Joan Woodward (1916-1971), foi uma socióloga industrial inglesa pioneira em pesquisas sobre a relação entre tecnologia e estrutura organizacional. Woodward ganhou fama ao investigar se os princípios de administração propostos pelas teorias administrativas se relacionavam com o êxito do negócio quando colocados em prática. Sua carreira centrou no Imperial College London, onde atuou até a sua morte, e também como consultora do setor público do Governo Britânico.
Pesquisas As pesquisas de Joan incluem: Produção unitária ou oficina – a produção é feita por unidades ou pequenas quantidades, cada produto a seu tempo sendo modificado à medida que é feito. Os trabalhadores utilizam uma variedade de instrumentos e ferramentas. O processo produtivo é menos padronizado e menos automatizado. É o caso da produção de navios, geradores e motores de grande porte, aviões comerciais, locomotivas e confecções sob medida. Produção em massa ou mecanizada – a produção é feita em grande quantidade. Os operários trabalham em linha de montagem ou operando máquinas que podem desempenhar uma ou mais operações sobre o produto. É o caso da produção que requer máquinas operadas pelo homem e linhas de produção ou montagem padronizadas, como as empresas montadoras de automóveis. Produção em processo ou automatizada – produção em processamento contínuo em que um ou poucos operários monitorizam um processo total ou parcialmente automático de produção. A participação humana é mínima. É o caso do processo de produção empregado nas refinarias de petróleo, produção química ou petroquímica, siderúrgica, etc.
Os três tipos de tecnologia – produção unitária, massiva e em processamento contínuo – envolvem diferentes abordagens na manufatura dos produtos. Woodward verificou que a tecnologia extrapola a produção e influencia toda a organização empresarial.
Atuação e Legado A página do Imperial Business School (escola de Administração e Negócios do Imperial College London) aporta algumas informações sobre Woodward. A socióloga ingressou na instituição em 1958, na seção de Engenharia e Gestão de Produção. Em 1969, tornou-se a segunda mulher a ocupar uma cátedra na instituição, quando assumiu a disciplina de Sociologia Industrial. A partir dos estudos ali realizados, Woodward demonstrou que organizações bem-sucedidas alinhavam suas estruturas com o tipo de tecnologia que utilizavam - um conceito revolucionário para a épica e que continua fundamental para a teoria organizacional até hoje.
A principal contribuição de Woodward no campo das organizações foi para a Teoria da Contingência. Como uma resposta crítica às soluções universais à organização empresarial, seu enfoque sustenta que não existe uma única forma de organização, mas que a estrutura e o comportamento organizacional dependem de variáveis cambiantes como a tecnologia, o entorno, o tamanho da organização. Ou seja, esta é uma das bases da gestão moderna, da liderança organizacional e dos enfoques ágeis.
A partir de sua obra empírica, iniciada nos anos 1950, Woodward queria demonstrar se as empresas que seguiam os princípios clássicos de gestão, como o fordista e o taylorista, possuíam mais êxito do que aquelas que não seguiam. De acordo com Hinnings et all (2019), seu trabalho de campo incluiu a participação de 91% das empresas manufatureiras do sul de Essex em uma pesquisa que abordou fatores determinantes como níveis de autoridade, etapas de controle e proporção de trabalhadores diretos e indiretos. Em primeira instância, Woodward descobriu uma relação direta entre a tecnologia empregada por uma empresa em seus processos produtivos e seu desenho organizacional, e a partir dos dados pode classificar as empresas em função da complexidade técnica de produção. O resultado preliminar foi que a estrutura organizacional depende das tecnologias de produção empregadas pelas empresas.
Em suma, suas pesquisas tiveram como resultado a compreensão de não existe uma única forma de organizar uma empresa. Em lugar disso, as tecnologias de produção em grandes lotes ou em massa se apresentam, por exemplo, em forte associação com estruturas mais burocráticas, hierarquizadas e formais, enquanto as tecnologias de produção unitária e de pequenos lotes possuem estruturas mais flexíveis e adaptativas. Woodward assinalou, também, que as normativas aumentam a eficiência apenas em alguns contextos, como no caso da produção mecanizada, mas não em outros tipos de produção - o que questiona a ideia clássica então vigente sobre gestão de organizações.
O reconhecimento global dos seus estudos pode ser mensurado a partir de duas ações. A primeira, o convite, em 1960, para integrar uma célebre conferência em Cape Cod, nos quais tomou parte como a única mulher entre um seleto grupo de teóricos das organizações.
A segunda, de parte da instituição em que trabalhou até a sua morte precoce aos 54 anos: a Imperial Busness School mantém uma palestra memorial anual que leva seu nome - The Joan Woodwrad Lecture Series - bem como prêmios estudantis em homenagem à estudiosa respeitada e mentora inspiradora que foi a seus colegas e alunos.
Embora sua atuação não tenha se centrado na discussão ou defesa dos direitos das mulheres, sua carreira serviu de modelo e de inspiração para muitas estudantes e pesquisadoras que a seguiram, dado seu pioneirismo na crítica das teorias clássicas das organizações, ou ainda, porque realmente haviam poucas mulheres em altos postos acadêmicos e científicos.
Conclusões Conclusões de Woodward são as seguintes O desenho organizacional é afetado pela tecnologia usada pela organização: as firmas de produção em massa bem-sucedidas tendiam a ser organizada em linhas clássicas, com deveres e responsabilidades claramente definidos, unidade de comando, clara distinção entre linhas e staff e estreita amplitude de controle (5 a 6 subordinados para cada executivo). Na tecnologia de produção em massa, a forma burocrática de organização mostra-se associada ao sucesso. Porém, nos outros tipos de tecnologias – produção unitária e produção contínua – a forma organizacional mais viável nada tem a ver com os princípios clássicos. Há uma forte correlação entre estrutura organizacional e previsibilidade das técnicas de produção – a previsão de resultados é alta para a produção por processamento contínuo e baixa para a produção unitária (oficina). A previsibilidade dos resultados afeta o número de níveis hierárquicos da organização, fazendo com que haja forte correlação entre ambas as variáveis: quanto menos à previsibilidade dos resultados, tanto menos a necessidade de aumentar os níveis hierárquicos, e quanto maior a previsibilidade, tanto maior o número de níveis hierárquicos da organização. As empresas com operações estáveis necessitam de estruturas diferentes das organizações com tecnologia mutável – Organizações estruturadas e burocráticas com um sistema mecanístico de administração são mais apropriadas para operações estáveis, enquanto a organização inovativa com tecnologia mutável requer um sistema "orgânico" e adaptativo. Há um predomínio das funções na empresa – a importância de cada função, como vendas, produção e engenharia (ou Pesquisa e Desenvolvimento – P&D) na empresa depende da tecnologia utilizada.
Essas quatro pesquisas revelam a dependência da organização em relação ao seu ambiente e à tecnologia adotada. As características da organização não dependem dela própria, mas das circunstâncias ambientais e da tecnologia que ela utiliza. A Teoria da Contingência mostra que as características da organização são variáveis dependentes e contingentes em relação ao ambiente e à tecnologia. Isto explica a importância do estudo do ambiente e da tecnologia empregada pela organização.
A hipótese básica da teoria de Woodward é que as empresas que mais se aproximam da estrutura adequada para suas tecnologias, deveriam ser as de maior sucesso. O sucesso é função de uma adequada adaptação tecnologia-estrutura, que pode ser conscientemente planejada para se tornar produção de grande quantidade e em massa, o que pode ocorrer de modo espontâneo em muitos casos.
Woodward, Joan