No enxadrismo, as Aberturas, também chamadas de Defesas em alguns casos, são sequências de movimentos iniciais das peças de xadrez, já estudadas em várias partidas com as quais o jogador pode ter certa vantagem sobre um adversário, desenvolvendo as peças de forma a garantir uma disposição sólida de defesa e um ataque eficientemente bom. É quando ocorre a batalha pelo centro, como o desenvolvimento das peças menores em certas linhas retas de ação, iniciando a pressão sobre o centro. direita|semmoldura|220x220px Existem dezenas de aberturas diferentes, com centenas de variantes catalogadas, onde a Oxford Companion to Chess reconheceu 1 327 aberturas e variantes. Estas possuem nomes como por exemplo Defesa Siciliana ou Gambito da dama recusado, que geram variações desde posições tranquilas (por exemplo Abertura Réti e algumas linhas do Gambito da Dama Recusado) a táticas de jogo arrojadas (por exemplo Gambito Letão e Defesa dos dois cavalos). Em algumas linhas de aberturas, os movimentos considerados melhores têm sido estudados até o vigésimo lance, onde enxadristas profissionais dedicam anos de estudos em aberturas, e a teoria das aberturas continua a evoluir.

Os trabalhos que catalogam as sequências padrão de movimentos de aberturas, são denominados "Livro de Movimentos" (como trabalho de referência The Encyclopaedia of Chess Openings). Estes trabalhos em sua maioria apresentam as aberturas usando notação algébrica (representação das casas do tabuleiro) e árvores de aberturas. Quando um jogo começa a se desviar da teoria de aberturas conhecidas, os jogadores dizem estar "fora do livro".

Objetivos Embora exista uma larga variedade de abertura, os objetivos na essência são semelhantes. O primeiro e mais importante objetivo é evitar perda de peças valiosas. Num conceito clássico, o objetivo das brancas é atacar e das pretas é defender. Entretanto modernamente já existem aberturas que proporcionam o ataque das pretas.

Em uma análise detalhada, levando em consideração que os jogadores não irão cometer um erro grave na abertura, os objetivos principais incluem:

Desenvolvimento: Mobilizar as peças para casas úteis, onde irão ter impacto no jogo. Para este fim, cavalos são normalmente desenvolvidos os brancos para g3 e b3 e os pretos para g6 e b6 (algumas vezes e2, d2, e7, d7) e ambos os peões de e- e d- são movidos para os bispos poderem se desenvolver (alternativamente, o bispo pode ser flanqueado com uma manobra em g3 e Bg2), mobilização rápida é a chave. A dama entretanto não é normalmente utilizada numa posição central no início do jogo, pois é provável de ser atacada obrigando o jogador a perder tempo no salvamento. Controle do centro: Controlar as casas centrais permitem as peças serem movidas para qualquer parte do tabuleiro com relativa facilidade, e pode ter um efeito devastador. Em uma visão clássica, o melhor controle do centro é estabelecendo peões em d4 e e4 (ou d5 e e5 para as pretas). Entretanto a Escola Hipermoderna demonstrou que não é necessário ocupar o centro desta maneira, pois um peão muito avançado pode ser atacado, deixando a arquitetura de defesa vulnerável. A Escola Hipermoderna prega o controle do centro a distância, destruindo a ocupação do oponente no centro, e apenas o tomando posteriormente no jogo. Isto leva a aberturas tais como a Defesa Alekhine numa linha de 1. e4 Nf6 2. e5 Nd5 3. d4 d6 4. c4 Nb6 5. f4 (o Ataque dos quatro peões), a branca tem um formidável centro com peões, mas as pretas esperam miná-lo posteriormente no jogo, deixando a posição das brancas exposta. Proteger o Rei: O Rei fica um pouco desprotegido no meio do tabuleiro, assim ações são tomadas para reduzir esta vulnerabilidade. É comum então os jogadores rocarem na abertura, levando o rei para o canto por meio de um roque artificial. Fraqueza dos peões: A maioria das aberturas tentam evitar a criação de peões fracos (isolados, dobrados ou atrasados), sacrificando as considerações de fim de jogo para um rápido ataque. Algumas aberturas desbalanceadas das pretas fazem uso dessa ideia para conseguir uma forma dinâmica de jogar; tais como a Holandesa e a Siciliana. Enquanto outras, tais como a Alekhine e a Benoni convidam o oponente a estender e formar uma fraqueza de peões. Coordenação das peças: Como cada enxadrista movimenta suas peças, cada movimento tenta assegurar que elas estão trabalhando harmoniosamente em direção às casas chaves.

