Resumo do Grande Prêmio da Espanha de Fórmula 1 realizado em Jerez em 1º de outubro de 1989. Décima quarta etapa do campeonato, foi vencido pelo brasileiro Ayrton Senna, da McLaren-Honda, com Gerhard Berger em segundo pela Ferrari e Alain Prost em terceiro com a outra McLaren-Honda.

Resumo Panorama espanhol Inconformada com a suspensão de Nigel Mansell por conta do incidente relativo às bandeiras pretas no Grande Prêmio de Portugal, a Ferrari interpôs um recurso junto à FIA, mas o veredicto não mudou. Agastado, o "leão" ameaçou deixar a Fórmula 1 antes de refluir em suas declarações e dirigir-se a Palma de Maiorca, no Arquipélago das Baleares, onde aproveitou a folga involuntária obrigando a sua equipe a correr com apenas um carro, algo semelhante ao ocorrido no Grande Prêmio de Mônaco de 1989.Gilles Villeneuve e Didier Pironi defenderam a Ferrari nas quatro primeiras corridas de 1982, mas a equipe italiana não disputou o Grande Prêmio da Bélgica em razão da morte do canadense. Nas corridas de Mônaco, Detroit e Canadá, a escuderia carmesim foi à pista somente com Didier Pironi, sendo que Patrick Tambay estreou nos Países Baixos e fez dupla com Pironi por mais duas provas, contudo o acidente envolvendo este último nos treinos para o Grande Prêmio da Alemanha, fez de Tambay o único piloto da Ferrari tanto na etapa germânica quanto na Áustria, pois o time de Maranello não disputou o Grande Prêmio da Suíça devido a uma hérnia de disco que acometeu Patrick Tambay. Diante do exposto, Mario Andretti foi contratado para correr no Grande Prêmio da Itália e no Grande Prêmio de Caesars Palace, onde a Ferrari sagrou-se campeã mundial de construtores pela sétima vez em sua história. Quanto ao "desfalque" mais recente, este foi consequência do acidente sofrido por Gerhard Berger no Grande Prêmio de San Marino de 1989. Ácido como de costume, Jean-Marie Balestre resumiu assim o acidente em Estorilː "Era um dia tão bonito, tão azul, com todo aquele público nas arquibancadas, e os dois imbecis fizeram aquilo", disse o presidente da FISA ao vergastar tanto Mansell, autor da transgressão e causador do acidente que tirou Senna da prova lusitana, quanto o brasileiro da McLaren.

Ciente de que precisava vencer para lutar por mais um título, Ayrton Senna fez o melhor tempo no primeiro treino de sexta-feira, mas foi desclassificado por marcar sua melhor volta enquanto os fiscais recolhiam a Rial do suíço Gregor Foitek (substituto de Christian Danner), cuja batida forçou a interrupção da sessão. Irritado, o brasileiro fez o melhor tempo quando reiniciaram os trabalhos, porém suas declarações sobre o dia na pista falavam mais sobre a dificuldade de enfrentar as dezesseis curvas de Jerez sob sol forte e menos sobre a virtual conquista de mais uma pole position. "A pole não é mais problema. O negócio agora é andar com pneus de corrida para saber como o carro vai se comportar", disse ele indiferente à multa de vinte mil dólares que recebeu. "Aqui os pneus perdem muita aderência. Essa é minha maior preocupação a partir de agora".

Empenhado em encontrar o melhor acerto para a corrida, Ayrton Senna correu com tanque cheio no sábado pela manhã alheio à possibilidade de superarem o seu tempo, mas Pierluigi Martini provou o contrário ao volante da Minardi, assim como quatro outros pilotos, dentre eles o ladino Alain Prost, companheiro de equipe e rival do brasileiro na McLaren, e o motivado Gerhard Berger, o único piloto da Ferrari na pista. Ciente do risco, Senna desperdiçou um jogo de pneus em sua volta lançada, mas na tentativa seguinte estabeleceu o melhor tempo do treino e comemorou sua 40ª (quadragésima) pole position. Gerhard Berger e Alain Prost vinham a seguir, com o surpreendente Pierluigi Martini em quarto e a Lola de Philippe Alliot em quinto. Em situação mais modesta, o piloto finlandês J. J. Lehto celebrou o décimo sétimo lugar no grid e sua primeira classificação efetiva para uma corrida de Fórmula 1 ao substituir Bertrand Gachot na Onyx.

