Anna Marie Farnsworth nasceu em 19 de julho de 1895, em Latour, Missouri, nos Estados Unidos. Ela se formou em química e é considerada uma das pioneiras da química arqueológica, área que utiliza métodos científicos para investigar a composição e a tecnologia de objetos arqueológicos. Ao longo de sua carreira profissional, Farnsworth transitou entre a química acadêmica, a indústria e a arqueologia, desenvolvendo métodos para analisar materiais de origem histórica. Ela morreu em 8 de junho de 1991, aos 95 anos.

Formação acadêmica Farnsworth começou seus estudos no campo científico na Central Missouri State University mas transferiu-se para a University of Chicago. Na universidade, formou-se em 1918 com dois bacharelados, em Física e Química. Posteriormente, deu continuação a sua formação na mesma instituição acadêmica e obteve um Ph.D. em Química em 1922, uma época em que a presença de mulheres em carreiras científicas ainda era bastante limitada e rara.

Sua formação multidisciplinar em física e química foi especialmente importante para sua carreira futura. A graduação permitiu que ela utilizasse técnicas quantitativas e instrumentais para começar a estudar materiais arqueológicos. Foi essa base científica que permitiu Farnsworth a analisar objetos antigos não apenas pelo contexto arqueológico, mas também por sua composição química, estrutura e processos de fabricação.

Carreira profissional Anna Marie Farnsworth iniciou a sua carreira como pesquisadora no Nonmetallic Minerals Experiment Station, estação pertencente ao Bureau of Mines do Departamento do Interior dos Estados Unidos. Posteriormente, trabalhou como professora de química no Washington Square College da New York University. Durante esse período, publicou o livro The Theory and Technique of Quantitative Analysis, em 1928, dedicado em explicitar os métodos de análise quantitativa em química.

Na década de 1930, Farnsworth passou a trabalhar como pesquisadora química no Fogg Art Museum, na Universidade Harvard. Foi nesse ambiente que descobriu seu interesse pela análise científica de objetos arqueológicos. Em 1938, a American School of Classical Studies at Athens a convidou para participar das escavações da Athenian Agora, em Atenas. Ela é considerada uma das primeiras químicas a integrar uma equipe de escavação arqueológica, levando métodos laboratoriais para o estudo dos materiais encontrados durante a escavação.

Em razão da Segunda Guerra Mundial, seu trabalho na Grécia foi interrompido e Farnsworth passou a trabalhar na indústria química. Em 1941, começou a trabalhar para a Metal & Thermit Corporation, em Jersey City, onde permaneceu até sua aposentadoria em 1961. Mesmo durante sua carreira industrial, entretanto, continuou desenvolvendo pesquisas relacionadas à arqueologia e retornou à Grécia para trabalhar em projetos arqueológicos entre 1958 e 1964, quando o panorama político estava mais estável. Mais tarde, ainda ensinou a disciplina “Science for the Archaeologist” na University of Missouri–Columbia.

Pesquisas, contribuições e projetos A principal contribuição científica de Farnsworth foi sua pesquisa sobre a composição e a tecnologia de materiais arqueológicos, especialmente cerâmicas e pigmentos. Durante sua expedição na Grécia, ela estudou materiais provenientes de sítios arqueológicos como Athenian Agora e Corinth para compreender quais matérias-primas haviam sido utilizadas e de que maneira os objetos haviam sido produzidos. Para isso, empregou diferentes técnicas analíticas como a espectroscopia, petrografia e difração de raios X. Além disso, na Grécia Farnsworth também estudou as características da black Attic glaze, um revestimento preto utilizado em vasos áticos, e da intentional red glaze, uma técnica usada para a produção da coloração vermelha específica em cerâmicas do século V a.C.

Ela também realizou pesquisas sobre vidro, bronze, zinco antigo, pigmentos e materiais utilizados em construções antigas. Entre seus trabalhos estavam o estudo espectroscópico de vidro, a investigação de técnicas para limpeza de bronze, a análise metalográfica de zinco antigo encontrado em Atenas, o estudo de pigmentos de Corinto e a pesquisa sobre a composição do cimento ateniense.

Outro aspecto de sua metodologia foi a realização de experimentos de reprodução, isto é, reproduzir determinadas técnicas e materiais para verificar se suas interpretações químicas eram compatíveis com o processo original de produção artesanal que resultou nos objetos estudados. Essa combinação entre análise laboratorial e experimentação ajudava a reconstruir tecnologias antigas e validar suas teorias.

Reconhecimentos O principal reconhecimento de Farnsworth foi o Pomerance Award for Scientific Contributions to Archaeology, concedido pela Archaeological Institute of America (AIA) em 1980. Anna foi a primeira pessoa a receber esse prêmio, criado especialmente para reconhecer contribuições científicas significativas para a arqueologia.

Referências

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