A eleição municipal da cidade brasileira de Irati em 2016 foi realizada em 2 de outubro de 2016, como parte das eleições municipais brasileiras de 2016, para eleger um prefeito, um vice-prefeito e dez vereadores para mandatos entre 2017 e 2020. Como o município possuía menos de 200 mil eleitores, não havia possibilidade de segundo turno.

O então prefeito, Odilon Burgath, eleito pelo PT em 2012, deixou a legenda em março de 2016 e disputou a reeleição pelo PDT. Seu principal adversário foi Jorge Derbli, do PSDB, que concorria à prefeitura pela quarta vez depois de ficar em segundo lugar nos pleitos de 2004, 2008 e 2012. Emiliano Gomes, então vereador, concorreu pela primeira vez ao Executivo municipal, pelo PV.

Ao todo, seis chapas disputaram a prefeitura. Derbli venceu em turno único com 18.065 votos, correspondentes a 52,46% dos votos válidos. Odilon ficou em segundo lugar, com 8.029 votos (23,32%), e Emiliano em terceiro, com 5.028 votos (14,60%). José Ronaldo Ferreira, o Ronaldão †, Nelson Luiz Antunes, o Nelsinho, e Marcos Antonio Gonçalves completaram a disputa.

Dos 44.641 eleitores aptos, 37.063 compareceram às urnas (83,02%). Foram registrados 34.437 votos válidos para prefeito, 869 votos em branco e 1.757 nulos.

Antecedentes

Eleição de 2012

Na eleição municipal de 2012, Odilon Burgath, então filiado ao PT, foi eleito prefeito aos 36 anos. Sua chapa recebeu 18.736 votos (53,76%). Jorge Derbli, pelo PSDB, ficou em segundo lugar com 14.337 votos (41,14%), enquanto Ieda Waydzik (PV) obteve 1.780 votos (5,11%).

O eleitorado daquele pleito era de 43.318 pessoas, com comparecimento de 36.903 (85,19%). A vitória levou Odilon à prefeitura tendo Oscar Renato Berger como vice e encerrou os oito anos de administração de Sérgio Stoklos.

Para Derbli, o resultado representou a terceira derrota consecutiva em disputas pelo Executivo municipal. Ele havia ficado em segundo lugar também em 2004 e 2008. Em 2016, voltou a disputar a prefeitura, desta vez novamente pelo PSDB.

Administração Odilon Burgath

Entre 2013 e 2016, a administração de Odilon esteve associada a projetos de infraestrutura, habitação, saúde e retomada de obras. A gestão participou da entrega de 310 unidades habitacionais do Jardim das Américas e da retomada de obras municipais, enquanto temas como obras não concluídas, situação financeira e terceirizações foram explorados durante a campanha.

Em abril de 2016, a Câmara Municipal instalou uma Comissão Especial de Inquérito (CEI) a partir de requerimento dos vereadores Amilton Komnitski, Emiliano Gomes, Rafael Felipe Lucas e Wilson Karas. A comissão investigou possíveis irregularidades relacionadas ao uso de funcionários e maquinário municipal em propriedades particulares, envolvendo, entre outros, o vice-prefeito Oscar Renato Berger. Odilon, Berger e secretários municipais foram ouvidos pela comissão.

Saída de Odilon do PT

Em 11 de março de 2016, Odilon anunciou sua desfiliação do PT, legenda pela qual havia sido eleito quatro anos antes. Naquele momento, informou que analisava convites de diferentes partidos enquanto mantinha a intenção de disputar a reeleição. Posteriormente, filiou-se ao PDT.

A mudança partidária alterou a composição política da disputa. O PT acabou integrando a coligação de reeleição de Odilon mesmo com o prefeito concorrendo por outra legenda. Em agosto, a convenção pedetista confirmou Odilon e a médica Larissa Mazepa, também do PDT, numa aliança de dez partidos.

Calendário eleitoral

A eleição de 2016 foi a primeira municipal realizada sob diversas regras da Reforma Eleitoral de 2015, que reduziu o período oficial de campanha para 45 dias.

