Alaçuade ibne Almotalibe () foi um coraixita do clã dos açaditas, filho de Almotalibe e neto de , epônimo do clã. Conhecido pela cúnia Abu Zama, figurou entre os opositores de Maomé em Meca e permaneceu envolvido nos assuntos dos coraixitas durante os primeiros anos do Islã. Já idoso e cego, Alaçuade perdeu três descendentes na Batalha de Badre, em 624: seus filhos Zama e Aquil e seu neto Alharite ibne Zama. A tradição preservou uma elegia que teria composto em memória dos mortos, após os coraixitas inicialmente evitarem manifestações públicas de luto pela derrota. Depois de Badre, Alaçuade continuou participando das decisões coraixitas, chegando a aconselhar Safuane ibne Omaia sobre uma rota comercial alternativa pelo Iraque. Morreu em Meca durante os preparativos para a Batalha de Uude, em 625, quando estaria próximo dos cem anos de idade.
Vida
Alaçuade ibne Almotalibe era um coraixita do clã dos açaditas, filho de Almotalibe e neto de , epônimo do clã. Era conhecido pela cúnia Abu Zama e viveu até idade avançada, permanecendo em Meca durante o período inicial da pregação de Maomé. As tradições islâmicas incluem-no entre os opositores do profeta em Meca. Albaladuri preserva uma tradição segundo a qual o próprio Alaçuade teria afirmado que rogara para que Maomé fosse expulso de seu povo e de sua terra, enquanto Maomé teria rogado para que ele perdesse a visão e seus filhos; Alaçuade, que ficou cego, teria interpretado posteriormente suas desgraças nesses termos.
Alaçuade teve vários filhos, entre eles Zama e Aquil. A derrota coraixita na Batalha de Badre, em 624, atingiu particularmente sua família. Segundo Ibne Isaque, preservado por Ibne Hixame, três de seus descendentes morreram na batalha: Zama, Aquil e Alharite, filho de Zama. Aluaquidi transmite a mesma tradição e relata que, após a derrota, os coraixitas decidiram não lamentar publicamente seus mortos, receosos de que a notícia de seu sofrimento chegasse a Maomé e seus seguidores. Já cego, Alaçuade desejava chorar seus familiares, sobretudo Zama, a quem se refere pela cúnia Abu Hucaima. Em algumas ocasiões, dirigia-se acompanhado de um escravo a um desfiladeiro, onde bebia vinho e chorava secretamente por Zama e seus irmãos, pedindo ao escravo que não revelasse seu comportamento aos demais coraixitas.
Em outra tradição, Alaçuade ouviu durante a noite uma mulher chorando e perguntou ao escravo se os coraixitas haviam finalmente começado a lamentar seus mortos, dizendo que desejava chorar Abu Hucaima e que sua dor o consumia. O escravo verificou que a mulher lamentava apenas a perda de um camelo. Alaçuade teria então composto uma elegia na qual contrapôs o animal perdido aos mortos de Badre e lamentou Aquil, Alharite e Zama, além dos membros dos maquezumitas e de outros grupos coraixitas mortos na batalha:
Os versos terminam, assim, observando que outros homens haviam alcançado a liderança após a morte daqueles e que, não fosse Badre, não a teriam alcançado. Alaçuade continuou envolvido nos assuntos dos coraixitas depois de Badre. Quando as ações dos muçulmanos tornaram perigosa a tradicional rota comercial costeira entre Meca e a Síria, aconselhou Safuane ibne Omaia a abandonar a costa e utilizar uma rota pelo Iraque. Diante da afirmação de Safuane de que desconhecia esse caminho, Alaçuade recomendou Furate ibne Haiane, que conhecia a rota. Safuane aceitou a proposta e enviou Alaçuade juntamente com Furate, confiando-lhes trezentos meticais de ouro e moedas de prata; outros comerciantes coraixitas também participaram da caravana. Alaçuade morreu em Meca pouco depois, durante os preparativos coraixitas para a Batalha de Uude, em 625. Segundo uma informação de Aluaquidi preservada por Albaladuri, encontrava-se doente, mas ainda incitava e encorajava os coraixitas a combater, e estava próximo dos cem anos de idade quando morreu.
Bibliografia
Categoria:Pessoas cegas Categoria:Árabes do século VI Categoria:Árabes do século VII Categoria:Açaditas (coraixitas)