Ali Paxá ibne Abedalá (; – Cairo, ) foi um xarife dos Du Aune e emir de Meca de 1905 a 1908. Filho do emir Abedalá Camil Paxá, era sobrinho de Aune Arrafique, durante cujo governo se tornou um de seus principais auxiliares. Após a morte de Aune Arrafique, em 1905, Ali assumiu interinamente o emirado com o apoio do governador otomano do Hejaz, , e foi posteriormente confirmado no cargo pelo sultão .
Seu governo manteve a estreita associação entre o emirado e a administração provincial que se havia desenvolvido nos últimos anos de seu antecessor. A Revolução dos Jovens Turcos de 1908 e a restauração da Constituição otomana enfraqueceram a posição de Ali e de Amade Ratibe, que haviam inicialmente se mostrado hostis à mudança política. Depois da destituição do governador e da chegada de novas autoridades ao Hejaz, Ali também foi afastado do emirado. Seu tio Abede Alilá ibne Maomé foi escolhido para substituí-lo, mas morreu antes de assumir o governo em Meca, e a sucessão acabou recaindo sobre Huceine Paxá ibne Ali. Ali deixou posteriormente o Hejaz e estabeleceu-se no Cairo, onde morreu em 1941.
Vida
Ali era filho do emir Abedalá Camil Paxá e pertencia aos aúnidas (Du Aune), ramo dos catádidas da linhagem haçânida da dinastia haxemita, descendente do clã dos haxemitas. Nasceu em 1275 A.H. (1859). Após a morte de seu pai, em 1877, recebeu o título de paxá e permaneceu ligado à administração do Emirado de Meca. Durante o longo governo de seu tio Aune Arrafique, tornou-se um de seus principais auxiliares e adquiriu experiência nos assuntos do emirado. A morte de Aune Arrafique, em Taife, em julho de 1905, abriu uma disputa pela sucessão. O governador otomano do Hejaz, , colocou Ali interinamente à frente do emirado enquanto se aguardava a decisão da Sublime Porta e apoiou sua confirmação no cargo. Outros xarifes também eram considerados para a sucessão, entre eles Abede Alilá ibne Maomé, irmão do falecido emir e membro mais velho dos Du Aune, Huceine Paxá ibne Ali e Ali Haidar Paxá, dos Du Zaíde. O sultão decidiu conservar Ali no governo e concedeu-lhe as dignidades de vizir e marechal. O telegrama que confirmava sua nomeação chegou ao Hejaz em meados de outubro, e o imperial foi expedido em 2 de Ramadã de 1323 A.H. (31 de outubro de 1905). Sua investidura formal, contudo, somente ocorreu em abril de 1908.
O governo de Ali deu continuidade à estreita relação que se havia estabelecido entre o emirado e Amade Ratibe durante os últimos anos de Aune Arrafique. O emir e o governador permaneceram como as principais autoridades do Hejaz, num sistema em que o primeiro conservava considerável influência sobre Meca, as tribos e os assuntos relacionados ao haje, enquanto o segundo representava diretamente a administração imperial. Segundo relatos contemporâneos posteriormente utilizados pela historiografia, continuaram durante seu governo denúncias de abusos e irregularidades administrativas semelhantes às atribuídas ao período de Aune Arrafique. A situação política modificou-se radicalmente com a Revolução dos Jovens Turcos, em julho de 1908, e a restauração da Constituição otomana de 1876. Ali e Amade Ratibe mostraram-se inicialmente hostis à mudança e retardaram a divulgação oficial da restauração constitucional no Hejaz. Em Taife, Ali mandou açoitar homens que discutiam a nova situação política. A notícia da revolução, contudo, chegou à região por cartas, jornais e telegramas, tornando impossível impedir sua divulgação. A Constituição acabou sendo proclamada em Meca, Gidá e Taife. Amade Ratibe jurou fidelidade ao novo regime, enquanto Ali declarou sua adesão à ordem constitucional e ingressou no Comitê para a União e o Progresso.
A mudança de regime enfraqueceu rapidamente a posição das duas autoridades. Amade Ratibe foi destituído em agosto de 1908 e recebeu ordem de dirigir-se a Gidá, onde acabou preso por oficiais ligados ao Comitê para a União e o Progresso. Ali assumiu interinamente as funções de governador, mas também foi obrigado por oficiais constitucionalistas a declarar publicamente sua submissão à nova ordem. Em Taife, prestou juramento sobre o Alcorão de que obedeceria às leis constitucionais. O novo governador, , chegou ao Hejaz em setembro. Ali permaneceu em Taife e recusou inicialmente os pedidos do governador para dirigir-se a Meca. Cazim considerou sua atitude incompatível com a nova situação política e recomendou ao governo central que fosse afastado do emirado. Ali foi finalmente deposto em outubro de 1908. O governo otomano escolheu para substituí-lo seu tio Abede Alilá ibne Maomé, que se encontrava em Constantinopla, mas este morreu subitamente em 2 ou 3 de Xaual de 1326 A.H. (27 ou 28 de outubro de 1908), antes de poder partir para o Hejaz. A sucessão acabou recaindo sobre Huceine Paxá ibne Ali. Ali recebeu ordem de deixar o Hejaz, mas retardou sua partida durante vários meses. Em abril de 1909, Huceine ainda solicitava ao governo sua retirada da região. Ali acabou deixando Meca e estabeleceu-se no Cairo, onde viveu pelo restante da vida. Morreu na capital egípcia em 1360 A.H. (1941), aos cerca de 82 anos.
Bibliografia
Categoria:Árabes do século XIX Categoria:Árabes do século XX Categoria:Xarifes de Meca Categoria:Aúnidas Categoria:Vizires do Império Otomano Categoria:Árabes do Império Otomano