Amade ibne Saíde (; m. ) foi um xarife dos zaídidas (Du Zaíde) e emir de Meca em dois períodos em 1770–1773. Irmão de Muçaíde ibne Saíde, assumiu o emirado após a breve passagem de Abedalá ibne Saíde pelo governo, mas foi deposto no mesmo ano por Abedalá ibne Huceine, dos Du Baracate. Recuperou Meca ainda em 1770 e permaneceu no poder até ser derrubado por seu sobrinho Surur ibne Muçaíde em 1773. Nos anos seguintes, tentou repetidamente recuperar o emirado, até ser capturado em 1779 e posteriormente encarcerado em Gidá, onde morreu em 1781.

Vida

Amade era filho de Saíde ibne Sade e pertencia aos zaídidas (Du Zaíde), ramo dos catádidas da linhagem haçânida da dinastia haxemita, descendente do clã dos haxemitas. Sua linhagem era Amade ibne Saíde ibne Sade ibne Zaíde ibne Mucine. Era irmão dos emires Maçude, Muçaíde, Jafar e Abedalá. Após a morte de Muçaíde, em 27 de Moarrão de 1184 A.H. (23 de maio de 1770), Abedalá, que havia sido escolhido pelo falecido emir como sucessor, assumiu o governo. Amade, porém, também reivindicou o emirado, e Abedalá, procurando evitar derramamento de sangue, renunciou em seu favor poucos dias depois. Amade comunicou sua ascensão à corte otomana e aguardava o reconhecimento imperial e a veste de investidura. Antes que chegasse a confirmação de Constantinopla, Ali Bei Alquibir, governante do Egito, interveio na sucessão em favor de Abedalá ibne Huceine, dos Du Baracate. Em 18 de Rabi Alaual de 1184 A.H. (13 de julho de 1770), Abedalá entrou em Meca acompanhado pelas tropas egípcias de e apresentou um firmã falso, sendo proclamado emir no mesmo dia. Amade retirou-se da cidade, encerrando-se seu primeiro governo.

Amade reuniu partidários entre os xarifes e as tribos beduínas e iniciou uma campanha para recuperar o emirado. Depois de novos combates, derrotou as forças de Abedalá e entrou vitorioso em Meca em 23 de Jumada Alarrira de 1184 A.H. (1770), sendo novamente proclamado emir. As tropas egípcias retiraram-se para o Uádi Fátima e depois para Gidá, onde se fortificaram. Amade enviou contra elas uma força composta também por contingentes tribais, que acampou em Gulail, nas proximidades da cidade. Com o auxílio de habitantes de Gidá, seus homens penetraram pela porta iemenita e tomaram a cidade no fim de Jumada Alarrira. Parte dos soldados derrotados fugiu por mar para Iambo e depois para o Egito, acompanhada por Abedalá ibne Huceine. Durante a ocupação, casas de comerciantes e armazéns de Gidá foram saqueados, contribuindo para uma grave escassez de alimentos em Meca e nas regiões vizinhas, que se prolongou até o fim de 1184 A.H. Em 1185 A.H. (1771), Amade procurou esclarecer diretamente as doutrinas do movimento estabelecido no Négede em torno de Maomé ibne Abede Aluaabe. Escreveu a este e a , solicitando que lhe enviassem um estudioso que explicasse suas posições perante os estudiosos de Meca. Foi enviado , que se reuniu com estudiosos da cidade para discutir algumas das questões religiosas em disputa.

Amade permaneceu no poder até 1186 A.H. (1773), quando entrou em conflito com seu sobrinho Surur ibne Muçaíde. A crise começou quando Amade decidiu destituir seu ministro em Gidá, Iúçufe Cabil, e enviou uma ordem para prendê-lo. Surur, então com cerca de dezoito anos, aproveitou a insatisfação contra o tio, reuniu partidários e obteve apoio entre as tribos. Suas forças avançaram sobre Meca e derrotaram Amade, e Surur entrou na cidade no sábado, 13 de Dulcada de 1186 A.H. (6 de fevereiro de 1773), sendo proclamado emir. Amade não aceitou definitivamente a perda do emirado. Durante cerca de sete anos, realizou quinze tentativas de derrubar Surur, recorrendo em diferentes ocasiões ao apoio de tribos e de outros xarifes e procurando também obter o auxílio dos emires do haje egípcio e sírio. Os sucessivos confrontos prolongaram-se até 1193 A.H. (1779), quando Amade foi finalmente derrotado e capturado juntamente com dois de seus filhos. Surur mandou aprisioná-los inicialmente em Iambo e depois transferi-los para Gidá. Um dos filhos de Amade morreu no cárcere, enquanto Amade permaneceu preso até morrer em 20 de Rabi Alarrir de 1195 A.H. (15 de abril de 1781). Após sua morte, seu outro filho foi libertado mediante garantias de que não retomaria a oposição a Surur.

Bibliografia

Categoria:Naturais de Meca Categoria:Árabes do Império Otomano Categoria:Árabes do século XVIII Categoria:Zaídidas Categoria:Xarifes de Meca