A Praça XV, também conhecida como Praça XV de Novembro, Praça 15 de Novembro, Praça Quinze de Novembro, Praça 15 ou Praça Quinze, é uma praça situada no bairro do Centro, na Zona Central da cidade do Rio de Janeiro. Além de estar localizada na Rua Primeiro de Março, a praça integra a Orla Conde, um passeio público que margeia a Baía de Guanabara.

A praça, que existe desde o século XVI, foi reinaugurada no dia 29 de maio de 2016 após ser revitalizada. A revitalização da praça foi feita durante a gestão do prefeito Eduardo Paes no âmbito do Porto Maravilha, uma operação urbana que visa revitalizar a Zona Portuária do Rio de Janeiro.

No interior do logradouro, situam-se a Parada Praça XV do VLT Carioca e a Estação Praça XV do sistema de barcas operado pela CCR Barcas. Já nas imediações, situam-se diversos pontos de interesse de importância histórica e política, como o Paço Imperial e o Palácio Tiradentes. A praça também possui quatro monumentos históricos: o Chafariz do Mestre Valentim; a Estátua Equestre de Dom João VI; a Estátua Equestre do General Osório; e a Estátua do Almirante Negro.

Hoje, a Praça XV é considerada o coração do skateboarding no Rio de Janeiro. Embora o Decreto Municipal nº 17.746, de 22 de julho de 1999, tenha proibido a prática do esporte em praças, parques e jardins da cidade, o movimento de skatistas I Love XV conseguiu, em 2011, uma permissão da prefeitura para o uso da Praça XV como local de tráfego de skates em horários estipulados. No dia 8 de novembro de 2016, por meio de uma portaria, o presidente da Fundação Parques e Jardins concedeu autorização para o uso do skate na Praça XV e na Praça Marechal Âncora em qualquer horário. miniaturadaimagem|250x250px|Na parte superior, a atual Praça XV, do lado esquerdo o Paço Imperial (sede do governo Colonial, Real e Imperial) ao fundo o Convento e Igreja do Carmo (onde D. Pedro I e D. Pedro II foram coroados), do lado direito o Arco do Teles e o Chafariz do Mestre Valentim, na frente. Na parte inferior um panorama da cidade com destaque o Corcovado. De Jean-Baptiste Debret, em 1830. A praça recebeu esse nome por homenagear o dia 15 de novembro de 1889, marcado pela Proclamação da República do Brasil. Nesse dia, foi instaurada a república federativa presidencialista no Brasil, em substituição à monarquia constitucional parlamentarista em vigor desde 1822.

História Período colonial esquerda|miniaturadaimagem|Revista militar no Largo do Paço, pintura de Leandro Joaquim, por volta de 1790. Coleção do Museu Histórico Nacional. A Praça XV hoje está localizada na região conhecida, nos primórdios da ocupação das terras da cidade, como Praia da Piaçaba. O local já teve diversas denominações: Largo do Terreiro da Polé; Largo do Carmo; Praça do Carmo; Terreiro do Paço; e Largo do Paço. Do século XVI até meados da década de 1770, com a construção do Cais do Valongo, o logradouro foi o principal ponto de desembarque de escravizados africanos na cidade.

No local, foi erguido o prédio do Palácio dos Governadores e da Casa da Moeda, futuras instalações do Paço Real e, depois, do Paço Imperial. O prédio, projeto do engenheiro militar português José Fernandes Pinto Alpoim, teve suas obras iniciadas em 1738 e ficou pronto em 1743. Foi o primeiro imóvel da cidade a ter vidros nas janelas.thumb|240px|Chafariz do Mestre Valentim, situado no centro da praça.No governo do vice-rei dom Luís de Vasconcelos, foi construído o Chafariz do Mestre Valentim, inaugurado em 1789 e que é até hoje um dos símbolos da praça. Sua função era abastecer com água, além da população, as embarcações que ancoravam perto da praça.

