Alablaque Alfarade () foi uma fortaleza de Temá, no noroeste da Arábia, célebre na tradição árabe pré-islâmica e estreitamente associada ao poeta judeu Samuel ibne Adia, que é apresentado pelas fontes como seu senhor. Segundo a tradição, teria sido construída por Adia, avô de Samuel, sobre uma elevação nas proximidades do oásis. A fortaleza servia como ponto de parada para viajantes que percorriam as rotas entre a Arábia e a Síria, recebendo árabes provenientes de diferentes regiões que ali se hospedavam e realizavam atividades comerciais.
Alablaque tornou-se particularmente conhecida como cenário das tradições sobre a fidelidade de Samuel. Segundo a versão posteriormente associada a Inru Alcaice ibne Hujer, o poeta quindita hospedou-se na fortaleza e, antes de partir em busca de auxílio bizantino, confiou a Samuel familiares, armas e outros bens. A recusa de Samuel em entregar esse depósito teria provocado o cerco de Alablaque e culminado na morte de um de seus filhos, capturado fora da fortaleza. As tradições divergem quanto à identidade do responsável pelo cerco, atribuindo-o ao rei lácmida ou ao rei gassânida . A própria vinculação do episódio a Inru Alcaice é considerada uma elaboração posterior, embora a tradição sobre a fidelidade de Samuel seja antiga e tenha dado origem ao provérbio "mais fiel que Samuel" (awfā min al-Samawʾal).
A fortaleza adquiriu também notoriedade própria na tradição poética árabe, sendo mencionada por Alaxa e outros poetas pré-islâmicos e tornando-se proverbial. Um poema atribuído ao próprio Samuel recorda sua construção pelo avô e expressa o desejo de que permanecesse protegida da destruição. Segundo a tradição, Alablaque permaneceu posteriormente nas mãos da família de Samuel, sendo mencionada como propriedade de seu filho Xurai. Suas ruínas ainda eram consideradas visíveis no tempo de Iacute Alhamaui, mas sua identificação tornou-se incerta posteriormente; quando Charles Doughty visitou Temá em 1877, não conseguiu localizar vestígios que pudesse identificar com segurança como os da antiga fortaleza.
História
Alablaque Alfarade (al-Ablaq al-Fard) era uma fortaleza situada em Temá, no noroeste da Arábia, e associada a Samuel ibne Adia, poeta judeu da Jailia, que é descrito como seu senhor. Segundo a tradição preservada acerca de sua família, a fortaleza teria sido construída por Adia, avô de Samuel, e posteriormente passado a este. O próprio Samuel refere-se, em um dos poemas que lhe são atribuídos, à construção da fortaleza por seu avô e manifesta o desejo de que permanecesse protegida e não fosse destruída. Erguida sobre uma elevação, Alablaque servia como ponto de parada para viajantes que percorriam as rotas entre a Arábia e a Síria, e árabes provenientes de diferentes regiões hospedavam-se ali e realizavam atividades comerciais. Alablaque encontrava-se entre as fortalezas pelas quais Temá era conhecida e adquiriu notoriedade na tradição poética árabe. A cidadela é mencionada por Alaxa e outros poetas pré-islâmicos, e sua fama tornou-se proverbial. Sua associação com a família de Samuel prosseguiu, segundo as tradições preservadas, pelo menos até a geração seguinte. Jacobs e Montgomery relatam que Alablaque pertencia posteriormente a Xurai, filho de Samuel, quando Alaxa, capturado juntamente com outros árabes, foi levado à fortaleza. Ao perceber que Xurai podia ouvi-lo, o poeta recitou versos nos quais evocava a conduta de Samuel e conclamava o filho a seguir o exemplo paterno. Xurai conseguiu então sua libertação e lhe deu um camelo antes de deixá-lo partir.
