren, não é exagero afirmar que o brasileiro previu o futuro, contudo resta saber se esta frase enaltecerá mais uma de suas vitórias no campeonato de 1988 ou servirá como "justificativa plausível" para mais um triunfo de Alain Prost, aplainando o caminho do francês rumo ao tricampeonato. Nos embates intrínsecos da competição, contudo, Senna trabalha em sentido inverso, pois na sexta-feira ele marcou o melhor tempo do treino, deixando Prost em segundo com Gerhard Berger e Michele Alboreto vindo a seguir enquanto a Lotus de Nelson Piquet cravou a quinta marca adiante da Benetton de Alessandro Nanini.
Mesmo em posições tão excelsas, os brasileiros expressaram seus queixumesː Ayrton Senna reclamou da abertura intempestiva de sua válvula "pop-off", erro que fazia sua McLaren perder potência, enquanto Nelson Piquet reprovou a nova suspensão da Lotus e, ao contrário de seu compatriota, criticou o recapeamento asfáltico feito pela organização e seus efeitos colateraisː sujeira, detritos e ondulações. Quando o treino acabou, uma forte chuva caiu sobre o Autódromo Hermanos Rodríguez, adicionando mais um ingrediente a ser considerado numa disputa sob o ar rarefeito da Cidade do México.
Ninguém foi capaz de derrubar os tempos marcados pela McLaren na sexta-feira e assim Ayrton Senna assegurou a pole position com Alain Prost ao seu lado. Numa disputa entre Ferrari e Lotus, Gerhard Berger assegurou o terceiro posto enquanto Nelson Piquet subiu para o quarto lugar no treino de sábado tendo atrás de si seus respectivos companheiros de equipe, Michele Alboreto e Satoru Nakajima. Como o ar rarefeito legado pela grande altitude da Cidade do México (situada 2.250 metros acima do nível do mar) é prejudicial aos motores aspirados, a Arrows de Eddie Cheever conquistou o sétimo tempo graças ao seu motor BMW M12 (rebatizado como Megatron) deixando em oitavo lugar a Benetton de Alessandro Nannini, o melhor dentre os bólidos com propulsores aspirados. Fato negativo do dia foi o acidente sofrido por Philippe Alliot, o qual perdeu o controle de sua Lola na reta ao subir numa zebra, atingir a mureta de proteção e capotar três vezes espalhando destroços na pista, mas felizmente ele saiu andando do carro. Outro que safou-se ileso foi o britânico Julian Bailey, que não se classificou para a prova ao bater sua Tyrrell de frente contra o muro. Este fato, somado ao mau desempenho de Jonathan Palmer, levou o time de Ken Tyrrell a não se classificar para uma corrida pela primeira vez na história.
Prost almeja o tricampeonato O percurso da corrida foi reduzido em uma volta devido a um procedimento extra de largada causado pela Benetton de Alessandro Nanini, cujo motor falhou antes do sinal verde e com isso Ayrton Senna sofreu um grande baque no momento da partida. "Quando engatei a segunda marcha, a válvula limitadora de pressão abriu. Engatei a terceira e a quarta e a válvula continuou abrindo. Até achar a pressão correta, o Prost já estava longe, Piquet tinha passado e o Berger quase passou também", disse Ayrton Senna ao final da corrida ao explicar seu mau desempenho no instante da largada. Embora tenha ultrapassado Nelson Piquet nos metros iniciais da corrida, o piloto da McLaren não pôde alcançar Alain Prost devido ao equipamento similar em poder de ambos. Nas duas primeiras voltas um fato curioso chamou a atenção de quem assistia ao Grande Prêmio do Méxicoː cinco equipes ocupavam as primeiras posições, com a McLaren adiante da Lotus e esta colocada à frente de Ferrari, Arrows e Benetton num grid simétrico. Nesse instante, Prost mantinha o carro de Senna a dois segundos de distância enquanto Gerhard Berger superou Satoru Nakajima e Nelson Piquet entre as voltas três e nove.