Além dessas ideias, outras estratégias usadas no meio do jogo podem também ser desenvolvidas na abertura. Estas estratégias incluem preparar os peões para um contra-ataque, visando criar uma fraqueza na estrutura de peões do oponente, manter o controle de casas-chave, fazer trocas favoráveis de peças menores (por exemplo, ganhando o par de bispos, ou ganhando a vantagem do espaço seja no centro ou nos flancos).

Muitos escritores (por exemplo, Reuben Fine em As ideias por trás das aberturas de xadrez) comentam que a tarefa das brancas na abertura é preservar e incrementar a vantagem conferida pelo primeiro movimento, enquanto que das pretas é igualar o jogo. Entretanto já existem aberturas que fornecem a chance das pretas jogarem agressivamente para adquirir vantagem desde o início.

De acordo com o MI Jeremy Silman, o propósito da abertura é criar um balanço dinâmico entre os dois lados, que irá determinar a característica do meio-jogo e os planos estratégicos.Jeremy Silman, O Livro Completo de Estratégias de Xadrez (Los Angeles: Siles Press, 1998), p. 3. Por exemplo, na variação Winawer da abertura francesa, as brancas irão tentar usar seu par de bispos e a vantagem do espaço para atacar a ala do Rei, enquanto as pretas irão simplificar trocas (em particular, trocando um dos bispos brancos para destruir a estratégia) e irão contra-atacar a fraca linha de peões na Ala da Dama.

Nomenclatura das aberturas Além do termo Abertura, termos comuns incluem: Defesa, Gambito, e Variante; termos menos comuns são Sistema, Ataque, Contra-ataque, Contra-gambito, e Invertido.

A maioria das mudanças nas regras do xadrez no final do século XV aumentaram a velocidade do jogo, consequentemente desenvolvendo a importância do estudo das aberturas. Assim, os primeiros livros de xadrez (por exemplo de Luis Ramirez de Lucena em 1497) apresentam análises de aberturas (assim como Pedro Damiano de Odemira em 1512 e Ruy López de Segura em 1561). A discórdia de Ruy López com Damiano relativo aos méritos de 2…Cc6 levando a 3.Bb5 (depois de 1.e4 e5 2.Cf3 Cc6) ser nomeado por ele como Ruy Lopez ou Abertura Espanhola.H.J.R. Murray, A História do xadrez (Oxford: Clarendon Press, 1913), pp. 782-83, 814-15.

A teoria das aberturas foi estudada mais cientificamente a partir da década de 1840, e muitas variações de aberturas foram descobertas e nomeadas neste período. Infelizmente a nomenclatura das aberturas se desenvolveu ao acaso, e a maioria dos nomes são mais acidentes históricos do que baseados em qualquer sistema. As mais antigas tenderam a ser nomeadas por localidades geográficas e nome de pessoas. As aberturas são comumente conhecidas por nomes de enxadristas, não sendo sempre o nome do criador, algumas vezes é o nome do enxadrista que a popularizou ou publicou uma análise sobre ela.

Aberturas eponímicas incluem a Ruy Lopez, Defesa Alekhine, Defesa Morphy, e o Sistema Réti. Alguns poucos nomes de aberturas homenageiam duas pessoas, tais como a Defesa Caro-Kann. Existem as aberturas conhecidas por nacionalidades, por exemplo a Inglesa, Espanhola, Escandinava, Siciliana, etc. Cidades também são utilizadas, tais como Vienna, Berlim, e Wilkes-Barre. O sistema catalão é referência a região da Espanha chamada de Catalunia.

Poucas aberturas têm nomes descritivos, como a Giuoco Piano (Italiana: "jogo calmo"). Descrições mais prosaicas incluem a de Dois Cavalos e Quatro Cavalos. Já no século XX popularizou-se nomear as aberturas com nomes imaginários ou de animais. Como a maioria das sequências de movimentos mais tradicionais já foram nomeados, torna-se incomum e recentes o desenvolvimento de aberturas como Orangotango, Hipopótamo, Elefante, e Ouriço.

