Resumo do Grande Prêmio da Itália de Fórmula 1 realizado em Monza em 10 de setembro de 1989. Décima segunda etapa do campeonato, foi vencido pelo francês Alain Prost, da McLaren-Honda, com Gerhard Berger em segundo lugar pela Ferrari e Thierry Boutsen em terceiro lugar pela Williams-Renault.

Resumo Alain Prost na Ferrari em 1990 Sete das dez temporadas de Alain Prost na Fórmula 1 ocorreram ao volante de um carro da McLaren, razão pela qual o anúncio feito por ele em julho de que deixaria a equipe ao final de 1989 causou uma torrente de especulações sobre o seu futuro, as quais foram condensadas em dois destinos possíveis: Williams ou Ferrari. No primeiro caso, o vetusto piloto francês substituiria Riccardo Patrese e teria o apoio da Renault, cujos motores impulsionam os carros de Frank Williams, em dupla com Thierry Boutsen, mas uma questão de patrocínio teria impedido o acerto, pois a British American Tobacco, dona dos cigarros Barclay, não vincularia suas marcas a um piloto associado à concorrência, no caso a Philip Morris, estampada nos carros de McLaren e Ferrari através da Marlboro.

Alain Prost assinou o contrato com a Ferrari para 1990 na sede da Philip Morris em Lugano, na Suíça, e foi anunciado como piloto do time vermelho na quarta-feira anterior ao Grande Prêmio da Itália, tornando-se o sexto piloto francês a correr pela equipe italiana, somando-se a Maurice Trintignant e Jean Behra, além de contemporâneos como Didier Pironi, Patrick Tambay e René Arnoux.Raymond Sommer, Louis Rosier e Robert Manzon não figuram como pilotos oficiais da Ferrari, pois competiram em equipes privadas que usavam o chassis do time de Maranello, embora Manzon apareça como inscrito para o Grande Prêmio da Suíça de 1954 pela Ferrari, mas não se classificou. Tal fato sacramenta a permanência de Nigel Mansell em Maranello e o nome de Gerhard Berger como piloto da McLaren para o ano que vem, embora não tenha sido esta a única movimentação no mercado de pilotos.

Nelson Piquet na Benetton Dois dias antes do anúncio sobre Alain Prost, foi a Benetton quem definiu seus pilotos para 1990 ao contratar o tricampeão Nelson Piquet para fazer dupla com o italiano Alessandro Nanini, encerrando dois anos frustrantes com a Lotus, que na última hora prometeu ao tricampeão motores da General Motors pata mantê-lo no time de Colin Chapman, mas o brasileiro não parecia disposto a liderar mais uma equipe no desenvolvimento de seu novo motor, como fez na transição dos propulsores aspirados da Ford para os turbos da BMW nos tempos da Brabham. Além disso, correr na equipe das cores unidas permitiria trabalhar com John Barnard e o livraria de um ambiente conflagrado similar ao vivido na Williams, quando dividia os boxes com Nigel Mansell. "Nanini é o mais veloz dos pilotos italianos além de sermos bons amigos", ressaltou Piquet.

Warwick e Donnelly na Lotus Premida pelas circunstâncias, a Lotus revelou os nomes de Derek Warwick e Martin Donnelly como titulares para 1990 e apregoou a Lamborghini como fornecedora de motores. Nenhum dos pilotos desconhece o ambiente em Hethel, pois Warwick testou um Lotus 97T em Brands Hatch em outubro de 1985. Naquele momento, a Lotus buscava um substituto para Elio de Angelis e o britânico não dispunha de vaga para o ano seguinte após a Renault anunciar o fim de suas atividades como equipe. O bom desempenho de Warwick no teste garantiu-lhe um contrato assinado para 1986, mas não impediu Ayrton Senna de vetar seu nome enquanto sugeria o de Maurício Gugelmin, preterido em favor de Johnny Dumfries por força da Imperial Brands, dona dos cigarros John Player Special. Quanto a Martin Donnelly, ele é o atual piloto de testes da Lotus.