Com pista livre, Alain Prost estabeleceu sucessivamente o melhor tempo da corrida enquanto Ayrton Senna sofria com bolhas nos pneus, combinação que aos poucos elevou a diferença em prol do francês. Após vinte e cinco voltas, um aperto de Berger sobre Senna forçou este último a pelo menos tentar diminuir a vantagem de Prost, a qual oscilou entre cinco e oito segundos devido aos retardatários. Preocupado também com o consumo de combustível, o brasileiro diminui o ritmo embora o austríaco da Ferrari estivesse a dois segundos de distância na volta trinta e dois e não revelasse preocupações com Nelson Piquet, a essa altura um reles coadjuvante na prova. As pretensões de Berger, entretanto, caíram por terra quando o boxe o orientou a diminuir sua toada por temer uma pane seca. Outra desventura recorrente foi a quebra de motor, anátema que recaiu sobre as Williams de Riccardo Patrese e Nigel Mansell e a Lotus de Satoru Nakajima (então o sexto colocado), dentre outros competidores.
Somente Alain Prost, Ayrton Senna e Gerhard Berger estavam na mesma volta e destes o francês da McLaren marcou cinco vezes o melhor tempo a contar da volta quarenta e dois, firmando a quinquagésima segunda como a mais rápida da prova com 1:18.608, novo recorde do circuito. Quanto aos demais pilotos, tivemos como destaque a quebra do motor da Lotus de Nelson Piquet na volta cinquenta e oito quando este era acossado por Michele Alboreto na disputa pelo quarto lugar, pois a contar deste momento a modorra imperou e nisso Alain Prost venceu a corrida sete segundos adiante de Ayrton Senna e este finalizou cinquenta segundos Gerhard Berger, sendo este o pódio da etapa mexicana, com Michele Alboreto em quarto, Derek Warwick em quarto e Eddie Cheever em sexto lugar, ou seja, o resultado final trouxe dois carros da McLaren, dois da Ferrari e dois da Arrows na zona de pontuação, cabendo uma menção honrosa aos carros da Benetton pilotados por Alessandro Nanini (sétimo lugar) e Thierry Boutsen (oitavo lugar) os melhores entre os usuários de motores aspirados.
Graças aos resultados colhidos no México, a liderança do mundial de pilotos continuava nas mãos de Alain Prost com 33 pontos, soma equivalente aos resultados de Gerhard Berger com 18 pontos e Ayrton Senna com 15 pontos e entre os construtores a McLaren era a melhor equipe com 48 pontos ante os 27 da Ferrari, com os demais times somando menos de dez pontos cada. Tomando por base os 92% de aproveitamento exibidos por Alain Prost na tabela, o mesmo credencia-se como favorito ao tricampeonato enquanto Ayrton Senna age como um "leão de treino"ː imbatível aos sábados e mediano aos domingos.
Classificação da prova Pré-classificação Pos. Nº Piloto Construtor Tempo Dif.122 Andrea de CesarisRial-Ford1:24.720—236 Alex CaffiDallara-Ford1:27.331 + 2.611332 Oscar LarrauriEuroBrun-Ford1:27.523 + 2.803431 Gabriele TarquiniColoni-Ford1:28.498 + 3.778 EXC33 Stefano ModenaEuroBrun-Ford1:31.473 + 6.753