Samuel ibne Adia e Inru Alcaice
Alablaque ocupa posição central nas tradições relativas à relação entre Samuel e o poeta quindita Inru Alcaice ibne Hujer. Depois da morte do pai e de sua luta contra os açaditas para vingá-lo, Inru Alcaice teria perdido progressivamente seus apoiadores e procurado proteção entre diferentes grupos. Segundo a tradição, dirigiu-se a Alablaque e tornou-se hóspede de Samuel. Jacobs e Montgomery relatam que chegou à fortaleza acompanhado da filha Hinde, de um primo e de armas, entre as quais cinco cotas de malha, sendo ele e seus acompanhantes recebidos por Samuel. Tüccar situa aproximadamente em 538 a passagem de Inru Alcaice por Alablaque. Antes de partir em direção a Constantinopla em busca de auxílio, o poeta teria confiado a Samuel sua filha, o primo, suas armas e parte dos bens que herdara do pai. Segundo Jacobs e Montgomery, Inru Alcaice pediu ainda a Samuel uma carta de recomendação dirigida ao rei gassânida , que poderia ajudá-lo a prosseguir sua viagem até a corte do imperador bizantino . A associação específica desses acontecimentos a Inru Alcaice, contudo, não é considerada segura. Bauer observa que o episódio da fidelidade de Samuel já é mencionado em um poema de Alaxa sem qualquer referência a Inru Alcaice e considera posterior a vinculação da tradição ao poeta quindita. Um poema atribuído ao próprio Samuel menciona a preservação das "cotas de malha do quindita", mas Bauer considera também essa referência espúria.
Cerco e tradição da fidelidade
Segundo a versão que associa os bens depositados em Alablaque a Inru Alcaice, após a partida do poeta o rei lácmida de Hira , seu adversário, exigiu que Samuel lhe entregasse os objetos confiados à sua guarda. Diante da recusa, forças enviadas contra Samuel cercaram Alablaque, mas não conseguiram tomar a fortaleza. Os sitiantes capturaram então um dos filhos de Samuel, que se encontrava fora dela, e ameaçaram matá-lo caso os bens não fossem entregues. Samuel recusou-se a romper o compromisso assumido, e o filho foi morto diante dele. Na versão transmitida por Jacobs e Montgomery, Samuel teria respondido que poderia ter outros filhos, enquanto a honra, uma vez perdida, não poderia ser recuperada. Bauer registra uma tradição diferente quanto à identidade do responsável pelo cerco. Segundo essa versão, o rei gassânida , ao saber das armas guardadas por Samuel, marchou contra ele e sitiou-o em Alablaque. Alharite teria capturado um filho de Samuel que se encontrava fora da fortaleza e ameaçado matá-lo caso as armas não fossem entregues. Samuel teria preferido assistir à morte do filho a trair a confiança nele depositada. A tradição sobre sua recusa em entregar os bens tornou Samuel proverbialmente conhecido por sua fidelidade, expressa no provérbio árabe "mais fiel que Samuel" (awfā min al-Samawʾal).
Tradição poética e vestígios
Alablaque aparece na poesia árabe pré-islâmica associada tanto a Samuel quanto a Temá. Buhl e Bosworth registram que a cidadela de Alablaque Alfarade, da qual Samuel era senhor, é mencionada por Alaxa e outros poetas, enquanto Azizova inclui-a entre as fortalezas de Temá celebradas pela poesia e registra seu caráter proverbial. Um poema atribuído ao próprio Samuel associa a construção da fortaleza a seu avô Adia e expressa o desejo de que ela permanecesse protegida da destruição. A localização dos vestígios da fortaleza tornou-se incerta posteriormente. Segundo Buhl e Bosworth, Iacute Alhamaui afirmava que as ruínas de Alablaque ainda podiam ser vistas em seu tempo. Quando o viajante britânico Charles Doughty esteve em Temá em 1877, contudo, não conseguiu encontrar vestígios que pudesse identificar como as ruínas mencionadas por Iacute. Doughty encontrou um edifício quadrangular com torres nos cantos, conhecido como Castelo Alfarade, mas a identificação desse edifício com Alablaque Alfarade não é estabelecida pela fonte.
Bibliografia
Categoria:Localidades da Arábia Saudita