Data Evento 20 de julho a 5 de agosto Período das convenções partidárias. 15 de agosto Prazo para os partidos e coligações apresentarem os registros das candidaturas. 16 de agosto Início da propaganda eleitoral e das atividades de campanha. 26 de agosto Início do horário eleitoral gratuito no rádio e na televisão. 29 de setembro Último debate promovido pela Rádio Najuá e parceiros e encerramento do período permitido para debates no rádio e televisão. 2 de outubro Eleição municipal em turno único. 7 de dezembro Diplomação do prefeito, vice-prefeito e vereadores eleitos.

Pré-candidaturas e convenções

Em março, a Rádio Najuá iniciou uma série de entrevistas com nomes apresentados como pré-candidatos à prefeitura. O primeiro entrevistado foi José Ronaldo Ferreira, o Ronaldão, então filiado ao PP.

A disputa foi consolidada durante as convenções em seis candidaturas. Odilon, depois da saída do PT, foi oficializado pelo PDT em 4 de agosto, tendo Larissa Mazepa como vice. A coligação Irati Segue em Frente reuniu PDT, PT, PRB, PPS, PTN, PMDB, PMB, Rede, PCdoB e PROS.

Derbli encabeçou a coligação Caminho Seguro, formada por PSDB, PSD, PSC, PSB e PR, tendo o vereador Amilton Komnitski, conhecido como Amilton da Farmácia, do PSD, como vice. Emiliano Gomes disputou pelo PV em chapa com Mário Cordeiro (PSL), na coligação Estradas da Mudança, composta por PV, PSL e DEM.

Ronaldão formou a coligação União do Povo, com PP, PSDC e Solidariedade, ao lado de Josué Hilgemberg. Nelsinho concorreu em chapa do PTB com Marli Traple, e Marcos Antonio Gonçalves disputou pelo PHS com Jelson Alves Pires.

Candidaturas

Candidato a prefeito Candidato a vice-prefeito Partido Coligação Número Jorge Derbli Amilton da FarmáciaPSD PSDB Caminho SeguroPSDB / PSD / PSC / PSB / PR 45 Odilon Burgath Larissa MazepaPDT PDT Irati Segue em FrentePDT / PT / PRB / PPS / PTN / PMDB / PMB / REDE / PCdoB / PROS 12 Emiliano Gomes Mário CordeiroPSL PV Estradas da MudançaPV / PSL / DEM 43 José Ronaldo Ferreira (Ronaldão) † Josué HilgembergPSDC PP União do PovoPP / PSDC / Solidariedade 11 Nelson Luiz Antunes (Nelsinho) Marli Traple PTB PTB 14 Marcos Antonio Gonçalves Jelson Alves Pires PHS PHS 31

† José Ronaldo Ferreira, o Ronaldão, faleceu em 30 de julho de 2024, aos 54 anos, após tratamento contra câncer.

Campanha eleitoral

A propaganda eleitoral começou em 16 de agosto. A reforma das regras nacionais reduziu as formas de propaganda de rua e proibiu recursos utilizados em eleições anteriores, como cavaletes, determinados tipos de placas e distribuição de brindes. A campanha gratuita no rádio e na televisão começou dez dias depois.

Os principais temas discutidos na campanha incluíram a manutenção de estradas rurais, saúde, geração de emprego e renda, obras paralisadas, terceirização de serviços, transparência, esporte e infraestrutura urbana. As diferenças sobre a avaliação da administração Odilon e a relação de Derbli com o governo estadual também ganharam espaço na disputa.

Debates

As rádios Najuá e Alvorada do Sul, o jornal Hoje Centro Sul e o Observatório Social de Irati organizaram dois debates com os candidatos a prefeito. As regras foram definidas em reunião com candidatos, partidos e coligações, e ambos os encontros de Irati foram transferidos da Câmara Municipal para os estúdios da Rádio Najuá.

Data Promotores Observação 25 de agosto Rádio Najuá / Rádio Alvorada / Hoje Centro Sul / Observatório Social Primeiro debate. 29 de setembro Rádio Najuá / Rádio Alvorada / Hoje Centro Sul / Observatório Social Segundo e último debate, três dias antes da eleição.

O primeiro encontro foi descrito posteriormente pela Najuá como equilibrado. O segundo, com quase três horas de duração, teve perfil mais confrontativo, com sucessivos pedidos de direito de resposta, acusações e discussões sobre a administração municipal e a vida política dos candidatos.

