António dos Santos Caio Castanheira (Socorro, Lisboa, 14 de Março de 1919 – Lisboa, 18 de Setembro de 1993) foi um fadista português, conhecido simplesmente por António dos Santos.
miniaturadaimagem|Museu do Fado com o espólio do artista (entrada)
Biografia «Alfacinha de gema» (nasce no Hospital de São José em Lisboa), sendo natural da freguesia do Socorro. Era filho de Joaquim Caio Castanheira e de Gertrudes Ana dos Santos, doméstica, natural de Loures (freguesia de Fanhões), residente na Travessa de S. João da Praça, embora dos registos oficiais não conste o nome do pai.
Como familiares próximos contou com o irmão e o meu-irmão, com quem fora criado junto de sua mãe e avó, sendo que seu pai junta-se novamente à companheira após 20 anos, casando-se; e sua filha mais velha. Sua família doa parte do espólio do artista ao Museu do Fado, localizado no carismático Bairro de Alfama. Museu do Fado (2009). Personalidades. António dos Santos. Fevereiro 2009. Publicado em: http://www.museudofado.pt/personalidades/detalhes.php?id=268&sep=0
Vive grande parte de sua vida na capital de Portugal, primeiro na R. 20 de Abril 41, 3.º Dto, atual Rua de S. Lázaro, com sua família. Ainda amador e adolescente (15 anos) canta em vários espaços. Quando atinge os 18 anos profissionaliza-se, sendo que o cartão artístico data de 05-03-1938, dois dias após estrear-se no "Café Mondego" e adotando o nome artístico de António dos Santos, tal como refere a antologia do fadista nos media. --- (sd). Antologia Fadista. Jornal 1938. Lisboa. Publicado em: http://fadocravo.blogspot.com/2008/10/antnio-dos-santos-minha-alma-de-amor.html Em 1944, torna-se marinheiro com funções de auxiliar de enfermagem e maqueiro, na Marinha Mercante Nacional - companhias Blue Star Line e Mala Real Inglesa Ferreira, A.J.(2013). Celebrando António dos Santos. A nossa Rádio. 18 Setembro 2013. Publicado em: http://nossaradio.blogspot.com/2013/09/celebrando-antonio-dos-santos.html in “Enciclopédia da Música em Portugal no Século XX” (Direção Salwa Castelo-Branco, 2ºVol, C-L, Temas e Debates, Círculo de Leitores, 1ªEd, fevereiro 2010, P.333) (com inscrição na caixa de previdência da marinha a 10-07-1951) para fazer face a despesas familiares, chegando a estar embarcado dois anos (vivendo nos EUA), entre outras longínquas viagens realizadas, mas nunca deixando de cantar. Museu do Fado (2009). Personalidades. António dos Santos. Fevereiro 2009. Publicado em: http://www.museudofado.pt/personalidades/detalhes.php?id=268&sep=0 in Guitarra de Portugal (1945). -----. Jornal Guitarra de Portugal. Dia 15-09-1945. Lisboa: Jornal Guitarra de Portugal. miniaturadaimagem|Antologia do Fadista em Jornal (Foto da época)--- (sd). Antologia Fadista. Jornal 1938. Lisboa. Publicado em: http://fadocravo.blogspot.com/2008/10/antnio-dos-santos-minha-alma-de-amor.html
A 12 de agosto de 1944, casou civilmente em Lisboa com Julieta Rebelo Martins (Monte Pedral, Lisboa, 1926), doméstica, filha do estivador António Martins, natural de Aveiro (freguesia de Vera Cruz), e da açoriana Maria Isabel Rebelo, doméstica, natural da ilha de São Miguel. António dos Santos vivia à data na Rua da Bela Vista à Graça. Deste casamento nasceram cinco filhos: dois batizados com o nome dos progenitores, como era costume da época, e Ana, Gi e Manuel.