Século XIX thumb|240px|O Largo do Carmo em 1818. À esquerda, vê-se o Paço Imperial, com o edifício do Convento do Carmo ao fundo. À direita, situa-se uma torre sineira junto com a Antiga Sé. Mais à direita, encontra-se a Igreja da Ordem Terceira do Carmo. Até o início do regime republicano, situavam-se nas imediações da Praça XV: a Capela Imperial (atual Igreja de Nossa Senhora do Carmo da Antiga Sé); a Igreja da Ordem Terceira de Nossa Senhora do Monte do Carmo; e o Convento do Carmo (prédio da antiga Academia de Comércio, hoje parte de uma das unidades da Universidade Candido Mendes). Por essa razão, a região foi palco de acontecimentos e de solenidades significativos para a história do Brasil Imperial, como casamentos, batizados, aclamações, coroações e enterros.

Quando a rainha dona Maria I faleceu, em 1816, o então Largo do Paço foi o local onde ocorreu o funeral real. Com os cariocas vestidos de preto, o corpo saiu solenemente do paço em direção ao Convento da Ajuda, local onde foi depositado. Dias depois, aconteceram, na praça e em outros pontos da cidade, as cerimônias protocolares da morte de um reinante, a única vez que foram executadas em todo o continente americano.

thumb|left|240px|Fachada do Paço Imperial. No dia 18 de março de 1870, a câmara da cidade deu ao logradouro a denominação Praça de Dom Pedro II. Porém, com a Proclamação da República do Brasil, ocorrida em 15 de novembro de 1889, o nome foi trocado para a denominação atual em homenagem à data da proclamação. No final do século XIX, os contornos e limites da Praça XV eram, oficialmente descritos, "pela Rua Dom Manoel, Praça das Marinhas, ruas do Mercado, 1º de Março, 7 de Setembro e da Misericórdia".

Quando foi feita, em 1878, a nova numeração dos prédios da cidade por ordem da Câmara Municipal, o serviço começou justamente no logradouro, sendo que o Paço Imperial recebeu o número sete. No mesmo ano, os prédios da Secretaria de Agricultura, da Agência Nacional de Colonização e da Estação Praça XV já existiam nas imediações da praça.

thumb|220px|Estátua Equestre do General Osório, em 2015, com o Edifício Centro Candido Mendes ao fundo. Em 1888, foi em frente ao Paço Imperial onde ocorreram as maiores comemorações pela assinatura da Lei Áurea. No entanto, em 1889, o paço foi o local de onde partiu a família imperial para o exílio após a Proclamação da República do Brasil. O prédio foi transformado posteriormente em repartição dos Correios e Telégrafos após passar por uma série de reformas que o descaracterizaram. Hoje, inteiramente restaurado, o Paço Imperial é um centro cultural, contando com livrarias, restaurantes e espaços para exposições.

No dia 12 de novembro de 1894, foi solenemente inaugurado o panteão do General Osório. Encimado por sua estátua equestre, fundida com o bronze dos canhões apreendidos durante a Guerra do Paraguai, Manuel Luís Osório foi um dos líderes do conflito bélico ocorrido na década de 1860 e, hoje, é o patrono da Arma de Cavalaria do Exército Brasileiro. No entanto, no final do século XX, os restos mortais do herói foram levados do panteão para o município de Osório, localizado no Rio Grande do Sul, estado onde nasceu.

Na praça, até o fim do século XIX, atracavam a maior parte dos navios de passageiros que chegavam ao Rio de Janeiro. Segundo o historiador Milton Teixeira, a região era considerada o cartão de visitas da cidade.

Século XX thumb|left|240px|Em primeiro plano, a Estátua Equestre de Dom João VI; em plano intermédio, trecho do Elevado da Perimetral, demolido em 2014; e, em último plano, o prédio da Universidade Candido Mendes. Em 1908, foi inaugurado pelo prefeito Pereira Passos o Mercado Municipal da Praça XV, uma das obras de remodelação urbana ocorridas no início do século XX na cidade. No ano de 1912, a Estação hidroviária da Praça XV, que hoje atende o sistema de barcas operado pela CCR Barcas, foi inaugurada após oito anos de construção. Na década de 1950, foi construído a Elevado da Perimetral, que inicialmente ligava a Avenida Presidente Vargas ao Aterro do Flamengo. Em virtude da construção do viaduto, todo o mercado teve que ser demolido, exceto o pavilhão onde hoje funciona o Ancoramar.

