O constitui, com o homólogo contralateral, o quinto (V) par de nervos cranianos.

É assim chamado por possuir três ramos: o nervo oftálmico, o maxilar e o mandibular. É um nervo com função mista (motora e sensitiva), porém há o predomínio de função sensitiva. Controla, principalmente, a musculatura da mastigação e a sensibilidade facial.

A parte motora do trigêmeo é formada por fibras que pertencem ao ramo mandibular, assim inervando os músculos mastigadores (temporal, masseter, pterigoideo lateral e pterigoideo medial), além de emitir também ramos nervosos para os músculos: milo-hióideo e ventre anterior do músculo digástrico.

As fibras aferentes somáticas gerais conduzem impulsos exteroceptivos dos 2/3 anteriores da língua, dos dentes, da conjuntiva ocular, da pele da face, dura-máter craniana e da parte ectodérmica da mucosa da cavidade bucal, nariz e seios paranasais.

Origem aparente As duas raízes do V par têm origem aparente na face anterior (ântero-lateral) da ponte, no nível da união do terços inferiores e no limite com os pedúnculos cerebelares médios.

As raiz sensitiva é a mais lateral e volumosa das duas. Formada pela união de 40- a 50 filetes muitos delgados, apresenta um aspecto achatado e tem uma espessura de aproximadamente 5 mm.

A raiz motora, situada medialmente à precedente, distingue-se por ser menos espessa; compõe-se de 8 a 10 filetes que se fundem num tronco arredondado de 2 mm de espessura. Entre ambas as raízes intercala-se uma ponte de substância nervosa: a língula. Trajeto Logo após a origem, as duas raízes do nervo trigêmeo passam a ter direção súpero-anterior, atravessando, sucessivamente, as fossas posterior e média do crânio. A raiz sensitiva e a motora funde-se com o nervo mandibular.

A raiz motora, com situação inicial súpero-medial, à raiz sensitiva, cruza a seguir a face inferior desta última, indo situar-se lateralmente a ela, no nível da margem superior da parte petrosa do osso temporal.

As fibras superiores da raiz sensitiva giram para lateral e alcançam a ponte num nível inferior ao das fibras inferiores do gânglio.

O nervo trigêmeo é um dos pares de nervos cranianos que mais possuem ramificações durante todo o seu trajeto, desde sua origem no encéfalo até às suas ramificações finais.

O início do seu trajeto, está na sua origem do tronco trigeminal, que está na parte lateral da ponte, entre esta e o pedúnculo cerebelar médio, na fossa posterior do crânio. A partir daí, o nervo dirige-se para a borda superior da parte petrosa do osso temporal. O nervo penetra então um pequeno forame da dura-máter (lúnula de Albinus) passa pelo sulco trigeminal e penetra na fossa media do crânio, chegando ao gânglio trigeminal.

Após o gânglio trigeminal, o nervo trigêmeo apresenta os seus principais ramos, sendo eles: o ramo oftálmico (V1), que se localiza no terço superior da face, o ramo maxilar (V2), localizado no terço médio, e o ramo mandibular (V3) , que se situa no terço inferior.

A partir de suas emersões no crânio, o nervo, consequentemente, apresentará três trajetos básicos. Sendo que o ramo oftálmico irá emergir no crânio através da fissura orbital superior do osso esfenoide, o ramo maxilar emerge no forame redondo e o ramo mandibular no forame oval.

O ramo oftálmico tem seu trajeto iniciado antes mesmo de penetrar na orbita, emitindo um pequeno ramo denominado ramo meníngeo recorrente. Em seguida, ele dirige-se anteriormente, apoiado na parede lateral do seio cavernoso, e entra na órbita pela fissura orbital superior do osso esfenoide. A partir da sua emersão, irá dividir seu trajeto em três ramos principais: nervo lacrimal, nervo frontal e nervo nasociliar.

O ramo maxilar tem seu trajeto iniciado através de sua emersão no forame redondo, emitindo como seu primeiro ramo o meníngeo. Após emitir esse ramo, o ramo maxilar continua o seu trajeto em direção à fossa pterigoidea. Chegando a essa estrutura, ele emite o nervo zigomático, os ramos alveolares superiores posteriores e nervo pterigopalatino e continua o seu trajeto na órbita como nervo infraorbital.

