A Casa de Alarcame () foi uma residência em Meca pertencente a Alarcame ibne Abi Alarcame, um dos primeiros convertidos ao islão. Situada nas proximidades de Safá, foi utilizada por Maomé nos primeiros anos de sua pregação como local de reunião, instrução e oração de seus seguidores e de recepção de novos adeptos, tornando-se um dos primeiros centros da comunidade muçulmana. Seu uso com essa finalidade é tradicionalmente situado até a conversão de Omar, quando os muçulmanos passaram a manifestar sua religião mais abertamente.

Após a Hégira, a casa permaneceu com Alarcame e seus descendentes até o período do Califado Abássida, quando passou às mãos do califa Almançor e posteriormente de Almadi . Este a entregou a Alcaizurane, que a reconstruiu e a transformou em local de oração, passando o edifício a ser conhecido também como Casa de Alcaizurane (Dār al-Khayzurān). A antiga residência continuou a ser visitada em razão de sua associação com os primeiros anos do islão até ser demolida no durante as ampliações da Grande Mesquita de Meca.

História

A Casa de Alarcame era uma residência pertencente a Alarcame ibne Abi Alarcame, situada em Meca, nas proximidades de Safá e dentro dos limites do recinto sagrado. Nos primeiros anos da pregação de Maomé, a casa passou a ser utilizada como local de reunião de seus seguidores. Sua posição oferecia condições favoráveis para esse uso: além de pertencer a Alarcame, um dos primeiros convertidos ao islão, encontrava-se numa área que permitia aos muçulmanos reunirem-se e manterem contato com as pessoas que chegavam a Meca. Na residência, Maomé reunia-se com seus seguidores, ensinava-lhes os versículos do Alcorão que haviam sido revelados e realizava atividades de pregação e instrução religiosa. Novos adeptos também eram recebidos no local e ali declaravam sua conversão. Watt descreve a casa como o centro da nova comunidade muçulmana durante esse período e observa, com base em Ibne Sade, que conversões e outros acontecimentos ocorreram nela enquanto Maomé a utilizava. A residência continha ainda um espaço destinado à oração, descrito nas fontes pelos termos masjid ou qubba.

O período durante o qual a casa desempenhou essa função é tradicionalmente relacionado à conversão de Omar. Segundo os relatos transmitidos pelas fontes islâmicas, Maomé permaneceu utilizando a residência como centro de suas atividades até que a adesão de Omar fortaleceu os muçulmanos e lhes permitiu manifestar sua religião de maneira mais aberta. Por essa razão, a conversão de Omar costuma ser tomada como marco para o encerramento dessa fase da história da casa. Após a Hégira e o estabelecimento da comunidade muçulmana em Medina, a casa permaneceu como propriedade de Alarcame e posteriormente passou a seus descendentes. Alarcame havia determinado que a residência, situada junto a Safá, permanecesse como propriedade de seus filhos, não podendo ser vendida nem herdada por terceiros enquanto seus descendentes existissem. A casa permaneceu na família durante as primeiras gerações do islão, adquirindo importância também pela memória de seu uso por Maomé.

Durante o Califado Abássida, a propriedade deixou de pertencer à família. O califa Almançor adquiriu a participação dos descendentes de Alarcame na casa, que posteriormente passou a seu filho e sucessor Almadi . Este a entregou a Alcaizurane, mãe dos califas Alhadi e Harune Arraxide . Alcaizurane mandou reconstruir o edifício e transformá-lo em um local de oração, e a residência passou a ser conhecida também como Casa de Alcaizurane (Dār al-Khayzurān). A antiga residência sofreu novas intervenções ao longo dos séculos seguintes e continuou a ser visitada em razão de sua associação com os primeiros anos do islão. O edifício acabou integrado às sucessivas transformações da área de Safá e da Grande Mesquita de Meca. No , durante as obras de ampliação do recinto da mesquita e de reorganização da área de Safá e Marua, a construção foi demolida, deixando de existir como edifício independente.

Bibliografia

Categoria:Construções de Meca