Irapuã (tupi: "Mel Redondo") (Serra da Ibiapaba, Século XVI – Serra da Ibiapaba, Século XVII) foi um morubixaba (líder indígena) do povo tabajara, viveu no início da colonização do Ceará, na Serra da Ibiapaba. É uma importante figura na cultura indígena e cearense, tendo guerreado contra a expedição militar de Pero Coelho de Sousa em 1604.

Biografia O povo Tabajara, de origem tupi, eram conhecidos como os "senhores da serra", uma grande nação com cerca de setenta aldeias na Serra da Ibiapaba, durante o início do século XVI. Nessa época, o Ceará ainda não havia passado por qualquer tentativa colonização por europeus, exceto pelos franceses, que em 1590 fundaram a Feitoria da Ibiapaba, sob comando de Adolphe de Montbille. Assim, os franceses mantinham relações e trocas comerciais com os tabajaras cearenses. O aldeamento de Irapuã possivelmente ficaria na região de Viçosa do Ceará e Tianguá, enquanto a outra grande aldeia indígena dessa época, liderada por Juripariguaçu (Diabo Grande), ficava em Ibiapina.

Todas regiões vizinhas da Ibiapaba eram habitadas por povos tapuias, como os Aconguaçus (ao norte), os Tacarijús (ao oeste, principalmente no Piauí) e os Acriús e Arérius, no leste. Contudo, a posição estratégica da Ibiapaba tornava essa região muito cobiçada pelos colonizadores.

Expedição Pero Coelho (1603-1604) Em 1603, o governador-geral do Brasil, Diogo Botelho, nomeia o capitão açoriano Pero Coelho de Sousa como novo capitão-mor da capitania do Ceará e envia este para uma expedição entre o Ceará e o Maranhão, com objetivo de colonizar e explorar a região e também expulsar os franceses da Ibiapaba. Com um exército de 200 indígenas tupis e 80 soldados, Pero Coelho parte da Paraíba em junho de 1603, chegando na foz do rio Jaguaribe em agosto. Após seguir pelo litoral cearense, a expedição militar chega na Serra da Ibiapaba, onde trava um confronto intenso contra os tabajaras, liderados por Irapuã e Juripariguaçu, com apoio dos franceses. Após dias de batalhas, os indígenas foram rendidos e os franceses fugiram para o Maranhão. Contudo, as forças de Pero Coelho recusaram-se seguir a expedição, pois estavam cansados, maltrapilhos e famintos, assim voltaram para o litoral. Poucos anos depois, os portugueses fugiriam do Ceará devido à resistência indígena no litoral e a uma seca que assolou o nordeste oriental entre 1605-1609. Assim, essa primeira tentativa portuguesa de colonizar o Ceará foi fracassada.

A expedição de Pero Coelho trouxe as doenças, a escravidão e a guerra para os indígenas cearenses, deixando uma marca profunda nas populações indígenas da Ibiapaba. Após esse evento, muitos tabajaras morreram, enquanto outros fugiram para o Maranhão, reduzindo as aldeias locais para somente duas grandes aldeias, a de Irapuã e de Juripariguaçu.

Missão Jesuítica de Francisco Pinto (1607-1608) Em 1607, o governo colonial brasileiro enviou os jesuítas padre Francisco Pinto e o padre Luís Figueira para realizar um missionamento na Serra da Ibiapaba, com objetivo de evangelizar e aldear os indígenas tabajaras. Durante essa expedição foi escrito o documento "Relação do Maranhão", o primeiro documento escrito em terras cearenses.

Enquanto os jesuítas estiveram na Ibiapaba, registraram costumes e tradições locais, incluindo o aldeamento de Irapuã. Contudo, em janeiro de 1608, o povo Tacarijú emboscou e assassinou o padre Francisco Pinto, ocasionando na fuga de Luís Figueira e o fim do missionamento. Após isso, os tabajaras iniciaram um grande conflito contra os Tacarijús.

Falecimento e legado Em 1612, o padre francês Yves d'Évreux fez uma breve passagem pela Ibiapaba, também registrando sobre a história e cultura dos tabajaras, contudo, não menciona o morubixaba Irapuã. Portanto, Irapuã provavelmente já era falecido antes de 1612.

Atualmente, é representado como um principais dos heróis da cultura tabajara originária do Ceará, ao lado do morubixaba Juripariguaçu.

Na cultura popular Em 1865, o escritor cearense José de Alencar publicou a obra romancista "Iracema", no qual traz um personagem antagonista chamado Irapuã, em referência ao histórico morubixaba tabajara que viveu na Ibiapaba.

Em 1964, o morubixaba Irapuã foi homenageado no samba-enredo composto por Silas de Oliveira, chamado "Aquarela Brasileira" para a escola de samba Império Serrano. O samba é uma exaltação ao Brasil, citando características culturais, geográficas e históricas de todas regiões do país, assim, Irapuã é exaltado como um dos símbolos e representante da cultura cearense. Posteriormente, a Império Serrano regravaria a canção em 2004, também foi regravado por grandes artistas brasileiros como Elis Regina, Elza Soares e Martinho da Vila.

Ver também

Feitoria da Ibiapaba História do Ceará Serra da Ibiapaba Francisco Pinto (padre)

Referências

Categoria:Indígenas do Brasil Colonial Categoria:Pessoas do século XVII Categoria:Líderes indígenas do Brasil