O trajeto do ramo mandibular é bem abrangente, sendo dividido em um trajeto posterior e anterior.  Após emergir do crânio pelo forame oval, ele irá alcançar a fossa infratemporal, onde irá emitir dois pequenos ramos, o nervo para  o músculo pterigóideo medial e o meníngeo. Logo após, ele segue o seu trajeto normal, dando origem aos seus ramos principais: nervo bucal, nervo lingual, nervo alveolar inferior e nervo massetérico. Consequentemente, esses nervos principais seguem os seus trajetos até emitir os ramos finais do trajeto.

Relações O percurso intracraniano do nervo trigêmeo abrange as seguintes regiões:

Fossa posterior do crânio Inclui o segmento compreendido entre a origem aparente e a margem lateral do corpo do osso esfenoide, no nível do processo clinoide posterior. Nesta altura, o nervo apresenta-se circundado por uma bainha de pia-máter, descreve uma curva de concavidade ântero-medial submerso inferiormente no espaço subaracnoide, juntamente com os nervos troclear (IV par), trigêmeo (V par) e abducente (VI par), e com as artérias superior do cerebelo e posterior do cérebro, ramos da artéria basilar.

Margem superior da parte petrosa do osso temporal No local onde as duas raízes superpostas (a sensitiva em plano superior) cruzam a margem superior da pirâmide petrosa, encontra-se no crânio seco uma incisura trigeminal, que o tentório do cerebelo transforma em orifício osteofibroso através do qual o nervo trigêmeo invade o cavo trigeminal.

Fossa média do crânio Na face ântero-superior da parte petrosa do osso temporal. a raiz sensitiva, achatada súpero-inferiormente, transforma-se em leque e forma o plexo triangular, cuja base anterior se confunde com a margem posterior do gânglio trigeminal. O plexo triangular da raiz sensitiva, o gânglio trigeminal e a raiz motora alojam-se no cavo trigeminal, estojo osteofibroso cuja parede superior é um prologamento do território do cerebelo e cuja parede inferior é uma depressão óssea revestida pela própria dura-máter.

Nenhuma das duas raízes adere às paredes do cavo trigeminal.

Gânglio trigeminal

É uma formação semelhante aos gânglios espinais anexos às raízes dorsais dos nervos espinais. Fica na impressão trigeminal do osso temporal.

O Gânglio trigeminal é a representação do acumulo de corpos de neurônios sensitivos aferentes. Estes apresentam um prolongamento periférico longo e que está em contato com um receptor e um prolongamento central curto, que entra no tronco encefálico pelo tronco do nervo, onde faz sinapse com os núcleos centrais do trigêmeo.

Podemos localizá-lo em uma depressão óssea da face anterior da parte petrosa do osso temporal, denominada Impressão do Trigêmeo.

Cisterna trigeminal

É um divertículo dos espaços subaracnóides pré-pontinos e pontocerebelares; tem 0,50 cm³ de capacidade e em seu interior circula livremente o líquido cérebro-espinhal, que banha todo o plexo triangular e a raiz motora.

Anatomia de superfície

Segundo Teixeira (2012), o gânglio trigeminal é composto por prolongamentos centrais dos neurônios pseudounipolares, que dão origem a este gânglio. Tal componente do sistema nervoso é caracterizado por apresentar uma forma achatada e crescente, estando situando em uma região intitulada impressão trigeminal ou também chamada de cavidade trigeminal. Dessa forma, este gânglio tem relevância para o funcionamento das estruturas da face do indivíduo uma vez que deste, parte o nervo trigêmeo, que por sua vez origina 3 principais prolongamentos periféricos ou ramos: o nervo oftálmico (V1), o nervo maxilar (V2) e o nervo mandibular (V3).