Vitória dolorida Cioso quanto a um novo bote de Gerhard Berger na hora da largada, Ayrton Senna manteve a primeira posição com a Ferrari atrás de si enquanto Alain Prost vinha em terceiro lugar. Em apenas dez voltas a vantagem dos líderes sobre o francês era de dois segundos, a qual triplicou na vigésima volta. A referida tríade fez seus pit stops nas voltas 27 (Prost), 29 (Berger) e 30 (Senna) e graças ao trabalho bem-feito pela McLaren, Ayrton Senna manteve a liderança ao voltar à pista, com menos de dois segundos sobre Gerhard Berger. Sem alternativa, o brasileiro forçou o ritmo e negociou melhor as ultrapassagens sobre os retardatários, embora Philippe Alliot e Andrea de Cesaris tenham sido mais renitentes justo quando o câmbio, os freios e o computador de bordo de Senna não estavam em boas condições e o próprio piloto sentisse dores pelo corpo.

Depauperado, o bólido de Ayrton Senna estaria ao alcance de Gerhard Berger, mas para o desânimo dos tifosi o ataque não foi possível devido ao mau estado dos pneus da Ferrari e a um vazamento de óleo no motor do austríaco, tanto que, a dez voltas do fim, Senna tinha mais de vinte e três segundos sobre Berger e este mais de vinte em relação a Prost.

Sem nenhuma surpresa, o trio cruzou a linha de chegada uma volta adiante de quem completou a zona de pontuação. Exausto, Ayrton Senna conseguiu vencer, adiou a decisão do título para o Japão e igualou-se a Nelson Piquet em 20 vitórias, dividindo com ele o título de brasileiro que mais subiu ao topo do pódio na história da Fórmula 1. Aos fãs de Senna e demais torcedores impressionados com suas expressões de dor no momento da premiação e durante a coletiva de imprensa, o fisioterapeuta Josef Leberer explicouː "A tensão e a dificuldade de controlar o carro, com problemas de câmbio e freios, provocaram o enrijecimento do nervo ciático", razão pela qual o brasileiro da McLaren mal podia andar. Quanto ao segundo lugar de Gerhard Berger, este declarou o seguinteː "Tive dificuldade de levar o Ferrari até o final. Com o motor perdendo óleo, era impossível atacar Ayrton". Terceiro colocado, Alain Prost comparou seu carro a um táxi, declarou ser impossível ir além desse resultado, culpou o câmbio, o traçado de Jerez e o óleo em sua viseira pelo mau resultado e, embora tenha assinado uma declaração em sentido contrário, alfinetou a Honda. Completaram os seis primeiros os seguintes pilotosː Jean Alesi, da Tyrrell, Riccardo Patrese, pela Williams, e Philippe Alliot em sua Larrousse com chassis Lola.

Decisão adiada Mesmo com esse resultado, Ayrton Senna precisará triunfar no Japão e na Austrália para chegar ao título, caso contrário o francês Alain Prost, seu rival e companheiro de equipe, conquistará o tricampeonato mundial. Isso porque Alain Prost tem 76 pontos válidos contra 60 de Ayrton Senna, mas o brasileiro está isento do descarte de pontos estipulado no regulamento, enquanto seu adversário já chegou aos onze resultados válidos e tem a obrigação de abdicar do pior entre eles a cada etapa.Alain Prost somou 81 pontos ao longo do ano, mas ao chegar em terceiro no Grande Prêmio da Espanha, o francês somou apenas um ponto, pois descartou o quarto lugar obtido no Grande Prêmio da Hungria, liderando o campeonato mundial com 76 pontos válidos. "Conhecendo Alain, sua larga experiência, não creio que deixará escapar essa oportunidade", disse o tricampeão Nelson Piquet ao vaticinar Alain Prost como o campeão de 1989, pois o francês garantirá o título mesmo sem pontuar, desde que Senna também fique pelo caminho em qualquer das provas vindouras.