No dia 10 de junho de 1965, foi inaugurada a Estátua Equestre de Dom João VI, presenteada à cidade pelo povo de Portugal por ocasião dos festejos do quarto centenário da fundação do Rio de Janeiro. De autoria de Salvador Barata Feyo, escultor português natural de Moçâmedes, Angola, a estátua foi colocada no local onde o rei dom João VI teria desembarcado no Brasil em 1808. Uma cópia idêntica do monumento encontra-se na rotunda do Forte de São Francisco Xavier do Queijo, situado na Praça de Gonçalves Zarco, na cidade portuguesa do Porto. De acordo com as instruções de Salvador Feyo, ambas as estátuas deveriam estar voltadas uma para outra, como simbolismo e ligação entre a mesma pessoa (dom João VI) e os dois países (Portugal e Brasil). Esta mesma ligação profunda e indesmentível foi ressaltada pela presença de um globo terrestre, contendo a cruz de Jesus Cristo por cima, levada na mão direita da figura de dom João VI. Segundo João Barata Feyo:

Sob o Elevado da Perimetral, começou a ser realizada em 1976 a tradicional Feira de Antiguidades da Praça XV, realizada até os dias de hoje. No ano de 1996, o Túnel Engenheiro Carlos Marques Pamplona, que passava sob a praça e que era popularmente conhecido como Mergulhão da Praça XV, foi aberto para tráfego. A avenida Alfred Agache passou a ser, nessa época, uma via subterrânea, numa iniciativa polêmica, porque o aspecto pouco iluminado e sujo de seu entorno causava desconforto nas pessoas que lá iam para pegar as linhas de ônibus para diversos bairros da cidade.

Século XXI thumb|180px|Estátua do Almirante Negro, situada na praça. A estátua mais recente da praça é a de João Cândido, inaugurada em 2007. O monumento faz parte da história do negro no Brasil, não apenas porque João Cândido era negro, mas também porque a Revolta da Chibata fora protagonizada por uma maioria de marinheiros negros. As classes mais baixas da Marinha, por serem compostas por rapazes muito pobres, estavam ainda sujeitas a castigos físicos de açoitamento no início do século XX. O monumento foi doado à cidade pela Secretaria de Políticas de Promoção da Igualdade Racial.

thumb|left|220px|Composições do VLT Carioca estacionadas na Parada Praça XV. Em 2014, o Museu de Arte do Rio (MAR) recebeu uma doação do Fundo Fátima Zorzato e Ruy Souza e Silva, constituída por um importante conjunto de gravuras e fotografias que testemunham a história iconográfica, urbanística, social e política da Praça XV desde 1599 até o início do século XX. A doação foi acompanhada de um catálogo escrito pelo fotógrafo Pedro Vasquez.

Durante o ano de 2014, o trecho do Elevado da Perimetral que passava sobre a praça fora demolido, viabilizando uma revitalização significativa da região. O mergulhão da Av. Alfred Agache foi reconstruído e passou a integrar uma via expressa com ligação com a Av. Rodrigues Alves e o entorno do Aeroporto Santos Dumont, transformando o trânsito do local e deslocando várias linhas de ônibus da Praça XV para o entorno da Avenida Presidente Antônio Carlos e da Rua Primeiro de Março. thumb|300px|A praça e as edificações das imediações. No dia 29 de maio de 2016, a Praça XV, a Praça Marechal Âncora e o Largo da Misericórdia foram reinauguradas pelo prefeito Eduardo Paes após intervenções no âmbito do Porto Maravilha. Tanto as praças quanto o largo passaram a incorporar a Orla Conde, um passeio público que margeia a Baía de Guanabara.

Em 6 de fevereiro de 2017, foi inaugurada no interior da praça a Parada Praça XV do VLT Carioca, que atende a Linha 2 do sistema. A Linha 2 atualmente estende-se desde a parada da Praça XV até a Parada Praia Formosa, situada no bairro de Santo Cristo.

Esculturas e monumentos Chafariz do Mestre Valentim thumb|200px|Fachada do chafariz voltada para o mar.