A revista Brasil Feminino foi lançada em fevereiro de 1932 e ficou em circulação até meados de 1938. A revista era direcionada ao público feminino de classe média e tratava de assuntos diversos, como moda,culinária, arte e religião. Ela se diferenciou das demais revistas lançadas na época, pois, também tratava de questões políticas e defendia abertamente o direito das mulheres ao voto. A revista tinha lançamentos mensais e era formada inteiramente por mulheres, seu lema era "Da mulher, para a mulher, pela a mulher." Sua editora-chefe era a escritora e jornalista Iveta Ribeiro, idealizadora do projeto e nome de maior destaque no quadro editorial, que contava com diferentes escritoras, jornalistas e ilustradoras. alt=Grupo de mulheres bem arrumadas posam para foto. Algumas estão sentadas num sofá preto enquanto outras estão em pé ao seu redor.|miniaturadaimagem|325x325px A sede da revista ficava na rua Gonçalves Dias, número 78, na cidade do Rio de Janeiro, mas suas edições eram vendidas em todo o território brasileiro. Entre suas colaboradoras estavam Sarah Vilella de Figuereido, Mercedes Dantas, Branca de Castro, Joan Garbo, A. Dumas, Odelli Castelo Branco, Henriqueta Lisboa e Irene Drumonnd. Algumas delas usavam pseudônimos ao assinar suas colunas, como a "Tia Cuca" (autora de uma coluna fixa sobre culinária), outras preferiam simplesmente não assinar. Também era comum a prática de convidar outras mulheres para escrever ocasionalmente para a revista, Bertha Lutz (presidente da Federação Brasileira pelo Progresso Feminino) e a advogada Adalzira Bittencourt, por exemplo, eram nomes recorrentes nos anos iniciais da revista.

Mudança de direção alt=Ilustração de uma mulher branca com a mão para cima, imitando uma saudação integralista. Na sua roupa e ao seu lado estão os símbolos do movimento integralista.|esquerda|miniaturadaimagem|158x158px A partir da edição de número 35, lançada em maio de 1937, a revista Brasil Feminino anunciou uma mudança drástica na direção do seu conteúdo, pois se tornou uma revista de divulgação do movimento Integralista. A partir de então, a Brasil Feminino diminuiu um pouco seus conteúdos diversos para abrir espaço para a propaganda política do partido Ação Integralista Brasileira (AIB), partido de extrema-direita brasileiro que tinha como principal inspiração o Fascismo italiano de Benito Mussolini e o Nazismo Alemão de Adolf Hitler. A intenção da revista era atrair novas mulheres para o movimento e fidelizar ainda mais quem já pertencia ao grupo, divulgando a ideologia integralista e os feitos do partido em todo o território nacional. A revista seguiu essa linha editorial até a proibição do partido em 1937, após o então presidente, Getúlio Vargas dar um novo golpe de Estado e proibir a atividade de diversos partidos políticos.

Trabalho dos historiadores A revista tem pouquíssimos exemplares preservados em bom estado, o que torna difícil o trabalho dos historiadores que desejam estudá-la. A Hemeroteca Digital Brasileira possui cerca de 10 volumes digitalizados e disponíveis para acesso público, enquanto os outros exemplares preservados estão sob cuidados dos acervos de universidades brasileiras (como a PUC-RS e a UNICAMP) e podem ser acessados por estudantes interessados em desenvolver pesquisas sobre o tema. Essa dificuldade em ter acesso aos materiais acabou tornando a revista pouco popular nos dias de hoje, mas notáveis historiadoras e historiadores têm feito o melhor para recuperar a história dessa revista, que foi importante na década de 30.