Jason Atta Kwei Arday (9 maio de 1985 – 14 agosto de 2026) foi um académico e autor britânico, professor de sociologia da educação na Universidade de Cambridge entre 2023 - 2026. Arday recebeu enorme atenção internacional e demitiu-se do seu posto devido a acusações de plágio, falsas alegações, e questões concernentes à originalidade da sua pesquisa, bem como invenções e exageros fantasiosos dos seus relatos autobiográficos.
Após receber um Doutoramento da Liverpool John Moores University em 2015, Arday lecionou educação física em Leeds Beckett e Roehampton, antes de lecionar estudos de ensino na Universidade de Warwick e sociologia em Durham e Glasgow, onde se tornou professor em 2022. A partir de 2018, produziu publicações académicas, algumas focadas em raça e racismo no setor educacional britânico, e outras, reflexões autoetnográficas da sua vida como académico preto e neurodivergente. Em 2023, Arday atraiu a atenção dos media por ser o professor negro mais jovem na história da Universidade de Cambridge. Nos anos seguintes, apareceu na televisão, recebeu vários doutorados honorários e foi nomeado para postos de administrador ou consultor na sociedade civil. Foi também coautor do seu livro de memórias de 2026, intitulado "Grandes e Infelizes Coisas".
Em 2026 os mass media começaram a repercutir alegações de plágio contra Arday. Vários dos seus escritos foram escrutinizados e ele foi acusado de falsificação de trabalhos de pesquisa e de ter feito afirmações falsas e fantasiosas relativas ao seu percurso académico e pessoal. Admitindo erros, Arday classificou contudo as alegações como "cruéis" e afirmou não ser mentiroso, e que uma comissão institucional tinha absolvido a sua tese de doutoramento de plágio deliberado.
Pouco depois de Cambridge anunciar uma investigação oficial sobre a sua nomeação, Arday pediu demissão do cargo. O caso gerou enorme atenção nos media. Alguns comentadores e académicos acusaram Cambridge de não ter mantido os padrões académicos no caso, afirmaram que o caso aumentou os desafios para os académicos de cor e argumentaram que isso beneficiou os críticos das iniciativas de diversidade, equidade e inclusão.
Nove dias após a demissão Arday foi encontrado morto. O primeiro-ministro Andy Burnham e outras figuras políticas expressaram as suas condolências. Diversos políticos e outras figuras públicas afirmaram que Arday foi alvo duma campanha difamatória com motivação racial por parte dos media e das redes sociais. Isso levou a pedidos de investigação pública sobre a cobertura das notícias, enquanto fontes da imprensa afirmaram ter cumprido as suas obrigações ao investigar as alegações de má conduta académica contra Arday.
Biografia
Origens Jason Atta Kwei Arday nasceu a 9 de Maio de 1985 em Clapham, um subúrbio do sudoeste de Londres, Inglaterra. É filho de pais ganeses. O seu pai, Joseph Arday, é chef de cozinha; a sua mãe, Gifty Arday, é enfermeira de saúde mental e ativista em antirracismo. Jason Arday cresceu em Clapham com dois irmãos mais velhos e um irmão mais novo. Segundo relatos seus, citados por diversas fontes, foi diagnosticado com autismo e atraso no desenvolvimento aos 3 anos de idade e surdez num dos ouvidos. Jason Arday casou em 2014. É pai de dois filhos.
Grau académico e livros falsos Arday alegou ter obtido um mestrado em psicodinâmica na Birkbeck College. A Birkbeck nega ter tido alguma vez um aluno matriculado com o nome «Jason Arday».
A partir de 2020, Arday alegou em vários meios de comunicação ter publicado o livro Being Young, Black and Male: Challenging the Dominant Discourse, pela editora Palgrave. A Palgrave esclareceu, em 2026, que o livro nunca foi publicado. A partir de 2019, Arday alegou ter publicado Using reflective practice and peer-mentoring to support Black and Ethnic Minority educators, pela editora Routledge. O The Telegraph identificou várias versões contraditórias sobre o livro, mas concluiu que este não se encontrava disponível à venda, exceto na Amazon, com entrega prevista para 2030.
Escrutínio dos mass media Muitos dos defensores de Arday argumentaram que, mesmo que confrontado com questões legítimas relativas à sua carreira académica, a dimensão do escrutínio pela imprensa foi excessiva e contribuiu para a sua morte. Jolyon Maugham, do Good Law Project, questionou se os meios de comunicaçāo teriam conduzido avaliações de risco ao investigar a história. O Presidente da Câmara Municipal de Londres, Sadiq Khan, afirmou que Arday foi vítima duma "perseguição pública inaceitável" e uma "vergonha pública perniciosa", enquanto a deputada Bell Ribeiro-Addy, descreveu Arday como vítima duma "caça às bruxas" por parte dos mass media. Vários comentadores compararam o escrutínio a um linchamento de Arday. Kebede criticou a “repreensão pública e brutal” que desencadeou uma “torrente de racismo”. Jo Grady, secretária-geral da União de Universidades e Faculdades, denunciou "o nível de assédio que [Arday] sofreu e o racismo a que foi submetido". O Chanceler da Universidade de Cambridge, Chris Smith, notou que, embora as alegações de plágio na academia devessem ser "rigorosamente investigadas", a atmosfera em torno de Arday tinha-se tornado num "frenesim racista".
No The Observer, Seun Matiluko argumentou que o racismo foi uma grande componente do intenso escrutínio mediático, enquanto simultaneamente atribuiu isso ao facto de Arday ser professor na Universidade de Cambridge: "Se Arday fosse professor em Leeds, Durham ou King's College London, duvido que a história tivesse tido tanta repercussão." O New York Times declarou que o escrutínio da imprensa era "tanto sobre Cambridge" quanto sobre o próprio Arday.
Graeme Wood, da revista The Atlantic, argumentou que "a obsessão da imprensa era proporcional ao absurdo das mentiras contadas por Arday e no seu nome, e ao interesse público nos fracassos que elas revelaram". Wood sugeriu que a morte de Arday, se autoinfligida, foi o resultado dum "colapso narcisista" porque a verdade veio à tona.
Morte e legado Após a demissão de Arday, Kehinde Andrews, amigo e professor que o visitou, notou que "ele andava muito perturbado, sentia que não havia saída. Ele praticamente não saía de casa. Tinha perdido muito peso." Tinha falado com um amigo mais cedo nesse dia.
As universidades de Cambridge e Glasgow expressaram profunda tristeza, e deram as suas condolências à família de Arday.
Em 19 de agosto, o principal acusador de Ardan, Nathan Cofnas, um proponente do racismo científico contratado na Universidade de Gent, foi suspenso pela universidade pendendo uma investigação disciplinar preliminar, sobre a sua conduta.
Notas
Referências
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