Azevedo Moura & Gertum foi uma empresa brasileira de arquitetura, engenharia e construção civil sediada na cidade de Porto Alegre. Uma das principais e mais produtivas construtoras de seu tempo, responsabilizou-se pelo projeto e a construção de muitos edifícios que hoje fazem parte do patrimônio arquitetônico municipal.

História

A Azevedo Moura & Gertum foi fundada em Porto Alegre em 1924, pelos engenheiros Fernando de Azevedo Moura e Oscar Mostardeiro Gertum, ambos egressos da Escola de Engenharia de Porto Alegre. Azevedo Moura (Porto Alegre, 1897 – Porto Alegre, 1975) depois de formar-se fez estágio no escritório de Ramos de Azevedo em São Paulo, mais tarde foi professor da Faculdade de Arquitetura da UFRGS. Gertum (Porto Alegre, 1898 – São Paulo, 1957) foi também funcionário da Intendência Municipal e da Viação Férrea.Guerra, Lizângela. O I Salão de Outono e a as Artes Visuais em Porto Alegre nos Anos 1920. Universidade Federal do Rio Grande do Sul, 2023, pp. 150-152

A empresa começou a atuar em um período favorável à construção de edifícios imponentes e marcantes, quando os governos estadual e municipal estavam incentivando e promovendo ativamente uma remodelação em larga escala da região central da capital, entendida como a "sala de visitas" do estado, parte de um projeto de afirmação da importância política e econômica do Rio Grande no panorama nacional. Enquanto na década de 1920 ainda prevalecia uma estética eclética, a partir da década de 1930 a modernidade começou a penetrar com força cada vez maior, associada a ideias de progresso, simplicidade, racionalidade e praticidade. O principal marco dessa renovação na década de 1930 foi a Exposição do Centenário Farroupilha de 1935, cujos pavilhões em linhas arrojadas causaram um grande impacto. Essa tendência foi acentuada na década de 1940, quando foram feitas significativas reformas no centro e foi fundado o primeiro curso superior de arquitetura do estado, dominado por arquitetos alinhados ao modernismo, abrindo espaço para um grande florescimento da arquitetura moderna.Marchetto, Kátia Fernanda. Habitar o Patrimônio Moderno. Universidade Federal do Rio Grande do Sul, 2017, pp. 97-98Bello, Helton Estivalet. "Modelos, planos e realizações urbanísticas em Porto Alegre". In: Arquitetura Revista, 2006; 2 (2) Na década de 1950 a cidade experimentou o maior crescimento edilício de sua história, alterando significativamente a morfologia urbana.

Foi uma empresa de grande porte, atuou em todo o estado, com pelo menos 853 projetos identificados, responsabilizou-se por grande parte das obras que deram uma nova feição à paisagem urbana porto-alegrense entre o final da década de 1920 até os anos 1980,Hädrich, Caroline. "José Lutzenberger (1882–1951) e a obra de arte total no Palácio do Comércio em Porto Alegre (1936–1940)". Universidade Federal do Rio Grande do Sul, 2017, p. 64 construiu os primeiros arranha-céus da cidade e desempenhou um papel importante no seu processo de verticalização e modernização.Marchetto, p. 106 Apresentou projetos no I Salão de Outono de 1925 e na Exposição do Centenário Farroupilha de 1935. Seu período de maior atividade se prolongou até a década de 1960, quando o modernismo já era a linguagem dominante, permanecendo ativa até 1993. Apesar da sua importância para a modernidade, seus projetos não se limitaram a esta estética, realizando obras em estilos diversificados.Jacondino, Raquel Stone & Caruccio, Margot Inês Villas Boas. "Acervo Azevedo Moura & Gertum". In: 14º Salão de iniciação Científica. UFRGS, 2002

