Álvaro Brandão Apocalypse (Ouro Fino, 14 de janeiro de 1937 — Belo Horizonte, 6 de setembro de 2003) foi um pintor, ilustrador, gravador, desenhista, diretor de teatro, cenógrafo, professor, museólogo e publicitário brasileiro. Foi também um dos fundadores do Grupo Giramundo.
Biografia Álvaro Brandão Apocalypse nasceu em 14 de janeiro de 1937 em Ouro Fino (MG)
Durante a infância em Ouro Fino, Apocalypse reproduzia os animais em seus desenhos.
No início da década de 1950, já na adolescência, Álvaro Apocalypse chegou a Belo Horizonte para estudar Belas Artes com o mestre Alberto da Veiga Guignard, tornando-se professor de desenho em 1959. De lá para cá, as artes plásticas ocuparam um espaço definitivo em sua vida.
Em 1956, estudou gravura em metal e litografia na Escola Guignard e iniciou curso de Direito na Universidade Federal de Minas Gerais - UFMG. Álvaro realizou também desenhos animados para campanhas publicitárias, ilustrações para revistas e jornais e incursões no mundo da publicidade. Em 1959, lecionou na recém-criada Escola de Belas Artes da Faculdade de Arquitetura da UFMG, da qual se tornou professor titular em 1981.
A partir da década de 1960, as festas populares passaram a ser temas constantes em seus desenhos, dedicando-se mais à técnica de pastel e à produção de gravuras. Em 1962, tornou-se professor da Fundação Mineira de Arte.
Sua obra passou a apresentar caráter surrealista a partir de 1965. Recebeu o prêmio de viagem ao exterior no 3º Salão da Aliança Francesa, em 1969. Viajou, então, para Paris e realizou curso de História do Desenho na Escola do Louvre.
Na década de 1970, depois de uma estada prolongada na Europa, onde assistiu a muitos espetáculos com marionetes, Álvaro retornou a Belo Horizonte, com o propósito de criação de um grupo teatro de bonecos, o que veio a se concretizar rapidamente. Criou o Grupo Giramundo de Teatro de Bonecos, em 1970, e produziu cenários, figurinos e marionetes para várias peças teatrais. O primeiro grande espetáculo vem em 1976, com a montagem de El Retablo de Maese Pedro, seguido por Cobra Norato, de Raul Bopp, todos sempre muito aplaudidos pela crítica e público, dentro e fora do Brasil. No total Álvaro produziu e dirigiu 27 espetáculos no Giramundo.
Em 1973, realizou as gravuras para o álbum Minas de Drummond, pela UFMG. Dividindo suas atividades entre o magistério, as artes plásticas e o teatro, Apocalypse coordenou a Escola Superior de Artes da Marionete de Charleville Mèziéres (França), entre 1990 e 1991, um estágio do qual participaram artistas de toda a Europa. Em co-produção, atuou com o Teatro Presenza na montagem de Superfaust e com o Teatro Baracca, no espetáculo Il Drago Nella Fumana Itália.
Entre suas premiações figuram o Moliére, o Troféu Mambembe, dois troféus João Ceschiatti, o Grande Prêmio da Crítica da Associação Paulista de Críticos de Arte, entre outros. Publicou o álbum de gravura Minas de Guimarães Rosa, em 1977, pela Imprensa da UFMG, entre outros.