Muitos italianos no grid Os tifosi viveram um dia de sonho na sexta-feira quando Gerhard Berger e Nigel Mansell fizeram os melhores tempos, deixando para trás Ayrton Senna, Alain Prost, Thierry Boutsen e Riccardo Patrese, pilotos da McLaren e da Williams, respectivamente. Neste grid tão simétrico, o melhor dentre os outros competidores foi Philippe Alliot em sua Lola, posicionado logo à frente da Benetton de Alessandro Nanini, enquanto Nelson Piquet, maior vencedor do Grande Prêmio da Itália, não foi além do décimo segundo lugar com a Lotus. Na manhã do dia seguinte, uma chuva caiu em Monza, subtraindo dos pilotos uma fração do tempo necessário para ajustar os carros visando a sessão vespertina. Nela foi a McLaren de Ayrton Senna quem assinalou o melhor tempo, assegurando mais uma pole para a sua coleção, deixando Gerhard Berger e Nigel Mansell atrás de si, para desencanto da Ferrari. Da quarta à oitava posição, mantiveram-se os resultados do dia anterior, restando a Emanuele Pirro e Jean Alesi a quinta fila, com a Lotus de Nelson Piquet e a Brabham de Martin Brundle vindo a seguir.

Insatisfeito com os quase dois segundos de diferença em relação ao companheiro de equipe, Alain Prost derramou-se em lamúrias contra a sua equipe e a fornecedora de motores, ainda que não as citasse nominalmente: "É tempo de deixar as coisas claras. É impossível trabalhar com tamanha diferença de tratamento. Se quiserem, para de correr imediatamente. Não aceito ser brinquedo nas mãos de ninguém", bradou o francês antes de continuar. "O carro estava ruim, o motor estava ruim. Numa volta o carro parecia melhor, na outra não. Simplesmente não sei o que dizer aos meus técnicos. Com essas condições, não quero ir ao Japão e Austrália". Embora Ron Dennis negasse qualquer favorecimento a Senna, a melhor resposta aos vitupérios de Prost foi dada por Osamu Goto, o homem forte da Honda. "O departamento de testes provou que a potência dos motores postos à disposição dos pilotos era a mesma. A diferença se faz notar novamente na maneira de dirigir. Não compreendemos as queixas de Prost. As análises provaram que a potência dos motores era a mesma em linha reta, mas o francês perdia tempo nas curvas. Senna saia 24 km/h mais rápido que ele nas curvas".

Torcedores incondicionais da Ferrari, os italianos contam com outras equipes no grid e terão nove compatriotas entre os pilotos habilitados à corrida, além de Alain Prost, cujo futuro vínculo com o time de Maranello para 1990 o fez cair nas graças do público e para ele o ideal seria repetir as vitórias de 1981 e 1985. A Ferrari, por outro lado, lutará por uma vitória inédita de Nigel Mansell ou para que Gerhard Berger repita o triunfo do ano passado. Quanto a Ayrton Senna, o domingo será mais uma oportunidade para encerrar o folclore segundo o qual ele carrega uma "maldição", um infortúnio que o impede de vencer em Monza, vide o erro bisonho cometido quando perdeu a liderança ao bater na Williams do retardatário Jean-Louis Schlesser em 1988, a duas voltas para o fim da corrida.

Esperança virou fumaça Hábil no momento da largada, Senna contornou a primeira curva adiante dos carros da Ferrari e de Prost, ordem esta inalterada durante vinte voltas, num intervalo temporal onde o brasileiro da McLaren não foi ameaçado em nenhum momento, firmando mais de seis segundos de vantagem ao fim deste intervalo, onde quatro pilotos já estavam fora de combate: Emanuele Pirro sequer completou uma volta por falha na transmissão da Benetton, os freios da Lola de Philippe Alliot travaram na Variante Ascari fazendo-o rodar e ficar preso na areia, enquanto Maurício Gugelmin (March) e Michele Alboreto (Lola) também sucumbiram às avarias mecânicas. Na vigésima primeira volta, Prost superou Mansell na Variante della Roggia. Num contraste entre brasileiros, Nelson Piquet abandonou a corrida na vigésima terceira volta graças ao susto que levou quando uma Onyx surgiu à sua frente de modo inesperado. "O Gachot saiu dos boxes com os pneus frios, errou na curva Lesmo e eu não consegui evitar uma rodada na hora que me desviei do seu carro", afirmou o tricampeão.

