Garjainia é um gênero extinto de réptil arcossauriforme eritrosuchídeo do Olenekiano da Rússia e da África do Sul. Ele contém duas espécies, Garjainia prima, do Supergorizont Yarkenskian da Rússia, e Garjainia madiba, da Formação Burgersdorp (Zona de Agrupamento Cynognathus A) da África do Sul. "Vjuskovia triplicostata", nome atribuído a alguns fósseis de eritrosuchídeos da Rússia, foi sinonimizado com Garjainia prima.
Descoberta
Garjainia prima foi descoberto pela primeira vez por um agricultor em uma pequena vila na Rússia. A data exata da descoberta é desconhecida, mas acredita-se que tenha ocorrido em algum momento no início da década de 1950. Uma descoberta posterior foi a de G. madiba, encontrada na África do Sul na década de 1960 na forma de diversos restos isolados, desarticulados e fragmentários espalhados pela localidade, sendo atribuídos a uma única espécie devido à proximidade. Na mesma localidade, também foi encontrado outro eritrossuquídeo muito maior, denominado Erythrosuchus africanus, que foi um dos maiores predadores terrestres do início do período Triássico (há 250 milhões de anos).
Descrição thumb|esquerda|Restauração de G. madiba Além de seu tamanho muito menor, era bastante semelhante ao seu parente próximo, o Erythrosuchus. O crânio era muito grande e extremamente robusto; a mandíbula forte estava armada com dentes robustos e curvos, e o focinho era alto e estreito. As patas eram curtas, porém robustas, enquanto a cauda era mais curta do que a de outros arqueossauriformes primitivos, como o Proterosuchus. O úmero da Garjainia era robusto, a escápula tinha formato de ampulheta e as costelas dorsais eram muito alongadas, conferindo ao animal um perfil elevado. Os ossos pré-frontais do topo do crânio projetavam-se acentuadamente para os lados, acima e à frente das órbitas, resultando em "supercílios" proeminentes. thumb|Diagrama do crânio do holótipo nas vistas dorsal (topo) e lateral esquerda (parte inferior) A espécie africana G. prima difere da russa G. madiba pela presença de grandes protuberâncias ósseas nas superfícies laterais dos ossos jugal e pós-orbital. A G. madiba também apresenta um número maior de dentes e um processo pós-acetabular do ílio mais alongado. As protuberâncias da G. madiba não são observadas em outros eritrossuquídeos. A razão para a presença dessas protuberâncias é desconhecida; hipóteses possíveis incluem sinais de maturidade ou dimorfismo sexual. Essas protuberâncias constituem uma das autapomorfias da Garjainia madiba.
Classificação Garjainia era um arcossauriforme eritrossuquídeo. Foi descrito originalmente pelo pesquisador soviético V. G. Otschev, que a classificou em sua própria família, Garjainidae. No entanto, outro cientista soviético, Tatarinov, considerou os gêneros Erythrosuchus e Garjainia como sinônimos. Desde então, Garjainia tem sido classificado como um gênero distinto, integrante da família Erythrosuchidae. Além disso, destacou-se a presença de muitas características primitivas nesse animal, o que levou a sugestões de que Garjainia representaria uma forma de transição entre os Proterosuchidae (uma linhagem ampla e provavelmente parafilética) e a família Erythrosuchidae.
Abaixo está um cladograma baseado na filogenia de Parrish (1992).
Ligações externas
Categoria:Erythrosuchidae Categoria:Gêneros de répteis pré-históricos Categoria:Répteis do Triássico Inferior da África Categoria:Espécies fósseis descritas em 1958