A União Brasileira dos Estudantes Secundaristas (UBES) é uma entidade que reúne e representa estudantes de instituições de ensino fundamental, médio, técnico e pré-universitário do Brasil, fundada em 25 de julho de 1948 na Praia do Flamengo, Rio de Janeiro. O objetivo da UBES é a defesa da educação pública gratuita, de qualidade e laica, com protagonismo da juventude. Em 2021, lançou a campanha nacional "Vida, Pão, Vacina e Educação"
A gestão da UBES é eleita periodicamente no Congresso da UBES (Conubes), que teve sua 44º edição em 2022. A atuação cotidiana da UBES se dá em parceria com Grêmios Estudantis, entidades secundaristas municipais, estaduais e regionais, além da participação em conselhos, audiências públicas e atividades da Frente Parlamentar Mista da Educação. https://www.politize.com.br/ubes-o-que-e/
Ao longo de mais de 70 anos, a entidade secundarista participa ativamente da vida política do país, tendo resistido à Ditadura militar brasileira, quando foi perseguida e posta à ilegalidade , protagonizado o movimento dos Caras-pintadas nos anos 1990 e a Mobilização estudantil no Brasil em 2016 conhecida como Primavera Secundarista.
Na história da UBES se destacam lutas para o ensino público e para a democracia, como o voto facultativo aos 16 anos , a reserva de vagas nas universidades federais, o Plano Nacional de Educação https://ubes.org.br/memoria/conquistas/ e o Fundeb permanente https://ubes.org.br/2020/revolucao-na-educacao-senado-aprova-novo-fundeb-em-dia-historico/, além da histórica luta pelo passe-estudantil https://ubes.org.br/memoria/conquistas/#passe-livre e pela meia-entrada em atividades culturais, esportivas e sociais.
História Anos 1940 - 1960: Origens Desde as décadas de 1930 e 1940, os estudantes secundaristas já se organizavam em diversas regiões para debater e transformar a educação no Brasil. A maioria desses grupos surgia dentro das instituições, nos grêmios estudantis dos antigos colégios estaduais, os chamados liceus. Era preciso que o movimento se organizasse em uma só entidade, para fortalecer a representação e a luta estudantil, e assim surgiu a UBES, em 25 de julho de 1948, mesma data em que oficializou-se a colaboração mutua com a UNE.
A UBES, superando a turbulência política da época, cresceu e expandiu suas bandeiras. No início da década de 1960, durante os governos Jânio Quadros e João Goulart, os estudantes passaram a integrar a Frente de Mobilização Popular, que envolvia outros importantes movimentos sociais brasileiros da época.
Anos 1960 - 70: Resistência à Ditadura Militar Com a chegada dos militares ao poder, através de um golpe de estado em 1964, muitos de seus dirigentes e militantes foram perseguidos e exilados e a entidade ficou com sua organização debilitada, sendo extinta entre 1969 e 1980. Neste período, os estudantes secundaristas continuaram a se organizar, mas diretamente nas instituições.
Edson Luís Em 1968, uma manifestação no Rio de Janeiro contra o fim de um restaurante popular resultou no assassinato do estudante paraense Edson Luís de Lima Souto, de 18 anos, que virou símbolo da resistência contra a ditadura militar.
Anos 1970- 1980: Reconstrução e "Diretas Já" A reconstrução da entidade veio a partir de 1977. Algumas entidades de base conseguiram fortalecer-se nos chamados centros cívicos de algumas cidades e começaram a reaparecer alguns grêmios e um movimento nacional pelo renascimento da UBES. A consolidação aconteceu no ano de 1981, em Curitiba. Numa situação precária e sem recursos, os estudantes iniciaram os debates.
Em 1984, a UBES participou ativamente da campanha Diretas Já e apoiou a eleição de Tancredo Neves. O então presidente da entidade, Apolinário Rebelo foi o primeiro a discursar no famoso Comício da Candelária que reuniu um milhão de pessoas. Os estudantes pintaram o rosto de verde e amarelo e foram para as ruas exigir a democracia de volta no país. Durante a Assembleia Nacional Constituinte de 1987, secundaristas da UBES reivindicaram e conquistaram o direito ao voto facultativo a partir de 16 anos http://memorialdademocracia.com.br/card/jovens-de-16-ganham-direito-de-votar, dando início a campanha "Se Liga, 16", para que jovens nessa faixa etária tirassem o título de eleitor .
Anos 1980-1990: Retomada democrática e Caras-Pintadas Após anos de intensas mobilizações dos estudantes pela reconstrução dos grêmios estudantis e das entidades estaduais de estudantes (AMES, UMES, etc.), o 28° Congresso da UBES, realizado em 1989, representou o grande momento da reconstrução do movimento estudantil secundarista. Com o lema "Unidade para Lutar", a diretoria da UBES conclamou os estudantes a lançaram-se às ruas de todo o país, em grandes passeatas, pela conquista do passe livre nos transportes, da meia-entrada no cinema e da garantia de educação pública gratuita e de qualidade para todos na Lei de Diretrizes e Bases (LDB) da educação brasileira. Sob a liderança unificada e combativa da UBES, estudantes secundaristas organizaram, nas principais cidades do país, dezenas de grandes passeatas, que marcaram o retorno dos estudantes ao centro da vida política nacional. Essas passeatas, alegres e coloridas, culminaram com a obtenção de importantes vitórias, como a aprovação do passe livre no Rio de Janeiro e da meia-entrada nos cinemas e teatros em diversas capitais do Brasil. Organizados em associações municipais de estudantes em todas as capitais, os estudantes retornavam, com toda força, ao cenário político nacional e preparavam o caminho para seu próximo grande ato: o impeachment do presidente Fernando Collor de Mello.
