Entre 23 e 25 de setembro de 2026, o Presidente da China e Secretário-geral do Partido Comunista Chinês Xi Jinping realiza uma visita de Estado aos Estados Unidos, tendo como anfitrião o Presidente americano Donald Trump. A ocasião marca a segunda visita diplomática do presidente chinês aos Estados Unidos e ocorre exatamente onze anos após a sua visita anterior que ocorreu em 2015, durante o segundo mandato de Barack Obama. Em maio de 2026, Trump realizou sua segunda visita de Estado à China e a primeira em seu segundo mandato presidencial. Durante o encontro, os dois líderes se comprometeram a reduzir as hostilidades comerciais mútuas e cooperar para a desnuclearização do Irã no contexto da guerra iraniano-americana.

Em 23 de setembro, Xi desembarcou com uma restrita comitiva de líderes chineses na Base Aérea Andrews, no estado de Maryland, onde foi recebido pessoalmente por Trump e a Primeira-dama Melania Trump em uma cerimônia de recepção com honras de Estado. O gesto sem precedentes entre os presidentes americanos desde 1962, quando John F. Kennedy recebeu o Primeiro-ministro britânico Harold Macmillan no mesmo local, têm sido interpretado por grande parte da imprensa especializada em relações diplomáticas como um indicador da relevância estratégica das relações sino-americanas no contexto econômico, cultural e geopolítico atuais.

Antecedentes Em 2013, Xi Jinping assumiu o cargo de Secretário-geral do Partido Comunista Chinês e o título honorário equivalente de Presidente da China, sucedendo a Hu Jintao, que estava no poder desde 2008. O início de seu mandato coincidiu com o segundo mandato presidencial de Barack Obama, por sua vez, o primeiro presidente americano a recebê-lo em visita de Estado em novembro de 2015. Dois anos mais tarde, Obama foi sucedido no cargo por Donald Trump, um tradicional crítico da política e economia chinesas. Desde o primeiro mandato presidencial de Trump, relação entre os Estados Unidos e a China governada por Xi têm sido marcada por frequentes episódios de tensões diplomáticas e severidade nas negociações comerciais entre os dois países. Em 2018, a Administração Trump ampliou as tarifas sobre produtos importados chineses, ao que o governo chinês reagiu com reciprocidade comercial e impondo de volta novas tarifas sobre os produtos americanos. A subsequente guerra comercial estendeu-se por meses até a Cúpula do G20 de 2018, quando ambos os presidentes decidiram estabelecer um compromisso mútuo no qual o governo americano reduziria as tarifas sobre produtos chineses, enquanto o governo chinês se comprometeria a incentivar a aquisição de produtos e recursos agrícolas de produtores americanos pelas suas empresas. Apesar dos pontuais contatos diplomáticos, a relação comercial entre os dois países permaneceu tensa e delicada durante todo o restante do mandato de Trump. Por sua vez, ao longo dos anos seguintes, Trump reiterou publicamente suas críticas ao governo chinês em diversas ocasiões. Entre as críticas de Trump neste período, destacaram-se a assistência tecnológica chinesa à Rússia na guerra contra a Ucrânia desde meados de 2023 e o incentivo estatal chinês à suas empresas nacionais frente ao setor empresarial estrangeiro.

Trump deixou o cargo em 2021 e voltou a concorrer em eleição presidencial em 2024, período durante o qual repetiu a maior parte de suas objeções públicas ao governo chinês. Após sua eventual vitória na eleição daquele ano e o início de seu segundo mandato presidencial, em janeiro de 2025, Trump restabeleceu a política de taxação de produtos chineses e de vários outros países. Em contrapartida, em fevereiro do mesmo ano, o governo chinês anunciou reciprocidade na medida, aumentando taxas sobre produtos americanos.

Em 30 de outubro de 2025, Xi e Trump reuniram-se pessoalmente pela primeira vez desde a reeleição deste último. No encontro bilateral na cidade sul-coreana de Busan, os dois líderes concordaram com um pacote de medidas comerciais, como redução mútua nas tarifas comerciais, adiamento de restrições no mercado exportador de terras raras chinesas e cooperação chinesa no combate ao tráfico de substâncias produtoras de fentanil. Durante o encontro, Trump anunciou que planejava visitar a China no ano seguinte e convidou o presidente chinês a visitar os Estados Unidos igualmente.

Visita Na semana da viagem de Estado, Xi manteve poucos compromissos oficiais, a maioria dos quais relacionados ao funcionamento interno do Partido Comunista Chinês. Em 21 de setembro, dois antes do início da viagem ao solo norte-americano, o Presidente chinês liderou uma reunião fechada do Politburo do Partido Comunista que tratou, entre outras questões, da organização para o próximo plenário do Comitê Central. No dia seguinte, em 22 de setembro, Xi publicou uma mensagem oficial de congratulação ao setor agropecuário chinês em função da edição anual do Festival da Colheita dos Agricultores. Ao longo da semana, o governo chinês não publicou notas ou comunicados oficiais descrevendo a viagem de Estado aos Estados Unidos.

23 de setembro thumb|esquerda|250px|O avião presidencial chinês, um Boeing 747-89L da Air China transportando o Presidente Xi Jinping, aterrissa na Base Aérea Andrews, em 23 de setembro de 2026. Em 23 de setembro, Xi decolou de Pequim aproximadamente às 17:03 da tarde em horário local em um Boeing 747-89L de matrícula "B-2479", pertencente à frota da Air China, conforme informado por veículos de imprensa governamentais e apurado por veículos estrangeiros. A aeronave adentrou o espaço aéreo norte-americano através do Alasca e seguiu diretamente para a Base Aérea Andrews, no estado estadunidense de Maryland. A comitiva chinesa era liderada por Xi, acompanhado de sua esposa, Peng Liyuan, e do Diretor do Escritório Central do Partido Comunista Chinês, Cai Qi, e do Ministro das Relações Exteriores Wang Yi.

Por volta de 16:39 em horário local, Trump e a Primeira-dama Melania Trump partiram da Casa Branca, em Washington, D.C., a bordo do Marine One e chegaram à Base Aérea Andrews para recepcionar a comitiva chinesa. Esta foi a primeira vez em mais de cinco décadas em que um presidente estadunidense recebeu pessoalmente o visitante estrangeiro em seu desembarque e não o aguardou na Casa Branca, conforme o protocolo tradicional. A comitiva de Xi aterrissou na Base Aérea Conjunta de Andrews por volta de 17:39 em horário local, com clima parcialmente nublado, e foi recebida por Trump com honras de Estado, incluindo um carpete vermelho reservado à altos dignitários e saudação militar de tropas do Corpo de Fuzileiros Navais. Trump percorreu pessoalmente toda a extensão do carpete vermelho ladeado por tropas americanas em posição de revista e cumprimentou Xi logo ao desembarque. Em seguida, a banda da Força Aérea dos Estados Unidos executou os hinos nacionais dos dois países enquanto dois bombardeiros Rockwell B-1 Lancer sobrevoaram a localidade e as tropas dispararam salvas de 21 tiros de canhões em saudação à visita chinesa. Após uma breve troca de palavras entre os dois líderes e seus respectivos acompanhantes, Trump acompanhou Xi até seu veículo oficial, um modelo Hongqi N701, e embarcou no Cadillac One em retorno à Casa Branca.

Ver também Política externa da segunda presidência de Donald Trump Visita de Estado de Donald Trump à China em 2026 Guerra comercial China–Estados Unidos Crise do Estreito de Ormuz em 2026

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