No debate de 29 de setembro, Ronaldão afirmou que pretendia auditar as contas municipais dos doze anos anteriores e declarou ter sofrido pressão para retirar a proposta; Marcos Gonçalves afirmou também ter recebido ameaças. As alegações foram apresentadas pelos candidatos durante o programa, sem que a reportagem citada apontasse comprovação independente dessas ameaças.

Outro confronto envolveu a terceirização de serviços. Nelsinho criticou o uso prolongado de contratos terceirizados, enquanto Emiliano propôs auditoria desses contratos e maior participação de empresas locais. Odilon argumentou que a terceirização havia sido necessária em período no qual o município não podia realizar concurso público.

Derbli e Marcos Gonçalves criticaram os gastos da prefeitura com publicidade institucional. Segundo os valores mencionados por Derbli durante o debate, a administração teria despendido cerca de R$ 2 milhões no período de quatro anos; Marcos considerou o montante excessivo. O debate também tratou de SAMU, assistência à população indígena, esporte, Rodeio da Integração, transparência e estradas rurais.

Declarações sobre indígenas

Uma das declarações de maior repercussão do último debate ocorreu quando Ronaldão, ao responder sobre assistência a indígenas que passavam pelo município, afirmou que pretendia destinar uma área fora da zona urbana para recebê-los e utilizou uma expressão segundo a qual o lugar dos indígenas seria “no mato”. Odilon respondeu defendendo cautela na criação de casas de passagem e propôs a contratação de antropólogo para tratar da questão.

O episódio foi registrado como uma das falas polêmicas do encontro. Esta seção reproduz o contexto jornalisticamente documentado da declaração, sem endossar a caracterização feita pelo candidato.

Controvérsias e questões judiciais

Pedido de impugnação de Jorge Derbli

Durante a campanha, a coligação Irati Segue em Frente, de Odilon Burgath, e Rudolfo Strassmann Filho apresentaram pedido de impugnação do registro de Jorge Derbli. O argumento era de que Derbli figurava como representante legal da Construtora Tangará Ltda., que possuía contratos com o município, e não teria se desincompatibilizado da empresa no prazo que os autores consideravam aplicável.

O Ministério Público Eleitoral manifestou-se pela improcedência do pedido. Em decisão publicada em 5 de setembro, o juiz Fernando Eugênio Martins de Paula Santos Lima, da 34.ª Zona Eleitoral, negou a impugnação e manteve o registro de Derbli deferido.

Panfletos apócrifos contra Derbli

Em 22 de setembro, dez dias antes da eleição, panfletos sem identificação de autoria foram espalhados em áreas urbanas e rurais de Irati com conteúdo dirigido contra Derbli. A Rádio Najuá classificou o material como apócrifo e registrou que a coordenação da campanha do PSDB repudiou sua circulação.

No último debate, Derbli voltou a mencionar os panfletos ao responder a acusações sobre sua situação financeira e afirmou possuir certidões negativas. As acusações constantes do material não foram apresentadas pela fonte como fatos judicialmente comprovados.

Polêmica sobre pesquisa na reta final

Na abertura do debate de 29 de setembro, Ronaldão questionou uma pesquisa que, segundo ele, seria divulgada no dia seguinte por um periódico local. O candidato afirmou que o levantamento seria favorável a Derbli e acusou o adversário de ter participação em sua encomenda. Derbli recebeu direito de resposta, negou relação com a pesquisa e afirmou que, naquele momento, nem mesmo o resultado havia sido divulgado.

Como a reportagem sobre o debate registra versões conflitantes e não apresenta comprovação de manipulação do levantamento, a alegação de Ronaldão não é tratada como fato nesta página.

Ação eleitoral envolvendo Wilson Karas

Após o pleito, o Ministério Público Eleitoral ajuizou Ação de Investigação Judicial Eleitoral envolvendo o vereador eleito Wilson Karas (PSD) e outras três pessoas. A acusação sustentava que teria ocorrido captação ilícita de sufrágio e abuso de poder econômico por meio de suposta distribuição de dinheiro e cestas básicas em troca de votos.