Classificação da prova

Pré-classificação Pos. Nº Piloto Construtor Tempo Dif. 1 17 Nicola Larini Osella-Ford 1:23.566 — 2 37 J. J. Lehto Onyx-Ford 1:23.958 + 0.392 3 18 Piercarlo Ghinzani Osella-Ford 1:24.586 + 1.020 4 30 Philippe Alliot Lola-Lamborghini 1:24.610 + 1.044 5 40 Gabriele Tarquini AGS-Ford 1:24.847 + 1.281 6 36 Stefan Johansson Onyx-Ford 1:24.944 + 1.378 7 31 Roberto Moreno Coloni-Ford 1:25.074 + 1.508 8 29 Michele Alboreto Lola-Lamborghini 1:25.646 + 2.080 9 34 Bernd Schneider Zakspeed-Yamaha 1:25.673 + 2.107 10 41 Yannick Dalmas AGS-Ford 1:26.131 + 2.565 11 35 Aguri Suzuki Zakspeed-Yamaha 1:26.609 + 3.043 12 33 Oscar Larrauri Eurobrun-Judd 1:26.803 + 3.237 13 32 Enrico Bertaggia Coloni-Ford 1:27.236 + 3.670

Treinos oficiais Pos. Nº Piloto Construtor Q1 Q2 Dif. 1 1 Ayrton Senna McLaren-Honda 1:21.855 1:20.291 — 2 28 Gerhard Berger Ferrari 1:22.276 1:20.565 + 0.274 3 2 Alain Prost McLaren-Honda 1:23.113 1:21.368 + 1.077 4 23 Pierluigi Martini Minardi-Ford 1:22.243 1:21.479 + 1.188 5 30 Philippe Alliot Lola-Lamborghini 1:23.597 1:21.708 + 1.417 6 6 Riccardo Patrese Williams-Renault 1:24.033 1:21.777 + 1.486 7 11 Nelson Piquet Lotus-Judd 1:23.235 1:21.922 + 1.631 8 7 Martin Brundle Brabham-Judd 1:23.761 1:22.133 + 1.842 9 4 Jean Alesi Tyrrell-Ford 1:24.615 1:22.363 + 2.072 10 20 Emanuele Pirro Benetton-Ford 1:24.647 1:22.567 + 2.276 11 17 Nicola Larini Osella-Ford 1:23.538 1:22.620 + 2.329 12 8 Stefano Modena Brabham-Judd 1:23.679 1:22.826 + 2.535 13 3 Jonathan Palmer Tyrrell-Ford 1:23.494 1:23.052 + 2.761 14 19 Alessandro Nannini Benetton-Ford 1:24.233 1:23.105 + 2.814 15 22 Andrea de Cesaris Dallara-Ford 1:24.900 1:23.186 + 2.895 16 9 Derek Warwick Arrows-Ford 1:24.161 1:23.222 + 2.931 17 37 J. J. Lehto Onyx-Ford 1:24.322 1:23.243 + 2.952 18 12 Satoru Nakajima Lotus-Judd — 1:23.309 + 3.018 19 16 Ivan Capelli March-Judd 1:23.401 — + 3.110 20 24 Luis Pérez-Sala Minardi-Ford 1:23.908 1:23.443 + 3.152 21 5 Thierry Boutsen Williams-Renault 1:24.839 1:23.657 + 3.366 22 10 Eddie Cheever Arrows-Ford 1:24.222 1:23.729 + 3.438 23 21 Alex Caffi Dallara-Ford 1:24.658 1:23.763 + 3.472 24 26 Olivier Grouillard Ligier-Ford 1:24.991 1:23.931 + 3.640 25 18 Piercarlo Ghinzani Osella-Ford 1:26.147 1:24.003 + 3.712 26 15 Maurício Gugelmin March-Judd 1:28.311 1:24.707 + 4.416 27 25 René Arnoux Ligier-Ford 1:26.767 1:25.190 + 4.899 28 39 Pierre-Henri Raphanel Rial-Ford 1:28.311 1:25.443 + 5.152 29 38 Gregor Foitek Rial-Ford — 1:29.226 + 8.935Fontes:

