Eleições parlamentares foram realizadas em São Tomé e Príncipe em 27 de setembro de 2026. Nenhum partido obteve maioria absoluta, tendo o Movimento de Libertação de São Tomé e Príncipe – Partido Social Democrata (MLSTP-PSD) conquistado 24 dos 55 assentos na Assembleia Nacional.

Antecedentes Em 6 de janeiro de 2025, o presidente Carlos Vila Nova dissolveu o governo do primeiro-ministro Patrice Trovoada, por uma "notável incapacidade de resolver os muitos desafios do país", e ordenou que o partido Ação Democrática Independente (ADI) apresentasse candidatos a primeiro-ministro em 72 horas. Trovoada respondeu chamando sua demissão de "ilegal" e "inconstitucional". Em 9 de janeiro, o presidente escolheu Ilza Amado Vaz para ser a próxima primeira-ministra. No entanto, apenas três dias depois, em 12 de janeiro, ela anunciou sua renúncia ao cargo alegando que "não contribuiria para o sucesso das políticas públicas e para o desenvolvimento harmonioso e pacífico". Após a renúncia de Amado Vaz, o partido ADI indicou Adelino Pereira, um ex-procurador-geral, para ser o próximo primeiro-ministro. No entanto, em vez de Pereira, Vila Nova anunciou em 12 de janeiro que nomearia Américo Ramos para ser o próximo primeiro-ministro.

O Supremo Tribunal de Justiça declarou que a demissão do gabinete pelo presidente extrapolava os poderes do chefe de Estado, mas não teria qualquer efeito retroativo, tornando a decisão sem efeito. Com a ADI mergulhada numa crise de liderança desde o colapso do governo de Trovoada, Carlos Vila Nova preferiu manter Ramos no poder para garantir a realização das eleições presidenciais e parlamentares.

Sistema eleitoral Dos 55 membros da Assembleia Nacional, 53 são eleitos por representação proporcional de lista fechada em sete círculos eleitorais plurinominais com base nos sete distritos. Os eleitores no estrangeiro estão agrupados em dois círculos eleitorais uninominais (Europa e África).

A eleição é realizada e coordenada pela Comissão Eleitoral Nacional (CEN), e supervisionada pelo Tribunal Constitucional de São Tomé e Príncipe.

Candidaturas Em função da crise no seio da ADI (iniciada em janeiro de 2026), em junho de 2026, Patrice Trovoada foi substituído como cabeça de lista do partido por Américo Ramos, atual primeiro-ministro do país. É a primeira vez que Trovoada deixa de ser cabeça de lista da ADI em uma eleição desde 2006. Trovoada, inclusive, apelou ao boicote às presidenciais e às legislativas de 2026.

Por sua vez, a maior agremiação oposicionista, o Movimento de Libertação de São Tomé e Príncipe – Partido Social Democrata (MLSTP–PSD), elegeu a Américo Barros como novo presidente em setembro de 2024. O Movimento Basta substituiu seu lider-fundador Salvador Ramos por Levy Nazaré em novembro de 2025. O partido Movimento Democrático das Forças da Mudança – União Liberal (MDFM-UL) substituiu seu líder Miguel Gomes por Moisés Viegas em abril de 2025.

A única coligação do pleito, a MCI-PS/PUN, que tinha como líder a António Monteiro, inidicou a Nino Monteiro, em 2025, como novo cabeça de lista.

Estiveram nas listas eleitorais de 2026:

Partido/Coligação Espectro Cabeça de lista/Líder da chapa Resultado de 2022 Votos (%) Assentos ADI Ação Democrática Independente Centro-direita Américo Ramos 46.88% MLSTP-PSD Movimento de Libertação de São Tomé e Príncipe – Partido Social Democrata Centro-esquerda Américo Barros 32.73% MCI-PS/PUN Coligação Movimento de Cidadãos Independentes de São Tomé e Príncipe – Partido Socialista/Partido da Unidade Nacional Esquerda Nino Monteiro 8.79% BASTA Movimento Basta Direita Levy Nazaré 6.47% MDFM-UL Movimento Democrático das Forças da Mudança – União Liberal Centro-direita Moisés Viegas 2.07% PCD-GR Partido de Convergência Democrática - Grupo de Reflexão Centro-direita a direita Miques João Bonfim 0.0% NT Nossa Terra Centro-direita a direita Abnildo Oliveira 0.0%

Resultados Em 28 de setembro, a Comissão Nacional Eleitoral anunciou que o MLSTP-PSD venceu as eleições com 367 votos a mais que a ADI, partido no poder, marcando sua primeira vitória eleitoral desde 2002. O Movimento Basta e a coligação MCI-PS/PUN ficaram em terceiro e quarto lugares, respectivamente, com os demais partidos não alcançando o coeficiente mínimo. O número de assentos conquistados por cada partido não foi divulgado, cabendo essa decisão ao Tribunal Constitucional. A participação nesta eleição foi praticamente a mesma da eleição presidencial de São Tomé de 2026, com 41,34%, outro recorde de baixa participação.

A comissão eleitoral divulgou que a distribuição preliminar das 53 cadeiras proporcionais consideraria também a redistribuição dos assentos considerando os votos dos partidos que não alcançaram o coeficiente mínimo.

PartidoVotos%Assentos+/–MLSTP-PSD18.62237,4524+6ADI18.06136,3323−7Coligação MCI-PS/PUN4.1428,336+1BASTA4.6399,3320NT1.8323,680NovoPCD-GR1.4522,9200MDFM-PL9721,9500Fonte: CEN

Categoria:Eleições em São Tomé e Príncipe