Treinos oficiais Pos. Nº Piloto Equipe Q1 Q2 Diferença 1 12 Ayrton Senna McLaren-Honda 1:17.468 1:17.666 — 2 11 Alain Prost McLaren-Honda 1:18.097 1:18.301 + 0.629 3 28 Gerhard Berger Ferrari 1:19.725 1:18.120 + 0.652 4 1 Nelson Piquet Lotus-Honda 1:20.380 1:18.946 + 1.478 5 27 Michele Alboreto Ferrari 1:20.328 1:19.626 + 2.158 6 2 Satoru Nakajima Lotus-Honda 1:21.694 1:20.275 + 2.807 7 18 Eddie Cheever Arrows-Megatron 1:21.691 1:20.475 + 3.007 8 19 Alessandro Nannini Benetton-Ford 1:20.740 1:21.403 + 3.272 9 17 Derek Warwick Arrows-Megatron 1:20.775 1:21.403 + 3.307 10 16 Ivan Capelli March-Judd 1:22.335 1:21.952 + 4.484 11 20 Thierry Boutsen Benetton-Ford 1:22.164 1:22.029 + 4.561 12 22 Andrea de Cesaris Rial-Ford 1:22.864 1:22.245 + 4.777 13 30 Philippe Alliot Lola-Ford 1:22.348 1:22.557 + 4.880 14 5 Nigel Mansell Williams-Judd 1:23.246 1:22.363 + 4.895 15 10 Bernd Schneider Zakspeed 1:24.335 1:22.642 + 5.174 16 15 Maurício Gugelmin March-Judd 1:22.801 5:30.133 + 5.333 17 6 Riccardo Patrese Williams-Judd 1:24.142 1:22.972 + 5.511 18 9 Piercarlo Ghinzani Zakspeed 1:25.375 1:23.078 + 5.610 19 14 Philippe Streiff AGS-Ford 1:23.191 1:23.750 + 5.723 20 25 René Arnoux Ligier-Judd 1:24.315 1:23.287 + 5.819 21 31 Gabriele Tarquini Coloni-Ford 1:24.662 1:23.603 + 6.135 22 29 Yannick Dalmas Lola-Ford 1:24.279 1:23.606 + 6.138 23 36 Alex Caffi Dallara-Ford 1:25.564 1:23.716 + 6.248 24 26 Stefan Johansson Ligier-Judd 1:25.277 1:23.721 + 6.253 25 24 Luis Pérez-Sala Minardi-Ford 1:23.911 1:23.857 + 6.389 26 32 Oscar Larrauri EuroBrun-Ford 1:23.405 1:24.032 + 6.564 DNQ 3 Jonathan Palmer Tyrrell-Ford 1:24.390 1:24.849 + 6.922 DNQ 21 Nicola Larini Osella 1:24.405 1:24.408 + 6.937 DNQ 4 Julian Bailey Tyrrell-Ford 1:25.525 1:25.231 + 7.763 DNQ 23 Adrián Campos Minardi-Ford 1:26.696 1:26.058 + 8.590Fonte:
Corrida Pos. Nº Piloto Construtor Voltas Tempo/Diferença Grid Pontos 1 11 Alain Prost McLaren-Honda 67 1:30:15.737 2 9 2 12 Ayrton Senna McLaren-Honda 67 + 7.104 1 6 3 28 Gerhard Berger Ferrari 67 + 57.314 3 4 4 27 Michele Alboreto Ferrari 66 + 1 volta 5 3 5 17 Derek Warwick Arrows-Megatron 66 + 1 volta 9 2 6 18 Eddie Cheever Arrows-Megatron 66 + 1 volta 7 1 7 19 Alessandro Nannini Benetton-Ford 65 + 2 voltas 8 8 20 Thierry Boutsen Benetton-Ford 64 + 3 voltas 11 9 29 Yannick Dalmas Lola-Ford 64 + 3 voltas 22 10 26 Stefan Johansson Ligier-Judd 63 + 4 voltas 24 11 24 Luis Pérez-Sala Minardi-Ford 63 + 4 voltas 25 12 14 Philippe Streiff AGS-Ford 63 + 4 voltas 19 13 32 Oscar Larrauri EuroBrun-Ford 63 + 4 voltas 26 14 31 Gabriele Tarquini Coloni-Ford 62 + 5 voltas 21 15 9 Piercarlo Ghinzani Zakspeed 61 + 6 voltas 18 16 16 Ivan Capelli March-Judd 61 + 6 voltas 10 Ret 1 Nelson Piquet Lotus-Honda 58 Motor 4 Ret 22 Andrea de Cesaris Rial-Ford 52 Câmbio 12 Ret 2 Satoru Nakajima Lotus-Honda 27 Motor 6 Ret 5 Nigel Mansell Williams-Judd 20 Motor 14 Ret 10 Bernd Schneider Zakspeed 16 Motor 15 Ret 6 Riccardo Patrese Williams-Judd 16 Motor 17 Ret 25 René Arnoux Ligier-Judd 13 Acidente 20 Ret 36 Alex Caffi Dallara-Ford 13 Freios 23 Ret 15 Maurício Gugelmin March-Judd 10 Pane elétrica 16 Ret 30 Philippe Alliot Lola-Ford 0 Suspensão 13 DNQ 23 Adrián Campos Minardi-Ford DNQ 3 Jonathan Palmer Tyrrell-Ford DNQ 21 Nicola Larini Osella DNQ 4 Julian Bailey Tyrrell-Ford EXC 33 Stefano Modena EuroBrun-Ford Asa traseira ilegalFonte:Voltas na liderança: Alain Prost liderou as 67 voltas da prova.
Tabela do campeonato após a corrida
Classificação do mundial de pilotos Pos Piloto Pontos 1 Alain Prost 33 2 Gerhard Berger 18 3 Ayrton Senna 15 4 Michele Alboreto 9 5 Nelson Piquet 8Fontes:
Classificação do mundial de construtores