Maomé ibne Abede Almuine ibne Aune (; Meca, – Meca, ) foi um xarife dos Du Aune e emir de Meca de 1827 a 1851 e novamente de 1856 até sua morte. Sua ascensão marcou o estabelecimento dos Du Aune no emirado, em substituição à predominância anteriormente exercida pelos Du Zaíde. Antes de assumir o governo de Meca, exerceu autoridade sobre e regiões de Assir e participou das disputas políticas decorrentes da intervenção de Maomé Ali Paxá na Arábia. Foi escolhido pelo governante egípcio para substituir Iáia ibne Surur em 1827 e conservou o emirado apesar de a Sublime Porta tentar substituí-lo por Abede Almotalibe ibne Galibe durante o conflito com Maomé Ali.
Após a restauração da autoridade otomana direta sobre o Hejaz, permaneceu no governo até ser convocado a Constantinopla e substituído por Abede Almotalibe em 1851. Maomé foi restaurado pela Sublime Porta durante a crise entre Abede Almotalibe e as autoridades otomanas no Hejaz e reassumiu o emirado em 1856. Permaneceu à frente de Meca até morrer em 1858, sendo sucedido por seu filho Abedalá Paxá. Entre seus outros filhos que posteriormente exerceram o emirado estavam Huceine ibne Maomé, Aune Arrafique e Abede Alilá.
Vida
Maomé era filho de Abede Almuine ibne Aune e pertencia aos aúnidas (Du Aune), ramo dos abedálidas (Du Abedalá), que por sua vez constituíam um ramo dos catádidas da linhagem haçânida da dinastia haxemita, descendente do clã dos haxemitas. Nasceu na cidade em 1204 A.H. (1790). Antes de assumir o Emirado de Meca, exerceu durante vários anos autoridade sobre e regiões de Assir. Durante as campanhas de Maomé Ali Paxá contra o Primeiro Estado Saudita, iniciadas em 1811, recebeu também o governo de outras áreas próximas de Assir. Posteriormente entrou em conflito com tribos submetidas à sua administração e solicitou auxílio a Maomé Ali. Embora as forças enviadas pelo paxá lhe permitissem derrotar os revoltosos, Maomé não conseguiu conservar sua posição e retirou-se para o Egito em 1239 A.H. (1824). A oportunidade para assumir o emirado surgiu em 1242 A.H. (1827), quando Iáia ibne Surur foi deposto após a morte do xarife . Enquanto se aguardava a escolha de um novo emir, os xarifes, o cádi e Amade Paxá, comandante da guarnição de Meca, colocaram Abede Almotalibe ibne Galibe interinamente no governo. Maomé Ali Paxá, porém, recusou-se a reconhecer essa escolha. A Sublime Porta enviou-lhe então um firmã deixando em branco o nome do novo emir, para que o paxá indicasse seu candidato. Maomé Ali inseriu o nome de Maomé ibne Abede Almuine, que se encontrava no Egito, e este foi nomeado emir em Safar de 1243 A.H. (setembro de 1827).
Iáia e Abede Almotalibe uniram-se para impedir a entrada do novo emir em Meca, mas Maomé conseguiu entrar na cidade protegido por forças egípcias, após o que seus adversários se retiraram para Taife e Assir. Sua ascensão marcou o estabelecimento dos Du Aune no emirado, em substituição à predominância exercida pelos Du Zaíde. A relação entre Maomé e Maomé Ali tornou-se determinante para a conservação de seu governo. Quando o paxá egípcio se rebelou contra o Império Otomano em 1831, a Sublime Porta, considerando Maomé ligado a ele, destituiu-o e nomeou novamente Abede Almotalibe em 1832. Este, porém, não conseguiu alcançar Meca devido à situação militar, e Maomé continuou exercendo o emirado apesar da oposição do governo imperial. Nos anos seguintes, Maomé participou das campanhas destinadas a submeter tribos revoltadas nas regiões próximas ao Hejaz. Numa expedição contra Assir, suas forças foram derrotadas, e o emir atribuiu o revés à demora do comandante da guarnição de Meca, Amade Paxá, em fornecer-lhe mantimentos. O conflito entre ambos levou Maomé Ali a convocá-los ao Egito. Inicialmente o paxá considerou procedentes as alegações de Maomé, mas Amade conseguiu posteriormente convencê-lo a permitir seu próprio retorno a Meca e a manter o emir no Egito. Essa ausência não representou, contudo, a instituição de outro emir efetivo em Meca. Depois que a Convenção de Londres de 1840 encerrou o conflito entre Maomé Ali e o governo otomano, Maomé regressou do Egito e reassumiu diretamente suas funções. Embora o Hejaz tivesse deixado de estar sob a administração de Maomé Ali, a Sublime Porta acabou confirmando a permanência de Maomé no emirado.
Durante a década seguinte, Maomé colaborou com o governo otomano na consolidação de sua autoridade na Arábia. Por ordem da Sublime Porta, conduziu uma campanha contra , emir do Segundo Estado Saudita em Riade, e conseguiu submetê-lo à autoridade otomana, feito pelo qual recebeu reconhecimento do governo imperial. Apesar desses serviços, em 1267 A.H. (1851) Maomé e seus filhos foram convocados a Constantinopla, e o governo otomano nomeou em seu lugar Abede Almotalibe ibne Galibe, restaurando temporariamente os Du Zaíde no emirado. Maomé permaneceu na capital otomana durante os anos seguintes. O segundo governo de Abede Almotalibe foi marcado por crescentes conflitos com a administração otomana e culminou na crise de 1855, relacionada à tentativa de proibir a importação e a venda de escravos no Hejaz. Diante da oposição do emir e da deterioração de suas relações com o governador de Gidá, , o governo otomano decidiu restaurar Maomé. Sua nomeação foi anunciada em Gidá em 15 ou 17 de novembro de 1855, e o firmã que o reconduzia ao emirado foi expedido em 26 de Rabi Alarrir de 1272 A.H. (5 de janeiro de 1856). Abede Almotalibe recusou-se a aceitar sua deposição e iniciou uma resistência armada. Maomé retornou ao Hejaz e chegou a Meca em 17 de abril de 1856, enquanto os combates prosseguiram até maio, quando Abede Almotalibe foi capturado e posteriormente enviado para Salonica. Maomé permaneceu à frente de Meca até morrer na cidade em 13 de Xabã de 1274 A.H. (29 de março de 1858). Foi sucedido por seu filho Abedalá Paxá. Entre seus outros filhos estavam Ali, Huceine, Aune Arrafique, Sultão e Abede Alilá, além de quatro filhas. Com exceção de Ali e Sultão, todos os filhos mencionados chegaram posteriormente ao emirado de Meca.
Bibliografia
Categoria:Árabes do século XVIII Categoria:Árabes do século XIX Categoria:Xarifes de Meca Categoria:Árabes do Império Otomano Categoria:Aúnidas