Norberto Gonçalves da Cruz (Caracas, 1979) é um bandolinista, compositor, professor e director artístico português, nascido na Venezuela. Iniciou a aprendizagem do bandolim ainda criança, na Madeira, recebendo em 1999 uma bolsa do Governo Regional para prosseguir estudos superiores do instrumento em L'Aquila, na Itália. A sua actividade desenvolveu-se como intérprete, em formações de música de câmara e orquestrais, e posteriormente também no ensino, composição e direcção artística.

Formação e primeiros anos Cruz nasceu em Caracas em 1979, interessando-se pelo bandolim através do avô, executante amador do instrumento. Aos dez anos ingressou no então Gabinete Coordenador de Educação Artística da Madeira, onde estudou bandolim com Virgílio Caldeira. A partir dos quinze anos orientou a formação para o repertório erudito.

Aos dezassete anos apresentou-se como solista com a Orquestra Clássica da Madeira, ao lado do irmão Carlos Alberto Gonçalves da Cruz, interpretando o Concerto em Sol Maior de Vivaldi para dois bandolins. Em Julho de 1999 voltou a actuar com a orquestra no concerto «Jovens Músicos», interpretando ao bandolim «O Verão», de As Quatro Estações. Nessa altura integrava também a Orquestra de Palheta do Gabinete Coordenador de Educação Artística, à qual estava ligado desde 1990.

Ainda em 1999 foi admitido no Conservatório Alfredo Casella, em L'Aquila. A 14 de Outubro desse ano, o Conselho do Governo Regional da Madeira aprovou uma bolsa de estudos no valor de 4 900 000 escudos para custear a frequência de estudos superiores de bandolim naquela instituição. Concluiu a licenciatura em bandolim em 2006, sob orientação de Dorina Frati, realizando posteriormente um mestrado em Formação Musical e Classes de Conjunto na Escola Superior de Artes Aplicadas, concluído em 2015.

Carreira Durante a permanência em Itália, Cruz integrou projectos orquestrais e de música de câmara. Em 2012, por ocasião de uma actuação como solista da Orquestra Sinfónica Municipal de Campo Grande, o jornal brasileiro Campo Grande News referiu apresentações suas em Itália, Áustria, Espanha, Bulgária e Estónia, assim como trabalhos no Teatro alla Scala, no Teatro La Fenice e no Teatro Massimo, sob direcção de maestros como Riccardo Muti e Mstislav Rostropovich.

Durante os estudos em L'Aquila conheceu os músicos italianos Emanuele e Valdimiro Buzi, com quem participou na criação do Quintetto a Plettro Giuseppe Anedda. Numa entrevista publicada em 2012, Emanuele Buzi atribuiu a Cruz a proposta de criação do conjunto em homenagem ao bandolinista Giuseppe Anedda. O grupo viria a actuar, entre outros locais, na Cappella Paolina do Palácio do Quirinal e a trabalhar em repertório de Ennio Morricone.

Uma crítica publicada em Março de 2012 por Il Corriere Musicale, a propósito de um concerto do Quintetto Giuseppe Anedda em Palermo, destacou individualmente a interpretação de Cruz no Concerto em Lá maior de Cecere. No mesmo ano, o quinteto realizou uma digressão por cidades italianas associada às comemorações do centenário do nascimento de Giuseppe Anedda; as celebrações receberam uma medalha de representação do Presidente da República Italiana.

Em Maio de 2013 fez parte da formação inicial do Funchal Baroque Ensemble, então denominado «O Sonho de Orpheu», tocando bandolim e bandola.

Em 2021 participou como solista no primeiro Festival de Música do Pantanal, no Mato Grosso do Sul, no contexto de uma parceria entre a Associação de Bandolins da Madeira e o Instituto Moinho Cultural Sul-Americano. Para o festival gravou um concerto para bandolim com músicos da Orquestra de Câmara do Pantanal e da Orquestra Sinfónica Municipal de Campo Grande, participando numa palestra sobre o bandolim na música de concerto. Em 2024 foi uma das atracções musicais da 23.ª edição do Festival de Inverno de Bonito, no Brasil.

Ensino e direcção artística O catálogo do Ibermúsicas regista Cruz como professor de bandolim no Conservatório – Escola Profissional das Artes da Madeira e como director artístico da Associação de Bandolins da Madeira. Em 2021, era identificado como presidente da associação, no âmbito da cooperação desenvolvida com o Instituto Moinho Cultural Sul-Americano. A Associação de Bandolins da Madeira mantém-no actualmente como responsável pela sua direcção artística.

Criação artística Além da actividade como intérprete, Cruz desenvolveu trabalho de composição e direcção de espectáculos. Em 2009 apresentou NGC – Novo Mundo, obra encomendada para o Festival Raízes do Atlântico.

Em 2021 estreou o espectáculo de teatro musical Ezequiel. O processo de criação foi também apresentado numa exposição intitulada «Norberto Cruz, a caminho de Ezequiel», realizada na Galeria Espaçomar, no Funchal. A obra viria a ser objecto específico de uma dissertação de mestrado em Gestão Cultural apresentada à Universidade da Madeira em 2025. O estudo de Luísa Marta Nunes Oliveira analisou Ezequiel como uma produção de teatro musical que combina teatro, dança e música com tecnologias multimédia, incluindo projecção interactiva e som envolvente.

Em 2023 criou e assumiu a direcção artística do concerto GAIA, produzido pela Associação de Bandolins da Madeira. A obra estreou no Auditório do Jardim Municipal do Funchal, tendo posteriormente apresentações no Centro das Artes - Casa das Mudas, na Calheta, e no Fórum Machico.

Categoria:Nascidos em 1979 Categoria:Naturais de Caracas Categoria:Bandolinistas de Portugal Categoria:Músicos da Madeira Categoria:Compositores de Portugal