Máscara Mwana Pwo (também grafada Pwevo ou Moawa-Pwo, e vulgarmente designada apenas por Pwo) é uma máscara ritual do povo chócue, usada nas cerimónias de iniciação masculina em Angola, na República Democrática do Congo e na Zâmbia. Representa uma antepassada feminina idealizada e é interpretada exclusivamente por homens, incorporando o ideal chócue de beleza, fertilidade e maturidade femininas.
Contexto cultural Os chócues são um povo de língua bantu descendente de grupos de origem lunda, estabelecido nas savanas florestadas do nordeste de Angola, no sul da República Democrática do Congo e, desde a década de 1920, no noroeste da Zâmbia.Chokwe. Encyclopaedia Britannica. Consultado em 28 de agosto de 2026. A sua organização social é matrilinear, com a linhagem transmitida por via materna, e a sua tradição artística é reconhecida pela entalhação de máscaras, estatuária, mobiliário, cestaria e trabalhos em ferro. Entre as figuras mascaradas mais conhecidas contam-se a mwana pwo, de carácter feminino, e o seu equivalente masculino, cihongo (também grafado chihongo), associado à riqueza e à autoridade política.Pwo (Female) Mask. The Metropolitan Museum of Art. Consultado em 28 de agosto de 2026.
Uso ritual A máscara é usada no contexto do mukanda, o ciclo de iniciação masculina que inclui a circuncisão dos rapazes e um período de reclusão e instrução afastado da comunidade.Klemm, Peri; Harris, Beth. Female (pwo) mask. Smarthistory. Consultado em 28 de agosto de 2026. Durante as cerimónias, um dançarino do sexo masculino veste a máscara juntamente com um traje justo de fibra de ráfia, seios postiços de madeira e um saiote, imitando os gestos e movimentos femininos.Mask (Mwana pwo). Detroit Institute of Arts. Consultado em 28 de agosto de 2026. A performance destina-se a entreter as mulheres da comunidade e a homenagear as mães dos iniciados, estando também associada à transmissão de fertilidade aos espectadores.Mask (mwana pwo). Cleveland Museum of Art. Consultado em 28 de agosto de 2026. No fim da sua vida útil ritual, algumas máscaras chegam a ser enterradas como se de uma pessoa se tratasse.
Uma tradição relacionada, a Mascarada Makishi dos povos luvale, chócue, luchazi e mbunda do noroeste da Zâmbia — na qual a personagem feminina pwevo corresponde à mwana pwo —, foi inscrita em 2008 na Lista Representativa do Património Cultural Imaterial da Humanidade da UNESCO.
Características artísticas As máscaras são talhadas em madeira por escultores especializados, com recurso também a fibra vegetal, pigmentos, contas de vidro e, por vezes, elementos metálicos. A face apresenta testa larga, olhos entrecerrados e alongados, nariz fino e alongado, lábios salientes e dentição limada em bico, traços considerados marcas de beleza feminina entre os chócues. É comum o recurso a pigmentação vermelha obtida por mistura de terra e óleo, bem como a aplicação de pó branco (caulino) em torno dos olhos, associada a uma dimensão espiritual e ancestral.
Entre os motivos decorativos mais característicos contam-se um desenho cruciforme na testa, interpretado por alguns investigadores como um cosmograma, e marcas em forma de lágrima nas faces, associadas a um disco solar e relacionadas com a emoção das mães durante as cerimónias de passagem dos filhos à idade adulta. Alguns autores associam a origem do motivo cruciforme a pingentes de estanho introduzidos pelo comércio português na região a partir do século XVII.Chokwe Mask (Mwana Pwo). Brooklyn Museum. Consultado em 28 de agosto de 2026.
Coleções Exemplares de máscaras mwana pwo integram as coleções de diversos museus, entre os quais o Museu Metropolitano de Arte, em Nova Iorque, o Museu de Brooklyn, o Museu de Arte de Cleveland, o Instituto de Artes de Detroit e o Museu do Dundo, em Angola, um dos principais acervos históricos de arte chócue.
Referências
Ligações externas Pwo (Female) Mask — The Metropolitan Museum of Art Female (pwo) mask — Smarthistory Chokwe Mask (Mwana Pwo) — Brooklyn Museum
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