Mundus vult decipi, ergo decipiatur, que por vezes é abreviada, citando-se apenas a primeira parte, é uma locução latina que significa "O mundo quer ser enganado, portanto que seja enganado". A frase justifica a posição dos governantes e empresários que enganam, segundo a sua opinião, porque o povo deseja ser enganado, muito antes da moderna variante da pós-verdade.

A autoria desta expressão não é clara. Foi atribuída ao escritor do século I Petrónio, mas não pertence a nenhum dos seus escritos que chegaram até nós. A frase, contudo, reflete o cinismo da cultura latina dessa época. Uma das primeiras citações encontra-se na obra de Sebastian Franck, filósofo humanista alemão que, em 1534, escreveu nos seus Paradoxa: "O mundo gosta de enganos e mentiras e quer ser conduzido pela quimera, como se diz em latim: mundus vult decipi". Também foi atribuída ao papa Gian Pietro Carafa (1476–1559).

Os racionalistas do Renascimento justificavam através deste provérbio a astúcia de utilizar a religião para legitimar a autoridade do governante perante um povo que prefere o erro e a lenda à razão pura.

O jesuíta francês François Garasse (1585–1631) cita um papa, "homem sensato", sem especificar o seu nome, que, ao dar a bênção, em vez de utilizar a fórmula "Benedictio in nomine Patris…", murmurava sempre entre dentes: "Quandoquidem populus iste vult decipi, decipiatur" ("Visto que este povo quer ser enganado, que seja enganado").

Ver também

Maquiavelismo Grande mentira Nobre mentira

Bibliografia

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