Em sua história contratou dezenas de profissionais notáveis, incluindo engenheiros, arquitetos e desenhistas como Fernando Corona, Egon Weindorfer, Agnello Nilo de Lucca, Ernani Müzell, João Antônio Monteiro Neto, Francisco Riopardense de Macedo, Arnaldo Gladosch, Román Fresnedo Siri e Cláudio Araújo, e formou gerações de novos profissionais. As equipes eram formadas de acordo com as necessidades de cada empreitada e com as competências de cada profissional, dividindo o trabalho entre os especializados em plantas-baixas, em fachadas, em cálculos estruturais e em execução.Lima,Raquel Rodrigues & Canez, Anna Paula. "A bordo do Guaspari". In: Arquitetura Revista, 2018; 14 (1): 41-47

Segundo Canez et alii, hoje a empresa "é lembrada principalmente pela qualidade de suas obras e pelo uso da tecnologia do concreto armado, sendo objeto de estudos de recentes investigações de pós-graduação".Canez, Anna Paula Moura et alii. "Acervos Azevedo Moura & Gertum e João Alberto Fonseca da Silva: Memória da Arquitetura Moderna em Porto Alegre". In: 5º Seminário Docomomo Brasil. São Carlos, 2003 Segundo Célia Gonsales, é considerada uma "pioneira no uso de novas técnicas construtivas. [...] A conquista de excelência no uso da técnica do concreto armado e, a partir desta, na construção de edifícios em altura, foi o grande destaque da construtora Azevedo Moura & Gertum".

Seu arquivo é preservado pelo Laboratório de História e Teoria da Arquitetura da UniRitter, composto por mais de 25 mil documentos técnicos e cerca de 3 mil fotografias, e para Catafesta et alii, "constitui um dos mais relevantes registros da construção da modernidade arquitetônica em Porto Alegre entre as décadas de 1920 e 1980".Catafesta, Manuela etalii. "Acervo AMG em movimento: caminhada patrimonial". In: Anais do IV Simpósio de Pesquisa Ecossistema Âmima, 2025 Na Semana Acadêmica da UniRitter de 2025, foi organizada a Caminhada Patrimonial AMG, articulando atividades de pesquisa, ensino e extensão universitária, a fim de estimular o contato da população com o legado arquitetônico da empresa.

Obras Entre suas principais obras de projeto e construção estão:

Em Porto Alegre: Cinema Imperial (projetado por Agnello Nilo De Lucca e Egon Weindorfer, tombado).Lista bens Tombados e Inventariados em Porto Alegre. Prefeitura de Porto Alegre, sem data, p. 5 Edifício Jaguaribe (Fernando Corona e Luís Fernando Corona, inventariado), um dos destaques da Avenida Salgado Filho, uma das áreas mais representativas da arquitetura modernista da cidade.Marchetto, pp. 121-122Lista bens Tombados e Inventariados em Porto Alegre. Prefeitura de Porto Alegre, sem data, p. 94 Edifício Guaspari (Fernando Corona e Egon Weindorfer, inventariado), segundo Caroline Fiabane, "um dos símbolos mais explícitos da modernidade".Fiabane, Caroline. A Moda pela Revista do Globo: Imagens de Moda, Arte e Design veiculadas pelo periódico nos anos 1930. Universidade Federal do Rio Grande do Sul, 2025, p.Lista bens Tombados e Inventariados em Porto Alegre. Prefeitura de Porto Alegre, sem data, p. 11 Sede do Sulbanco (Guido Trein, inventariado).Lista bens Tombados e Inventariados em Porto Alegre. Prefeitura de Porto Alegre, sem data, p. 47

Hipódromo do Cristal (Roman Fresnedo Siri, executado com algumas modificações, tombado), que de acordo com Larissa Rodrigues é uma "obra icônica" e "se destaca não apenas por suas qualidades estéticas e plásticas na manipulação de materiais modernos, mas também por sua dinâmica espacial".Rodrigues, Larissa. Fresnedo Siri e a Difusão da Arquitetura Moderna Uruguaia e da Escola Carioca no interior do Rio Grande do Sul: do Edifício Esplanada ao Edifício Augusto. Universidade Federal de Santa Maria, 2025, p. 23-24 Edifício Esplanada (Roman Fresnedo Siri, inventariado), "um marco da arquitetura moderna em Porto Alegre, destacando-se por sua linguagem arquitetônica inovadora, soluções estruturais avançadas e influência no desenvolvimento do modernismo na cidade".Rodrigues, p. 80Lista bens Tombados e Inventariados em Porto Alegre. Prefeitura de Porto Alegre, sem data, p. 84 Edifício Santa Rosa (Fernando Corona). Edifício Santa Helena (Fernando Corona).