Vive em Alfama, alguns anos na Tv. S. João da Praça, para depois se fixar no Beco da Bicha 9, 1º. Durante os primeiros tempos, e apadrinhado pelo fadista humorístico Joaquim dos Anjos Cordeiro (1903, Lisboa - 1983, Faro), Joaquim Cordeiro. Publicado em: https://ruascomhistoria.wordpress.com/2015/11/05/joaquim-cordeiro-fadista-humorista-e-benemerito-na-toponimia-de-lisboa-3/ envereda também ele pelo estilo humorístico (Fado Jocoso) e de que resulta o primeiro EP, "Um Congresso de Gatos" (1959). É ainda na década de 50 que abre o seu restaurante, onde canta e toca viola para os seus clientes - o "Solar" do António dos Santos, no Beco do Azinhal 7. Por incentivo do técnico de som Hugo Ribeiro, grava o EP "Alfama-Lisboa" (1964). As baladas caracterizam-no nas duas primeiras décadas de carreira, ficando conhecido como o «Baladeiro de Alfama», sobretudo após participar no Programa Zip-Zip (RTP, 1969), face ao seu estilo ímpar (inconfundível intérprete de fados-baladas) e viver no designado bairro. Mais tarde tenta uma outra vertente, aproximando-se da Balada de Coimbra, mas com menos impacte nos media, tendo menos divulgação. É igualmente guitarrista, autor de letras e compositor musical de suas próprias canções e de outras personalidades. Conta com 56 registos na Sociedade Portuguesa de Autores. Carlos do Carmo, Maria Leopoldina Guia, Hélder Moutinho e Marco Oliveira gravaram temas seus. A “Minha Alma de Amor Sedenta” pode ser escutada nas vozes de fadistas como Beatriz da Conceição ("Canta Lisboa", 1979),Discogs (2019). Beatriz da Conceição. Publicado em: https://www.discogs.com/Beatriz-Da-Concei%C3%A7%C3%A3o-Canta-Lisboa/release/5959689 Mísia (Álbum "Paixões Diagonais", 1999Site oficial Mísia (1999). News. Publicado em: http://www.misia-online.com/official/uk/index.html), Raquel Tavares (incluída no repertório da Tour 2014 e no concerto de 2016, no Centro Cultural de Belém Lavrador, R. (2016). Raquel Tavares: A princesa do Fado voltou! E com que força… Infocul. Concertos. Cultura. 21 Maio 2016. Publicado em: https://infocul.pt/cultura/raquel-tavares-a-princesa-do-fado-voltou-e-com-que-forca/) e outros artistas, que se revém neste completo, ainda assim humilde, Baladeiro de Lisboa com tom de voz único, nostálgico e dolente, um talento intemporal.
miniaturadaimagem|Localização do "Solar" de António dos Santos, em Alfama miniaturadaimagem| O antigo "Solar" foi vendido ao ainda atual proprietário, que o restaurou (cozinha, garrafeira) e ampliou (zona de mesas) mais tarde, a partir duma casa que era alugada a estivadores
Locais onde cantou "Café Mondego", Lisboa (03-03-1938); "Retiro dos Marialvas" (1945); "Café Luso" (fins da década de 40), onde atuava com o fadista Joaquim Cordeiro - entre outros, atuava neste badalado espaço, o sobejamente conhecido cantor e ator Tony de Matos; Programa da RTP "Zip-Zip", gravado aos Sábados (transmissão em horário nobre às 2ªfeiras) no Teatro Vilarett e apresentado por Fialho Gouveia, Carlos Cruz e Raul Solnado, Lisboa (1969); Nau catrineta, Lisboa-Alfama (década 70); "Solar" do António dos Santos - vulgo "Cantinho do António" (década de 50 até 1976) no Beco do Azinhal, onde monta um restaurante com a esposa, cozinheira do espaço, igualmente casa de fados onde passam várias personalidades como Alfredo Marceneiro; Restaurante "Lautasco" (ex-Solar dos Santos) onde continuou a cantar apesar de vender o espaço em 1976, face este tipo de diversão noturna decrescer de procura com o 25 de Abril de 1974.
Discografia
ÁLBUNS Discogs (2019). António dos Santos. Publicado em: https://www.discogs.com/artist/1193256-Ant%C3%B3nio-Dos-Santos Título Editora Ano Código Saudade *(LP, Álbum) EMI 1972, EMI (1986, Editora Valentim de Carvalho, LP) 1972- 2609921 É Assim a Minha Alfama- António dos Santos, Conjunto de Guitarras de Jorge Fontes Roda/Vadeca 1977 >> Versão 1: É Assim a Minha Alfama - António dos Santos, Conjunto de Guitarras de Jorge Fontes Roda/Vadeca 1977 SLRL 8001 >> Versão 2: Fados & Baladas (LP, Álbum) Roda/Vadeca 1977 SLRL-8001 Minha Alma de Amor Sedenta * Columbia, Valentim de Carvalho (1972) >> Versão 1: Minha Alma de Amor Sedenta Edições Valentim de Carvalho 2003 5 82081 2 2 >> Versão 2: Minha Alma de Amor Sedenta Edições Valentim de Carvalho, Som Livre, Som e Imagens, Lda. 2007 VSL 1150 2 >> Versão 3: Minha Alma de Amor Sedenta Columbia, Valentim de Carvalho Desconhecida 8E 046 40121 Fado Angola - (vários cantores) António dos Santos, Alfredo Duarte Jr., Alfredo Marceneiro, Fernando Farinha (LP, Álbum) Odeon Desconhecida OLP 438
