Extrema-direita ou ultradireita, também chamada de política de extrema-direita ou extremismo de direita, é a política mais à direita do espectro político de esquerda-direita do que a direita padrão, particularmente em termos de ideologias e tendências ultraconservadoras, autoritárias, nacionalistas extremas, anticomunistas e nativistas.Other names:

Nationalism:

Anti-communism: Nativism and authoritarianism:

Historicamente utilizada para descrever as experiências do fascismo e do nazifascismo, hoje a política de extrema-direita inclui o neofascismo, o neonazismo, a terceira posição, a direita alternativa, a supremacia branca, o nacionalismo branco e outras ideologias ou organizações que apresentam aspectos de visões ultranacionalistas, chauvinistas, xenófobas, teocráticas, racistas, homofóbicas, transfóbicas, ou reacionárias.Fascism and Nazism:

alt-right, white supremacy: Ultranationalist, racist, homophobic, xenophobic etc:

A política de extrema-direita pode levar à opressão, violência política, assimilação forçada, limpeza étnica e mesmo genocídio contra grupos de pessoas com base na sua suposta inferioridade, ou na sua percepção de ameaça ao grupo étnico nativo, nação, estado, religião nacional, cultura dominante, ou instituições sociais tradicionais ultraconservadoras.Ethnic persecution, forced assimilation, cleansing, etc.:

Traditional social institutions:

A extrema-direita tem muitas vezes como sinónimo a direita radical, com a qual partilha os mesmos discursos e termo que, pela sua ambiguidade, serve de ponte entre a direita tradicional e a extrema-direita.

Visão geral

Conceito e visão do mundo

O núcleo da visão do mundo da extrema-direita é o organicismo, a ideia de que a sociedade funciona como um ser vivo completo, organizado e homogéneo. Adaptado à comunidade que desejam constituir ou reconstituir (seja com base na etnicidade, nacionalidade, religião ou raça), o conceito leva-os a rejeitar qualquer forma de universalismo em favor da autofilia e da alterofobia, ou por outras palavras, a idealização de um "nós" excluindo um "eles". A extrema-direita tende a absolutizar as diferenças entre nações, raças, indivíduos ou culturas, uma vez que estas perturbam os seus esforços em direcção ao sonho utópico da sociedade "fechada" e naturalmente organizada, entendida como a condição para assegurar o renascimento de uma comunidade finalmente reconectada com a sua natureza quase eterna e restabelecida sobre bases metafísicas firmes.

Ao verem a sua comunidade num estado de decadência facilitado pelas elites governantes, os membros de extrema-direita apresentam-se como uma elite natural, sã e alternativa, com a missão redentora de salvar a sociedade da sua prometida desgraça. Rejeitam tanto o seu sistema político nacional como a ordem geopolítica global (incluindo as suas instituições e valores, por exemplo, o liberalismo político e o humanismo igualitário) que são apresentados como necessitando de ser abandonados ou expurgados das suas impurezas, para que a "comunidade redentora" possa eventualmente deixar a actual fase de crise liminar para inaugurar a nova era. A própria comunidade é idealizada através de grandes figuras arquetípicas (a Idade de Ouro, o salvador, a decadência e as teorias da conspiração global), pois elas glorificam valores irracionalistas e não-materialistas como a juventude ou o culto dos mortos.

O cientista político Cas Mudde argumenta que a extrema-direita pode ser vista como uma combinação de quatro conceitos amplamente definidos, nomeadamente exclusivismo (por exemplo, racismo, xenofobia, etnocentrismo, etnopluralismo, chauvinismo, ou chauvinismo do bem-estar social), traços anti-democráticos e não-individualistas (e. por exemplo, culto à personalidade, hierarquização, monismo, populismo, antipartidarismo, uma visão organicista do Estado), um sistema de valores tradicionalista que lamenta o desaparecimento de quadros históricos de referência (e. g. lei e ordem, a família, a comunidade e nação étnica, linguística e religiosa, bem como o ambiente natural) e um programa socioeconómico que associa corporativismo, controlo estatal de certos sectores, agrarianismo e um grau variável de crença no livre jogo das forças de mercado socialmente darwinistas. Mudde propõe então uma subdivisão da nebulosa de extrema-direita em inclinações moderadas e radicais, de acordo com o seu grau de exclusivismo e essencialismo.Mudde, Cas. "The Extreme Right Party Family: An Ideological Approach" (PhD diss., Universidade de Leiden, 1998).

Definição e análise comparativa A Enciclopédia da Política: A Esquerda e a Direita afirma que a política de extrema-direita inclui "pessoas ou grupos que defendem opiniões extremas nacionalistas, xenófobas, racistas, fundamentalistas religiosas, ou outras opiniões reacionárias". Embora o termo extrema-direita seja tipicamente aplicado a fascistas e neonazis, também tem sido utilizado para se referir àqueles à direita da política de direita.