"Fora Collor" Pouco tempo depois, em 1992, ainda em fase de reestruturação, a UBES protagonizou o movimento que ficou conhecido como o Fora Collor, com participação de vários seguimentos da sociedade. Os secundaristas eram maioria nas manifestações que ocorriam por todo país e que terminaram vitoriosas, com o impeachment do presidente.
Anos 1990 - 2000: Contra neoliberalismo e pelos avanços na Educação O forte posicionamento dos secundaristas foi marca registrada nas gestões ocorridas durante o governo FHC, de 1994 a 2002, quando os estudantes defenderam a manutenção do ensino público de qualidade, o passe livre nos transportes e o fim de política consideradas neoliberais na educação. Era um tempo de agenda política de resistência às reformas neoliberais, em que os movimentos sociais, considerando-se marginalizados pelos meios de comunicação, se diziam forçados a apenas garantir os direitos já conquistados. Muitos foram os episódios em que os estudantes foram às ruas para lutar em defesa de direitos adquiridos e a resposta do governo e das demais instituições foi truculenta.
Desde o início do governo Lula, aproximou-se do governo federal defendendo mudanças na política econômica além de mais recursos para a educação e a cultura, e buscou manter uma postura de independência, criticando algumas alas do governo, e buscando o avanço da luta dos estudantes brasileiros.
Nesse período, de maior diálogo com o Planalto, a UBES conseguiu apoio para a aprovação da reserva de vagas nas universidades públicas para estudantes oriundos de instituições de ensino públicas, a obrigatoriedade do ensino de filosofia e sociologia no ensino médio, conquista de meio-passe e passe-livre em diversas cidades, aprovação do Fundeb.
Anos 2010: Primavera Secundarista A partir do ano de 2010, a UBES imergiu totalmente na luta pela aprovação do Plano Nacional de Educação e pelos investimentos de 10% do PIB nesse setor, que foram conquistados pela Lei 13.005/14.
Entre 2016 e 2017, a UBES esteve na dianteira do movimento de ocupações de escolas (Mobilização estudantil no Brasil em 2016) conhecido como Primavera Secundarista, em que estudantes protestavam contra o contingenciamento estabelecido pela Emenda Constitucional do Teto dos Gastos Públicos. O movimento também contestava o processo de impeachment de Dilma Rousseff e outras reformas que vieram na esteira, principalmente a Reforma do ensino médio no Brasil em 2017, além das reformas trabalhista e da Previdência.
Anos 2020: “Vida, pão, vacina e educação” Os Protestos estudantis no Brasil em 2019, convocados pela UBES em parceria com a União Nacional dos Estudantes, marcaram o primeiro ano do governo do presidente Jair Bolsonaro. Estudantes saíam em defesa do ensino público, principalmente da Rede Federal de Educação Profissional, Científica e Tecnológica e Universidades Federais, após o então ministro da Educação Abraham Weintraub ter anunciado cortes de verba sob justificativa de que estas instituições promoviam “balbúrdia”. https://novaescola.org.br/conteudo/17319/protestos-contra-cortes-na-educacao-acontecem-em-todo-pais
“Vida, pão, vacina e educação” foi a defesa da UBES ao longo de 2020 e 2021 durante Pandemia de COVID-19 no Brasil e negligência do governo federal de Jair Bolsonaro para lidar com as crises sanitária e social . Secundaristas reivindicaram garantia dos cuidados recomendados pela Organização Mundial da Saúde, agilidade na vacinação, com prioridade dos profissionais das escolas, e garantia do direito à educação, contra evasão escolar e por ampliação da conectividade. .
Como resultado da pressão dos estudantes e do setor da Educação, foram conquistadas a aprovação do novo e permanente Fundo de Manutenção e Desenvolvimento da Educação Básica e a Lei 14.172 para distribuição de chips de internet a estudantes e professores das redes públicas .
Nesse período, a UBES reivindicou o acesso à educação durante a pandemia. O documento foi recusado pelo Ministério da Educação, que não aceitou se reunir com a entidade.
Com a pandemia, a UBES cobrou autoridades e demonstrou responsabilidade sanitária, inclusive não realizando de forma presencial seu 43º Congresso, que aconteceria em maio de 2020.
A UBES denunciou ainda o desmonte no Exame Nacional do Ensino Médio , que teve que teve recorde de abstenções em 2020. https://extra.globo.com/noticias/educacao/enem-2020-nas-redes-sociais-alunos-pedem-adiamento-do-exame-com-medo-da-covid-19-24823114.html
Em 2021, diante do menor número de inscritos na década no Enem , sendo o exame o principal acesso à universidade no país, a UBES criou a campanha “Menos Um Sufoco” para auxiliar secundaristas que não podiam pagar a taxa de inscrição. A entidade ainda agiu judicialmente para ampliar o acesso ao Enem, conseguindo garantir o direito à isenção aos faltantes da edição anterior do exame, devido à pandemia. .
Congressos da UBES 28º Congresso - 1989