Trajetória artística 1955 - Depois de desenhar muito em casa e copiar ilustrações de Portinari, Álvaro Apocalypse se inscreve no X Salão Municipal de Belas Artes de Belo Horizonte e obtém menção honrosa em desenho. Entra para a Escola Guignard e Faculdade de Direito 1957 - A partir deste ano, depois de participar de salões e receber prêmios, inicia trabalho como ilustrador na imprensa mineira. Publica artigos sobre arte e participa de mostras 1959 - Convidado a dar aulas de modelo vivo na recém-criada Escola de Belas Artes da Faculdade de Arquitetura. Foi professor universitário antes mesmo de se formar, uma atividade que manteria por toda vida 1962 - Fundador primeiro presidente da Associação Mineira de Artistas Plásticos (AMAP). Ganha prêmios e participa de mostras e salões em vários estados brasileiros 1965 - Primeira individual. Além das pesquisas sobre cultura popular, passa a trabalhar com temática surrealista e a crítica social em seus trabalhos. 1967 - Participa da implantação do Festival de Inverno da UFMG, em Ouro Preto. 1968 - Publica o álbum de gravuras Minas, a terra, o homem 1969 - Produz seu primeiro mural de grandes proporções. Prêmio do Salão da Aliança Francesa o leva a Paris, para estudos de arte 1970 - Retorna ao Brasil e cria, com Terezinha Veloso e Madu, o grupo de teatro de bonecos Giramundo 1971 - Primeira encenação do Giramundo A bela adormecida 1972 - Montagem de Aventuras do Reino Negro, que é apresentada na França, Argentina e Uruguai 1973 - Saci-pererê é a segunda montagem de um repertório que chegará a 27 trabalhos 1975 - Um Baú de Fundo Fundo" 1976 - Cobra Norato, um dos espetáculos mais premiados e admirados do grupo. 1982 - Faz a capa do álbum independente "Música Doce: Flauta e Violão" de Marcelo Faria e Paulinho Queroga 1983 - As Relações Naturais. 1984 - Auto das Pastotrinhas. 1986 - Montagem de O guarani. 1988 - Giz 1990 - Montagem do espetáculo Diário de um tímido forasteiro, no 17° Festival de Inverno da UFMG, em Ouro Preto, Minas Gerais 1990 - Atua como professor no Ateliê de Tecnologia do Instituto Internacional de Marionetes de Charville-Mèziéres, na França. 1991 - Montagem da ópera A flauta mágica, de Mozart, com marionetes com até dois metros de altura 1992 - Le Journal 1993 - Adaptação de Pedro e o lobo, conto sinfônico de Prokofiev 1994 - Montagem do espetáculo adulto Antologia Mamaluca 1995 - Ubu Rei 1996 - Carnaval dos Animais 1997 - Diário de um Louco 1998 - Montagem do espetáculo O gato Malhado e a andorinha Sinhá, basedo na fábula de Jorge Amado 1998 - Exposição Desenhos para teatro de Álvaro Apocalypse 2000 - Gira Gerais 2000 - Inauguração o teatro Giramundo 2001 - Os Orixás 2001 - Inauguração do Museu Giramundo para abrigar e expor ao público seu acervo de mais de 850 bonecos 2002 - Mini Teatro Ecológico - O Aprendiz Natural e Mata Atlântica 2003 - Exposição e retrospectiva de trabalhos em "Mundo Giramundo", no Sesc Santo André (SP), em São Paulo. Morre, aos 66 anos, em Belo Horizonte. 2006 - Criação da instituição "Arquivo Apocalypse", dirigida por suas herdeiras, que irá catalogar e restaurar o acervo com suas obras, para poder ser expostas ao público em um futuro museu 2006 - Tem publicado, no jornal O Tempo, trechos de suas agendas, durante oito domingos consecutivos 2006 - Publicação do site Arquivo Apocalypse 2011 - Publicação do livro Álvaro Apocalypse Reis, Sérgio Rodrigo Reais (15 de fevereiro de 2012). Obra de Álvaro Apocalypse ganha registro em livro com texto crítico de Márcio Sampaio. Estado de Minas/EM Cultura/Divirta-se, acesso em 15 de fevereiro de 2011
Receptividade crítica De acordo com o jornal Estado de Minas ao mencionar o legado criativo de bonecos, pinturas e desenhos, "não há nenhum outro em Minas que desempenhe hoje esta vertente da criação com tanta competência, sutileza e nobreza" como Álvaro Apocalipse.
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