Considerando algumas das aberturas nomeadas por nacionalidades: Jogo Escocês, Abertura Inglesa, Defesa Francesa, e Jogo Russo — o jogo Escocês e a Abertura Inglesa são ambas aberturas brancas. Entretanto estas definições não são precisas, aqui estão algumas observações gerais sobre como elas são usadas.

Jogo Usado apenas para algumas das mais antigas aberturas, por exemplo a Escocesa, a Vienna, e o Jogo dos quatro cavalos.

Abertura Junto com a Variante, este é o termo mais comum.

Variante Usualmente utilizado para descrever uma linha de uma abertura mais geral, por exemplo a Variante de Trocas do Gambito da Dama Recusado.

Defesa Sempre se refere a uma abertura escolhida pela pretas,tais como Dois Cavalos ou Defesa Índia do Rei, a menos, é claro, que tenha sido 'revertida', o que a torna uma abertura para as brancas.

Gambito Uma abertura que envolve o sacrifício de material, usualmente um ou mais peões. Gambitos podem ser jogados pelas brancas (Gambito do Rei) ou pelas pretas (Gambito Letão). Os nomes completos algumas vezes incluem Aceito ou Recusado dependendo se o oponente aceitou ou não o material oferecido, como no Gambito da Dama Aceito e Gambito da Dama Recusado. Em alguns casos, o sacrifício material é apenas temporário. Por exemplo, depois de 1.d4 d5 2.c4 dxc4 (o Gambito da Dama Aceito), as brancas podem recapturar o peão imediatamente jogando 3.Da4+ se assim o desejar.

Contra-gambito Um gambito oferecido em resposta ao gambito do oponente, ou, qualquer gambito utilizados pelas pretas. Alguns exemplos incluem o Contragambito Albin para o Gambito da Dama, o Contragambito Falkbeer para o Gambito do Rei, e o Contragambito Greco (o nome original do Gambito Letão).

Sistema Um método de desenvolvimento que pode ser usado contra muitas configurações diferentes do oponente. Exemplos incluem o Sistema Réti, Sistema Barcza, Sistema Colle e o Sistema porco-espinho.

Ataque Algumas vezes utilizada para descrever uma variação provocativa ou agressiva tal como o Ataque Albin-Chatard (ou Ataque Chatard-alekhine), o Ataque Fígado Frito na Defesa dos dois cavalos, e o Ataque Grob. Em outros casos se refere a um sistema defensivo das pretas quando adotado pelas brancas, como no Ataque Índio do Rei. E ainda em outros casos o nome parece ser usado ironicamente, como no quase inofensivo Ataque Durkin (também chamado de Abertura Durkin).

Reversa, Invertida Uma abertura das pretas jogada pelas brancas, ou mais raramente uma abertura das brancas jogada pelas pretas. Exemplos incluem a Siciliana Reversa (para a Abertura Inglesa), e a Húngara Invertida.

Uma minoria de aberturas são prefixadas com “Anti-“. Estas aberturas pretendem evitar uma linha particular disponível para o oponente, por exemplo a AntiMarshall (contra o Contra-Ataque Marshall na Ruy Lopez) e o Gambito AntiMerano (contra a Variação Merana da Defesa Semi-Eslava).

Classificação

A posição inicial no xadrez oferece as brancas vinte possibilidades para o primeiro movimento. Onde as mais populares são: 1.e4; 1.d4; 1.Cf3; 1.c4, pois promovem um rápido desenvolvimento e controle do centro, as outras aberturas são consideradas razoáveis e menos consistentes

A abertura Dunst (1.Cc3) desenvolve o cavalo para uma boa casa, entretanto não é flexível porque bloqueia o peão da coluna c, e também, depois de 1.…d5 o cavalo pode ser chutado para uma casa inferior depois de …d4. (note que depois de 1.Cf3 o análogo 1.…e5? apenas perde um peão). A abertura Bird (1.f4) remete ao controle do centro mas não o desenvolvimento, e enfraquece a posição do Rei consideravelmente.