Instituto de Educação General Flores da Cunha (Fernando Corona, tombado em nível municipal e estadual). Azambuja, Júlia Rodrigues de; Conedera, Juliana Fontoura; Lima, Raquel Rodrigues. "Paisagem urbana e representatividade histórica das radiais de Porto Alegre: a Avenida Osvaldo Aranha". In: Brazilian Journal of Development, 2020; 6 (6): 35009-35044 Galeria Chaves (Agnelo de Lucca, Egon Weindorfer e Fernando Corona, tombada), a primeira galeria comercial da cidade, louvada na imprensa em sua inauguração como "um melhoramento cuja importância merece todo o relevo. Vem dar a esta nossa cidade, que ainda conserva alguma coisa de seu antigo aspecto colonial, um tom marcado de cidade europeia, mas, sobretudo, constituirá uma grande comodidade para a população. [...] Comodidade, elegância, distinção, eis, em suma, o que vem trazer a Porto Alegre a Galeria Chaves".Lopes, Rosane. "A primeira galeria da cidade". Rua da Margem, 22 de junho de 2018 Sede do Porto Alegre Country Club (Azevedo Moura & Gertum, autor específico desconhecido), o primeiro prédio neocolonial da cidade.Schäffer, Barbara. Porto Alegre, Arquitetura e Estilo - 1880 a 1930. Universidade Federal do Rio Grande do Sul, 2011, p. 70

Grupo de casas geminadas da rua Félix da Cunha (Egon Weindorfer, tombado)."Casas salvas da demolição". Sul 21, 16 de outubro de 2011

Em Pelotas: Palácio do Comércio para sede da Associação Comercial (Fernando Corona), então o mais alto da cidade, aclamado na imprensa da época como "majestoso", "grandioso", "soberbo", "moderno", "principal edifício da cidade".Gonsales, Célia. "O Palácio de Fernando Corona em Pelotas: inovador, renovador, conservador". In: Arquitetura Revista, 2015, 11 (2)

Nas obras que somente construiu em Porto Alegre destacam-se:

Asilo de Mendicidade Padre Cacique (autor desconhecido, tombado).Schäffer, p. 106"Certidão nº 22649374/2023". Prefeitura de Porto Alegre, 2023 Edifício Sulacap (projetado por Roberto Capello e Arnaldo Gladosch, inventariado); ao ser inaugurado era o maior de Porto Alegre.Staudt, Leandro. "Sulacap: o maior e mais suntuoso edifício de Porto Alegre na década de 1940". Zero Hora, 26 de dezembro de 2022Lista bens Tombados e Inventariados em Porto Alegre. Prefeitura de Porto Alegre, sem data, p. 5 Mercado Central – CEASA (Cláudio Araújo, Carlos Fayet e outros). Centro de Saúde Modelo (Ruy Onório Bacelar e Cristiano de La Paix Gelbert, inventariado), então o principal posto de saúde do estado."Centro de Saúde Modelo". Museu de História da Medicina, 2021Lista bens Tombados e Inventariados em Porto Alegre. Prefeitura de Porto Alegre, sem data, p. 56 Palácio do Comércio (Joseph Lutzenberger, inventariado), considerado em sua inauguração motivo de orgulho para a cidade, um sinal claro do progresso porto-alegrense e da pujança da sua classe comercial, e hoje um importante ícone da arquitetura porto-alegrense.Hädrich, Caroline. "O processo de invisibilidade do Palácio do Comércio de Porto Alegre". In: Temporalidades — Revista de História, 2020; 12 (1) — Dossiê Temático Pensar e fazer cidades: história urbana e patrimônio culturalLista bens Tombados e Inventariados em Porto Alegre. Prefeitura de Porto Alegre, sem data, p. 60

Ver também Arquitetura de Porto Alegre

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