Joaquim Duarte Murtinho Nobre (Cuiabá, — Rio de Janeiro, ) foi um médico e político brasileiro liberal. Murtinho foi Ministro da Indústria e Comércio (1899–1902) no governo Prudente de Morais e também Ministro da Fazenda (1898–1902) no governo Campos Sales. Além disso, cumpriu dois mandatos não consecutivos como senador por Mato Grosso (1890–1896 e 1903–1911).Melo, Demian de; Fanaia, João Edson (2024). "MURTINHO, Joaquim" (PDF). Bela Vista - São Paulo: FGV CPDOC. Acessado em 09-01-2023.

Diversos espaços públicos de cidades brasileiras levam seu nome, mais notadamente Rua Joaquim Murtinho em Santa Teresa, Rio de Janeiro; e uma rua homônima em Cuiabá, Mato Grosso; bem como, uma escola pública centenária em Campo Grande, Mato Grosso do Sul.

Biografia Terceiro filho de José Antônio Murtinho, médico e militar, natural da Bahia, e de sua primeira esposa, Rosa Joaquina Pinheiro, Joaquim Murtinho descendeu de uma família envolvida com a política nacional brasileira. Seu avô materno, Joaquim Duarte, ajudante da primeira linha dos corpos de milícia, era português natural de São Miguel do Outeiro, distrito de Viseu, e foi uma das vítimas do movimento nativista conhecido como Rusga.

Seu pai foi presidente da província de Mato Grosso durante o Império. Seus irmãos mais velhos eram José Antônio Murtinho Filho, que também foi senador pelo Mato Grosso, e Manuel José Murtinho, ministro do Supremo Tribunal Federal.Revista Genealógica Brasileira Através do irmão José, Joaquim teve parentesco com personalidades brasileiras de outras esferas: a sobrinha Magdalena do Amaral Murtinha, filha desse José, foi mãe de Nilo Murtinho Braga, concebendo no casamento com Emmanuel Gomes Braga também Fernando e Frederico. Esses três sobrinhos-netos de Joaquim chegaram a jogar juntos no Botafogo em 1919. Frederico veio a ser pai da atriz Rosamaria Murtinho, embora ela chegue a ser referida como bisneta do próprio Joaquim; Nilo ainda mantém no século XXI a mais alta média de gols do Botafogo, participando da Copa do Mundo FIFA de 1930; e Fernando, por sua vez, teve longa carreira no Itamaraty, trabalhando em diversas representações diplomáticas brasileiras em diferentes continentes.

Murtinho nasceu na capital de Mato Grosso e mudou-se, aos 13 anos, para o estado Rio de Janeiro para estudar. Estudou no Colégio Kopke, em Petrópolis, em 1861, e depois no Colégio Episcopal São Pedro de Alcântara (também conhecido como Colégio dos Padres Paiva), na capital, Rio de Janeiro. Aos 17 anos, matriculou-se no curso de engenharia civil. Não existe consenso historiográfico se ele teria se formado antes de iniciar o curso de medicina, quando ainda estava no terceiro ano do primeiro curso. Formou-se pela Faculdade de Medicina do Rio de JaneiroBreve e fraca biografia: http://www.fazenda.gov.br/portugues/institucional/ministros/rep010.asp,acesso em 6 de outubro de 2011. e especializou-se em homeopatia Foi também professor catedrático da Escola Politécnica e presidente do Instituto Hahnemanniano do Brasil. Após tornar-se político, conseguiu introduzir a prática da homeopatia nos serviços médicos da Marinha e do Exército.

Senador: Primeiro Mandato (1890-1896) Murtinho foi eleito senador da República em 1890. Em 1897 fez parte do governo Prudente de Morais como ministro da Viação, Indústria e Comércio.

Ministério da Fazenda Como ministro da Fazenda do governo Campos Sales, Murtinho tinha a difícil missão de organizar as finanças públicas e administrar os grandes desequilíbrios provocados pelas políticas desastradas de seu antecessor Rui Barbosa, que culminaram no encilhamento, e pela inação dos ministros-juristas que o sucederam. Suas primeiras medidas foram reduzir o meio circulante e articular o funding loan (1898).

thumb|Apólice de quando foi Ministro da Fazenda, 1902.

Com relação ao problema do café, nos conta Delfim Netto: "Murtinho acreditava que a solução do problema deveria ser encontrada pelo próprio mercado, que se encarregaria de eliminar os produtores marginais. É ele próprio que nos diz, no Relatório do Ministério da Fazenda de 1899:O Relatório pode ser consultado em http://brazil.crl.edu/bsd/bsd/u1753/index.html. Acesso em 6 de outubro de 2011. "Convicto de que a intervenção oficial só poderia aumentar os nossos males, o governo deixou que a produção de café se reduzisse por seleção natural, determinando-se assim a liquidação e a eliminação dos que não tinham condições de vida, ficando ela nas mãos dos mais fortes e dos mais organizados para a luta".Delfim Netto, Antonio. O Problema do Café no Brasil. São Paulo: Editora UNESP, 2009. página 45.

Senador: Segundo e terceiro mandatos (1903-1911) Murtinho reelegeu-se para o Senado em 1903 e também em 1907.

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