Luiz Nicolau Fagundes Varella (São João Marcos, – Niterói, ) foi um poeta brasileiro, considerado um dos principais representantes da segunda geração do romantismo no Brasil. Seus poemas enquadravam-se na estética do mal do século e apresentavam um verso melódico e fluido. Escreveu, também, os primeiros poemas contra a escravidão no Brasil. É o patrono da cadeira n. 11 da Academia Brasileira de Letras, fundada por Lúcio de Mendonça.
Biografia Varela nasceu no dia 17 de agosto de 1841, em Niterói, filho do Dr. Emiliano Fagundes Varela, juiz da vila de São João Marcos, e de Emília de Andrade. Fez os estudos primários e secundários em Angra dos Reis e Petrópolis, e os preparatórios em São Paulo. Em 1862, ingressou na Faculdade de Direito, mas nunca concluiu o curso.
Contraiu um casamento polêmico com a artista de circo Alice Guilhermina Luande. Seu filho que teve com ela, Emiliano, faleceu aos três meses de idade, e Varela, por conta disso, tornou-se alcoólatra. Em 1866, sua esposa morre também, e o poeta se recolhe na casa de seu pai até 1870, quando se muda com ele para Niterói, onde fica até o fim da vida. Casou-se uma segunda vez com a prima Maria Belisária de Brito Lambert, com quem teve duas filhas e um filho. Frequentando assiduamente as rodas de boêmia intelectual do Rio, faleceu em 17 de fevereiro de 1875, aos 33 anos de idade, por conta de um derrame cerebral.
Obra Segundo Antonio Candido, Varela foi "o último dos poetas ultra-românticos de algum valor", acrescentando que ele "levou ao máximo a fluidez cantante do verso rimado e a melodia do decassílabo solto" e criou "alguns dos mais belos poemas do tempo".
O seu poema mais aclamado é o Cântico do Calvário, um longo poema em decassílabos brancos dedicado ao seu primeiro filho morto prematuramente. Segundo Manuel Bandeira, esse poema é "uma das mais belas e sentidas nênias da poesia em língua portuguesa", acrescentando que ele foi o ponto alto de toda a sua obra.
Ainda segundo Candido, a sua obra foi "o começo da poesia de solidariedade em relação aos escravos", de maneira que Varela é um precursor da terceira geração do romantismo no Brasil. Essa faceta do poeta encontra-se, por exemplo, no poema O Escravo, um dos seus textos escolhidos pela Academia Brasileira de Letras, que o doutor José Carlos de Freitas classifica como "um verdadeiro réquiem ao escravo que se resignou ante o cativeiro e só encontrou a liberdade no cemitério".
Livros
Noturnas - 1860 Vozes da América - 1864 Pendão Auri-verde - poemas patrióticos, acerca da Questão Christie. Cantos e Fantasias - 1865 Cantos Meridionais - 1869 Cantos do Ermo e da Cidade - 1869 Anchieta ou O Evangelho nas Selvas - 1875 (publicação póstuma) "Cantos Religiosos" - 1878 (publicação póstuma) Diário de Lázaro - 1880 (publicação póstuma)
Academia Brasileira de Letras Por instância de Lúcio de Mendonça, foi a sua cadeira nominada em honra a Fagundes Varella. Considerado um dos maiores expoentes das letras no Brasil, um seu busto orna o prédio do silogeu brasileiro.
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