Nervo oftálmico O nervo oftálmico (V1) é o primeiro ramo do nervo trigêmeo, sendo responsável pela inervação da porção do terço superior da face, compreendendo principalmente a região da cavidade orbital, como o próprio nome sugere. Emerge da porção superior do gânglio trigeminal e adentra a órbita através da fissura orbital superior. Para inervação de tais estruturas, divide-se em:

Nervo supra orbital: responsável pela inervação da pálpebra superior, parte do couro cabeludo e a pele da fronte.

Nervo supra troclear: responsável pela inervação da região da glabela, da pálpebra superior e da pele do nariz.

Nervo frontal: responsável pela abrangência da área cutânea da fronte e a porção ântero-posterior do couro cabeludo.

Nervo nasociliar e nervo lacrimal: responsáveis pela inervação do conteúdo da órbita (da glândula lacrimal pelo nervo lacrimal) e parte da cavidade nasal (pelo nervo nasociliar).

Nervo infra troclear: responsável pela inervação da raiz do nariz e da pele das pálpebras.

Ramo nasal externo: responsável pela inervação da pele do dorso do nariz.

Nervo maxilar O nervo maxilar (V2) é o segundo ramo do nervo trigêmeo, sendo responsável pela inervação da porção do terço médio da face, compreendendo as maxilas, abrangendo a área cutânea da fronte, porção ântero-posterior do couro cabeludo e lábio superior. Diante das suas atribuições, divide-se da seguinte forma:

Nervo infra orbital: responsável pela inervação da região lateral do nariz, pele e mucosa do lábio superior e pele da pálpebra inferior.

Nervo zigomático facial: responsável pela inervação da pele que recobre o osso zigomático.

Nervo zigomático temporal: responsável pela inervação da porção mais anterior da pele da fossa temporal, além da pele da porção lateral da fronte.

É importante ressaltar que após a emissão deste ramo, o nervo maxilar dirige-se para a região denominada fossa pterigopalatina, deixando a parte interna do crânio através do forame redondo. Ao adentrar esta fossa, o nervo emite então outros dois nervos de grande importância:

Nervos alveolares superiores: responsáveis pela inervação dos dentes da arcada dentária superior, possuindo ainda, uma subdivisão (nervo alveolar superior posterior, nervo alveolar superior médio e nervo alveolar superior anterior). A título de curiosidade, são de extrema importância para a área odontológica, uma vez que as técnicas anestésicas possuem estes ramos como referência.

Nervo palatino maior: responsável pela inervação da região de palato duro, no interior da cavidade oral.

Nervo palatino menor: responsável pela inervação da região de palato mole, no interior da cavidade oral.

Nervo nasopalatino: responsável pela inervação da região de extremidade do palato, próximo aos dentes incisivos da arcada dentária superior.

Nervo mandibular O nervo mandibular é o terceiro e último ramo do nervo trigêmeo, sendo considerado o seu maior ramo. Possui duas raízes: uma sensitiva, que tem origem no ângulo inferior do trigêmeo e outra motora, que tem origem no núcleo motor localizado no bulbo e no tronco encefálico. Estes se unem logo após a saída deste nervo pelo forame oval, na parte interna do crânio.

No que tange à raiz sensitiva, as áreas inervadas são a pele da região temporal, orelha, bochecha, lábio inferior e a porção inferior da face, além da mucosa da bochecha, 2/3 anteriores da língua, os dentes inferiores, a própria mandíbula e a articulação temporomandibular (ATM).

No que se refere à raiz motora, é responsável pela inervação dos músculos da mastigação, tais como o músculo masseter, o músculo temporal, o músculo pterigoideo lateral e o pterigoideo medial. Além disso, também abrange os músculos milo-hioideo, digástrico (ventre anterior), tensor do tímpano e tensor do véu palatino.

Visto que possui a função de inervar o terço inferior da face, o nervo mandibular pode ser dividido em ramos anteriores e posteriores:

Ramos anteriores: responsáveis pela inervação motora dos músculos da mastigação e sensitiva das mucosas da bochecha e da gengiva.

Ramos posteriores: responsáveis pela inervação sensitiva, possuindo um pequeno componente motor, abrangendo áreas como a língua, os dentes inferiores e a pele do mento.

Nervo mesentérico Nervo localizado na região da face com função motora da asa do nariz.