Adelaide Ginga (Lisboa, 12 de abril de 1971) é uma historiadora de arte, curadora e museóloga portuguesa. Desenvolveu atividade nas áreas da curadoria de arte moderna e arte contemporânea, política cultural e internacionalização das artes.

Foi subdiretora do Instituto das Artes, desenvolveu atividade curatorial no Museu Nacional de Arte Contemporânea (MNAC) e dirigiu projetos de representação e cooperação artística internacional. É diretora do Museu de Arte Contemporânea Armando Martins (MACAM), em Lisboa.

Formação e investigação

Ginga licenciou-se em História da Arte pela Faculdade de Ciências Sociais e Humanas da Universidade Nova de Lisboa, em 1994, e concluiu o mestrado em História Contemporânea na mesma instituição, em 1999.

Em 1999, a sua investigação A Aventura Surrealista. Da explosão à extinção de um movimento (ou não) recebeu o Prémio Victor de Sá de História Contemporânea, atribuído pela Universidade do Minho.

A investigação esteve na origem do livro A Aventura Surrealista: O movimento em Portugal do casulo à transfiguração, publicado em 2001.

Em 2003 concluiu o Curso de Curadoria e Organização de Exposições da Escola Superior de Belas-Artes de Lisboa, realizado em parceria com a Fundação Calouste Gulbenkian.

Percurso profissional

Instituto de Arte Contemporânea e Instituto das Artes

Em 2001, Ginga iniciou funções como especialista em arte contemporânea no Instituto de Arte Contemporânea (IAC), sob a direção de Fernando Calhau.

Com a transição do IAC para o Instituto das Artes (IA), passou a coordenar o Gabinete de Internacionalização.

Em janeiro de 2006 foi nomeada, em comissão de serviço, subdiretora do Instituto das Artes pela ministra da Cultura Isabel Pires de Lima, com efeitos a partir de 4 de janeiro daquele ano.

Enquanto subdiretora foi responsável pelas áreas das artes visuais, arquitetura e internacionalização. Nesse período esteve ligada à organização de representações portuguesas em eventos internacionais de artes visuais e arquitetura, incluindo as Bienais de Veneza e São Paulo.

Em maio de 2006, o Diário de Notícias entrevistou-a sobre a participação portuguesa nas bienais internacionais, residências artísticas e políticas de internacionalização e cooperação desenvolvidas pelo Instituto das Artes.

Bienal Internacional de Arte e Cultura de São Tomé e Príncipe

Em 2007, Ginga assumiu o projeto de renovação da Bienal Internacional de Arte e Cultura de São Tomé e Príncipe.

Foi comissária-geral da quinta edição, realizada em 2008, e da sexta edição, em 2011.

A sexta Bienal, subordinada ao tema Património(s), deu continuidade ao projeto iniciado em 2008 sob a sua orientação curatorial. A programação incluiu artes visuais, residências artísticas, projetos relacionados com património arquitetónico e linguístico, fotografia, cinema, conferências e atividades educativas.

Museu Nacional de Arte Contemporânea

A partir de 2008, Ginga desenvolveu atividade curatorial e de investigação no Museu Nacional de Arte Contemporânea (MNAC), em Lisboa.

Em 2010 foi curadora de Nadir Afonso — Sem Limites, dedicada ao percurso artístico de Nadir Afonso. A exposição deu origem a uma publicação coordenada por Ginga.

Em 2014 comissariou Pires Vieira — Antológica: Da Pintura à Pintura, dedicada a cerca de 45 anos do percurso artístico de Pires Vieira.

Em 2020, juntamente com Emília Tavares, foi curadora de Dissonâncias — Coleção MNAC: Aquisições e Doações 2010–2020, exposição que reuniu obras incorporadas na coleção do museu através de aquisições e doações ao longo da década anterior.