Os italianos sonhavam com a repetição da vitória de Gerhard Berger do ano anterior, mas na metade da prova, o austríaco estava a quatorze segundos de Senna e tinha Prost seis segundos atrás de si, enquanto o dueto da McLaren alternava as volta mais rápida do domingo. Com McLaren, Ferrari e Williams nas primeiras posições, a configuração da prova começou a mudar após três quartos do percurso, quando o carro vermelho de Nigel Mansell ficou pelo caminho por quebra de câmbio na volta quarenta e um, quase ao mesmo tempo que Alain Prost ultrapassa Gerhard Berger por fora na saída da Parabólica e assume o segundo lugar. Aguerrido, o francês acelera como se não tivesse nada a perder, embora estivesse a vinte e três segundos de seu companheiro de equipe.

Momentaneamente, os resultados de pista encurtam a distância entre os pilotos da McLaren para oito pontos a favor de Prost, contudo a a quebra do motor de Senna ao aproximar-se da Parabólica na quadragésima quarta volta fez a torcida italiana vibrar, pois Alain Prost, futuro piloto da Ferrari, assumiu a liderança, três e quatro segundos à frente de Berger. No antepenúltimo giro, Prost extrai do carro a velocidade necessária para cruzar a linha de chegada sete segundos à frente de Berger, que terminou a corrida à frente das Williams de Thierry Boutsen e Riccardo Patrese, com Jean Alesi em quinto pela Tyrrell e Martin Brundle em sexto pela Brabham. Graças a esse resultado, a McLaren atingiu 122 pontos e sagrou-se campeã mundial de construtores, mas ao final da cerimônia do pódio, uma cena inacreditável aconteceu: Alain Prost afrontou Ron Dennis ao jogar o troféu de vencedor da corrida para a torcida italiana ignorando os direitos contratuais do time britânico sobre a peça. Embevecida pela vitória de um futuro piloto da Ferrari, a torcida italiana deleitou-se mais como o troféu de Alain Prost que com o segundo lugar de Gerhard Berger, de volta aos pontos desde o Grande Prêmio do Japão de 1988, quando terminou em quarto lugar.

Vencer quando parecia impossível não melhorou o humor de Alain Prost, que açoitou a McLaren: "Quem conhece da mecânica e técnica reconhece um carro ruim ao sentar-se nele. Por isso digo que meu carro jamais ganharia esta corrida. Se até o final dos treinos de sexta-feira tudo estava bem, a partir daí tudo passou a correr mal. Eu me queixava disto e daquilo, mas não sentia firmeza de que a equipe trabalhava para resolver os problemas", disse antes de afirmar que seu motor Honda "nunca esteve em ordem" e creditar sua vitória a "um golpe de sorte". Nem parecia ser ele o líder do mundial de pilotos com 71 pontos, vinte à frente de Ayrton Senna. O brasileiro, aliás, descreveu sua má sorte de forma linear: "Simplesmente aconteceu a mesma coisa que em Montreal: o motor ficou sem óleo. Ele simplesmente quebrou. Eu desliguei o motor e tentei chegar ao boxe, mas caiu óleo sobre as rodas e eu acabei rodando na curva antes dos boxes". Uma maneira objetiva de dizer que suas chances de vitória e de título viraram fumaça.

Classificação Pré-qualificação Pos. Nº Piloto Construtor Tempo Diferença 1 30 Philippe Alliot Lola-Lamborghini 1:26.623 — 2 29 Michele Alboreto Lola-Lamborghini 1:27.829 + 1.206 3 17 Nicola Larini Osella-Ford 1:27.980 + 1.357 4 37 Bertrand Gachot Onyx-Ford 1:28.344 + 1.721 5 36 Stefan Johansson Onyx-Ford 1:28.588 + 1.965 6 40 Gabriele Tarquini AGS-Ford 1:28.813 + 2.190 7 31 Roberto Moreno Coloni-Ford 1:28.864 + 2.241 8 18 Piercarlo Ghinzani Osella-Ford 1:28.884 + 2.261 9 34 Bernd Schneider Zakspeed-Yamaha 1:29.472 + 2.849 10 35 Aguri Suzuki Zakspeed-Yamaha 1:30.085 + 3.462 11 33 Oscar Larrauri EuroBrun-Judd 1:30.089 + 3.466 12 41 Yannick Dalmas AGS-Ford 1:30.882 + 4.259 13 32 Enrico Bertaggia Coloni-Ford 1:31.606 + 4.983

Treinos classificatórios