Corrida Pos. Nº Piloto Construtor Voltas Tempo/Diferença Grid Pontos 1 1 Ayrton Senna McLaren-Honda 73 1:47:48.264 1 9 2 28 Gerhard Berger Ferrari 73 + 27.051 2 6 3 2 Alain Prost McLaren-Honda 73 + 53.788 3 4 4 4 Jean Alesi Tyrrell-Ford 72 + 1 volta 9 3 5 6 Riccardo Patrese Williams-Renault 72 + 1 volta 6 2 6 30 Philippe Alliot Lola-Lamborghini 72 + 1 volta 5 1 7 22 Andrea de Cesaris Dallara-Ford 72 + 1 volta 15 8 11 Nelson Piquet Lotus-Judd 71 + 2 voltas 7 9 9 Derek Warwick Arrows-Ford 71 + 2 voltas 16 10 3 Jonathan Palmer Tyrrell-Ford 71 + 2 voltas 13 Ret 10 Eddie Cheever Arrows-Ford 61 Motor 61 Ret 20 Emanuele Pirro Benetton-Ford 59 Spun Off 10 Ret 21 Alex Caffi Dallara-Ford 55 Motor 23 Ret 7 Martin Brundle Brabham-Judd 51 Spun Off 8 Ret 15 Mauricio Gugelmin March-Judd 47 Colisão 26 Ret 24 Luis Pérez-Sala Minardi-Ford 47 Spun Off 20 Ret 5 Thierry Boutsen Williams-Renault 40 Bomba de combustível 21 Ret 26 Olivier Grouillard Ligier-Ford 34 Motor 24 Ret 23 Pierluigi Martini Minardi-Ford 27 Spun Off 4 Ret 16 Ivan Capelli March-Judd 23 Transmissão 19 Ret 37 J. J. Lehto Onyx-Ford 20 Câmbio 17 Ret 18 Piercarlo Ghinzani Osella-Ford 17 Câmbio 25 Ret 19 Alessandro Nannini Benetton-Ford 14 Spun Off 14 Ret 8 Stefano Modena Brabham-Judd 11 Pane elétrica 12 Ret 17 Nicola Larini Osella-Ford 6 Suspensão 11 Ret 12 Satoru Nakajima Lotus-Judd 0 Colisão 18 DNQ 25 René Arnoux Ligier-Ford DNQ 39 Pierre-Henri Raphanel Rial-Ford DNQ 38 Gregor Foitek Rial-Ford DNPQ 40 Gabriele Tarquini AGS-Ford DNPQ 36 Stefan Johansson Onyx-Ford DNPQ 31 Roberto Moreno Coloni-Ford DNPQ 29 Michele Alboreto Lola-Lamborghini DNPQ 34 Bernd Schneider Zakspeed-Yamaha DNPQ 41 Yannick Dalmas AGS-Ford DNPQ 35 Aguri Suzuki Zakspeed-Yamaha DNPQ 33 Oscar Larrauri Eurobrun-Judd DNPQ 31 Enrico Bertaggia Coloni-FordFontes:Voltas na liderança: Ayrton Senna liderou as 73 voltas da prova.

Tabela do campeonato após a corrida