Cravos e Veludo

Um dos projetos internacionais desenvolvidos durante o seu percurso curatorial foi Cravos e Veludo — Arte e Revolução em Portugal e na Checoslováquia 1968–1974–1989, realizado conjuntamente com a curadora checa Sandra Baborovská e resultante de uma colaboração entre o MNAC e a Galeria da Cidade de Praga (GHMP).

O projeto estabeleceu um diálogo entre a produção artística portuguesa e checoslovaca e os respetivos contextos políticos e sociais, tendo como referências a Primavera de Praga de 1968, a abertura política em Portugal no final da década de 1960, a Revolução dos Cravos de 1974 e a Revolução de Veludo de 1989.

Resultado de um processo de investigação desenvolvido entre as duas instituições, a exposição foi apresentada pela primeira vez na Galeria da Cidade de Praga em 2019, no contexto do 30.º aniversário da Revolução de Veludo. Em 2024, o projeto foi apresentado no MNAC, em Lisboa, com curadoria de Adelaide Ginga e Sandra Baborovská, no contexto das comemorações dos 50 anos da Revolução dos Cravos.

A exposição esteve patente entre 20 de julho e 27 de outubro de 2024. A Fundação Calouste Gulbenkian documentou a relação entre as duas apresentações, identificando a exposição de Lisboa como decorrente da mostra inaugurada em Praga em 29 de abril de 2019 e da parceria entre o MNAC e a GHMP.

O projeto deu também origem a uma publicação trilingue, em português, checo e inglês.

Outros projetos curatoriais

Ginga participou também em projetos curatoriais noutras instituições. Foi, com Luísa Santos, curadora de Miguel Palma: A–Z, apresentado no Project Room do Museu de Arte, Arquitetura e Tecnologia (MAAT), em Lisboa. O projeto reuniu cerca de trezentos trabalhos sobre papel de Miguel Palma e deu origem a uma publicação bilingue editada pela Fundação EDP em 2018, incluindo uma entrevista ao artista realizada por Adelaide Ginga.

2019 — Pontes Aladas – Exposição Coletiva de Arte Contemporânea Portugal–China — Galeria Bela Vista, Residência Oficial do Cônsul-Geral de Portugal em Macau e Hong Kong. Curadoria de Adelaide Ginga. Organizada pelo Instituto Português do Oriente (IPOR), em parceria com o Museu Nacional de Arte Contemporânea (MNAC).

Museu de Arte Contemporânea Armando Martins

Ginga integrou o desenvolvimento do projeto do Museu de Arte Contemporânea Armando Martins (MACAM), em Lisboa, criado a partir da coleção constituída pelo empresário e colecionador Armando Martins.

Antes da abertura do museu, era já publicamente identificada como responsável pela sua direção artística.

O MACAM abriu ao público em março de 2025, tendo Ginga assumido a direção do museu e a orientação da sua programação artística e curatorial.

Instalado no antigo Palácio dos Condes da Ribeira Grande, na Junqueira, em Lisboa, o museu apresenta a coleção de arte moderna e contemporânea portuguesa e internacional constituída por Armando Martins, paralelamente a uma programação de exposições temporárias.

Publicações selecionadas

A Aventura Surrealista: O movimento em Portugal do casulo à transfiguração. Lisboa: Edições Colibri, 2001.

Nadir Afonso: Sem Limites / Without Limits. Coordenação de Adelaide Ginga, 2010.

Pires Vieira — Antológica: Da Pintura à Pintura. 2014.

Miguel Palma: A–Z. Fundação EDP, 2018.

Cravos e Veludo — Arte e Revolução em Portugal e na Checoslováquia 1968–1974–1989. Prague City Gallery/MNAC, 2019.

Prémios

Prémio Victor de Sá de História Contemporânea (1999), atribuído pela Universidade do Minho por A Aventura Surrealista. Da explosão à extinção de um movimento (ou não).

Referências

Categoria:Naturais de Lisboa

Categoria:Curadores de Portugal

Categoria:Museólogos de Portugal

Categoria:Alumni da Universidade Nova de Lisboa