Segundo o cientista político Lubomír Kopeček, "[a] melhor definição funcional da extrema-direita contemporânea pode ser a combinação de quatro elementos de nacionalismo, xenofobia, lei e ordem, e chauvinismo do bem-estar social proposto para o ambiente da Europa Ocidental por Cas Mudde". Confiando nesses conceitos, a política de extrema-direita inclui ainda não se limita a aspectos de autoritarismo, anticomunismo e nativismo.Hilliard, Robert L. and Michael C. Keith, Waves of Rancor: Tuning in the Radical Right (Armonk, New York: M.E. Sharpe 1999, p. 43. As reivindicações de que as pessoas superiores deveriam ter mais direitos do que as pessoas inferiores são frequentemente associadas à extrema-direita, uma vez que historicamente favoreceram uma hierarquia social darwinista ou elitista baseada na crença na legitimidade do governo de uma suposta minoria superior sobre as massas inferiores. Relativamente à dimensão sociocultural da nacionalidade, cultura e migração, uma posição de extrema-direita é a de que certos grupos étnicos, raciais ou religiosos devem permanecer separados, com base na crença de que os interesses do seu próprio grupo devem ser priorizados.Widfeldt, Anders, "A fourth phase of the extreme right? Nordic immigration-critical parties in a comparative context". In: NORDEUROPAforum (2010:1/2), 7–31, Edoc.hu

Segundo Kopeček, ao comparar a extrema-direita da Europa Ocidental e da Europa Central pós-Comunista, "[a] extrema-direita da Europa Central foi também tipificada por um forte anticomunismo, muito mais marcadamente do que na Europa Ocidental", permitindo "uma classificação ideológica básica dentro de uma família partidária unificada, apesar da heterogeneidade dos partidos de extrema-direita". Kopeček conclui que uma comparação dos partidos de extrema-direita da Europa Central com os da Europa Ocidental mostra que "estes quatro elementos estão presentes também na Europa Central, embora de uma forma algo modificada, apesar das diferentes influências políticas, económicas e sociais".

No ambiente americano e mais geral anglo-saxónico, o termo mais comum é direita radical. Kopeček escreve que "tem um significado muito mais amplo e diferente do que no ambiente alemão. É influenciado pela tradição mais antiga do nativismo americano (sentimento anti-imigração), populismo, e hostilidade ao governo central combinado com ultranacionalismo, anticomunismo, fundamentalismo cristão, e orientação militarista". Jodi Dean defende que "a ascensão do anticomunismo de extrema-direita em muitas partes do mundo" deve ser interpretada "como uma política de medo, que utiliza o desinteresse e a raiva gerados pelo capitalismo. [...] Os partidários das organizações de extrema-direita, por sua vez, usam o anticomunismo para desafiar todas as correntes políticas que não estão inseridas numa agenda nacionalista e racista claramente exposta. Para eles, tanto a União Soviética como a União Europeia, liberais de esquerda, ecologistas e corporações supranacionais — todos estes podem ser chamados de 'comunistas' em nome da sua conveniência".

Debates modernos

Terminologia Segundo Jean-Yves Camus e Nicolas Lebourg, as ambiguidades modernas na definição da política de extrema-direita residem no facto de o conceito ser geralmente utilizado pelos adversários políticos para "desqualificar e estigmatizar todas as formas de nacionalismo partidário, reduzindo-as às experiências históricas do fascismo italiano [e] do nazismo alemão".; agrees and notes that "the term is not only used for scientific purposes but also for political purposes. Several authors define right-wing extremism as a sort of anti-thesis against their own beliefs [...]." Embora a existência de uma tal posição política seja amplamente aceite entre os estudiosos, figuras associadas à extrema-direita raramente aceitam esta denominação, preferindo termos como "movimento nacional" ou "direita nacional". Há também debate sobre o quão apropriados são os rótulos neofascistas ou neonazis. Nas palavras de Mudde, "os rótulos Neo-Nazi e, em menor medida, Neo-Fascismo são agora utilizados exclusivamente para partidos e grupos que declaram explicitamente um desejo de restaurar o Terceiro Reich ou citam o nacional-socialismo histórico como a sua influência ideológica".

Uma questão é se os partidos devem ser rotulados como radicais ou extremos, uma distinção que é feita pelo Tribunal Constitucional Federal da Alemanha ao determinar se um partido deve ou não ser banido. Um partido extremista opõe-se à democracia liberal e à ordem constitucional, enquanto um partido radical aceita eleições livres e o parlamento como estruturas legítimas. Após uma pesquisa da literatura académica, Mudde concluiu em 2002 que os termos "extremismo de direita", "populismo de direita", "populismo nacional", ou "neopopulismo" eram frequentemente utilizados como sinónimos por estudiosos, em qualquer caso com "semelhanças impressionantes", exceto nomeadamente entre alguns autores que estudam a tradição teórica extremista. O rótulo "direita radical" é também utilizado na tradição americana, embora tenha um significado mais amplo na direita radical dos Estados Unidos do que a direita radical da Europa.

Com a recessão democrática global identificada por órgãos como a Freedom House, a extrema-direita voltou a ascender no planeta no século XXI. Isso ressuscitou a discussão de Mudde sobre os conceitos que estão abrigados dentro deste espectro político. Neste sentido, a ideia de fascismo retornou à ordem do dia, gerando intenso debate acadêmico sobre sua aplicabilidade no contexto contemporâneo.

Relação com a política de direita Outra questão é o que o rótulo "direita" implica quando é aplicado à extrema-direita, dado que muitos partidos que eram originalmente rotulados como extremistas de direita tendiam a avançar com as agendas neoliberais e de mercado livre já nos anos 1980, mas agora defendem políticas económicas que estão mais tradicionalmente associadas à esquerda, como a anti-globalização, nacionalização e protecionismo. Uma abordagem, com base nos escritos de Norberto Bobbio, argumenta que são as atitudes em relação à igualdade que distinguem a esquerda da direita e permitem que estes partidos se posicionem à direita do espectro político.Bobbio, Norberto (1997). Left and Right: The Significance of a Political Distinction. Translated by Cameron, Allan. University of Chicago Press. .