SINGLE E EPs
Título Editora Ano Código Um Congresso de Gatos (EP) Alvorada 1959 Alfama-Lisboa (EP) Columbia/Valentim de Carvalho 1964 Nostalgia de Alfama (7", EP) Columbia 1965 SLEM 2176 Minha Alma de Amor Sedenta Columbia 1966 (1972) >> Versão 1: Minha Alma de Amor Sedenta (7",EP) Columbia 1966 >> Versão 2: Minha Alma de Amor Sedenta (7", EP) Columbia Desconhecida Fado é Canto Peregrino (7") Columbia 1968 SLEM 2329 Penso Que Já Não Existes (EP) Philips/Phonogram 1971
COMPILAÇÕES Título Editora Ano Código O Melhor de António dos Santos * (CD) Editora Valentim de Carvalho 1992Essencial (CD) Valentim de CarvalhoEssencial"(Companhia Nacional de Música, CNM) 2014 CNM500706CD
LP "Saudade" * (1986) e "O Melhor de António dos Santos" * (1992), ambos EMI-Valentim de Carvalho, com o mesmo conteúdo do LP "Minha Alma de Amor Sedenta" * (1972) Ferreira, A.J.(2013). Celebrando António dos Santos. A nossa Rádio. 18 Setembro 2013. Publicado em: http://nossaradio.blogspot.com/2013/09/celebrando-antonio-dos-santos.html
Breves Excursões turísticas eram publicadas em brochuras pelo SNI (Secretariado Nacional de Informação) para os turistas conhecerem Alfama e as casas de fado - O «solar» recebia cerca de 20-30 turistas e tinha tapas e vinho preparados para esses eventos; No fado humorístico o fadista usava brejeirices e rimas à mistura; A maioria das líricas nas baladas retrata a vida do mar (referências: marujos, ondas, gaivotas, etc.), em Alfama, as mulheres, o amor, o fado destino e saudade, entre outros assuntos constantes na sua vida (e dos Portugueses); Fez o arranjo musical para as canções de grande êxito "Fado é Canto Peregrino", “Gaivotas em Terra” e “Partir é Morrer um Pouco” (poemas de Mascarenhas Barreto); Carlos do Carmo canta "Partir é Morrer um Pouco” no álbum “Canoas do Tejo”; Mísia (nome artístico de Susana de Aguiar) e Beatriz da Conceição interpretam "A minha Alma de Amor Sedenta" - música e interpretação de António dos Santos, lírica do fadista Alfredo Marceneiro; Compositor (música, letra), Intérprete, Músico (viola): "Fado Triste", "Ilusão Perdida", "Disseste-Me Adeus" (letra de Carlos Miguel de Araújo), "Ficas a Saber" (letra de Maria Alexandrina), "Recordando" (letra de António Veloso Reis Camelo); António dos Santos possui 56 registos na SPA, sendo maioritariamente composições musicais.
Canções mais conhecidas
Caraterísticas: Ferreira, A.J.(2013). Celebrando António dos Santos. A nossa Rádio. 18 Setembro 2013. Publicado em: http://nossaradio.blogspot.com/2013/09/celebrando-antonio-dos-santos.html Não Tarda a Neve: Poema: António Nobre, Música: António dos Santos, Intérprete: António dos Santos* (in EP "Penso Que Já Não Existes", Philips/Phonogram, 1971). * Francisco Carvalhinho – guitarra portuguesa, Pais da Silva e Martinho d'Assunção – violas José Maria Nóbrega – viola baixo. Produção – Phonogram, Gravado no Estúdio Nacional Filmes, Lisboa. É Assim a Minha Alfama: Letra: Alexandre Fontes, Música: Jorge Fontes, Intérprete: António dos Santos* (in LP "É Assim a Minha Alfama", Roda/Vadeca, 1977). * Conjunto de Jorge Fontes. Produção – Carlos Cunha, Técnico de som – Fernando Santos. Nostalgia de Alfama: Letra: António Veloso Reis Camelo, Música: António dos Santos, Intérprete: António dos Santos* (in EP "Nostalgia de Alfama", Columbia/VC, 1965; LP "Minha Alma de Amor Sedenta", Columbia/VC, 1972, reed. Valentim de Carvalho/Som Livre, 2007). * António Pessoa – viola. Técnico de som – Hugo Ribeiro, Remasterizado por Luís Delgado, nos Estúdios Tcha Tcha Tcha, Miraflores. Recordando: Letra: António Veloso Reis Camelo, Música: António dos Santos, Intérprete: António dos Santos* (in EP "Alfama-Lisboa", Columbia/VC, 1964; LP "Minha Alma de Amor Sedenta", Columbia/VC, 1972, reed. Valentim de Carvalho/Som Livre, 2007). *António Pessoa – viola.Técnico de som – Hugo Ribeiro, Remasterizado por Luís Delgado, nos Estúdios Tcha Tcha Tcha, Miraflores.