Língua vulgar é uma expressão utilizada para designar as línguas faladas pelo povo (o ‘’volgo’’, de onde deriva precisamente o termo «vulgar») na Idade Média na Europa Ocidental. Estas línguas derivavam do latim, mas encontravam-se já consideravelmente distantes do latim clássico, que, com a diminuição das comunicações provocada pela queda do Império Romano do Ocidente, evoluiu de forma distinta de região para região. Essa evolução foi influenciada por diferentes substratos linguísticos, decorrentes das línguas originárias dos povos conquistados, bem como por superstratos resultantes dos dialetos das populações bárbaras (germânicos, eslavos, etc.) vizinhas.

A palavra «vulgar» não deve, portanto, ser entendida em sentido depreciativo, mas simplesmente como uma referência à [língua vernácula, isto é, à língua utilizada, predominantemente na sua forma oral, na vida quotidiana, por oposição à língua da tradição literária latina.

Em Portugal, a língua vulgar correspondia inicialmente ao galego-português, língua românica falada no noroeste da Península Ibérica e progressivamente utilizada na escrita a partir do século XII. Durante a Idade Média, coexistiu com o latim, que permaneceu como principal língua da administração, da Igreja e da cultura erudita. A partir do século XIII, o galego-português afirmou-se progressivamente na documentação e na literatura, vindo a substituir o latim em diversos domínios da escrita e a dar origem ao português arcaico