O cenênquima (do grego koinós, «comum», e énchyma, «infusão») é a matriz de tecido vivo colonial que une e envolve os pólipos individuais na subclasse de cnidários Anthozoa conhecida como Octocorallia, que inclui os corais moles, as gorgónias e as plumas-do-mar. Funcionando como um sistema integrado de suporte estrutural e conectividade biológica, este tecido preenche o espaço interpólipo e é anatomicamente constituído por uma camada espessa de mesogleia gelatinosa, a qual é perfurada por uma rede complexa de canais tubulares revestidos por gastroderme, designados solénios. É através desta intrincada malha de solénios que a colónia realiza a partilha contínua de nutrientes, gases respiratórios e impulsos nervosos, garantindo uma resposta fisiológica coordenada entre todos os zooides. Além da sua função metabólica e de comunicação, o cenênquima desempenha um papel esquelético fundamental nos corais que carecem de um exosqueleto de carbonato de cálcio maciço; no seu interior encontram-se embutidas minúsculas espículas calcárias microscópicas, chamadas escleritos, cuja morfologia e densidade variam consoante a espécie, conferindo rigidez, flexibilidade face às correntes marítimas e proteção contra predadores. Na literatura zoológica, o cenênquima distingue-se frequentemente do cenossarco, uma vez que este último termo é mais comummente aplicado à camada biológica bidimensional que reveste o esqueleto rígido dos corais duros (Hexacorallia), enquanto o cenênquima assume uma natureza tridimensional massiva e carnuda que define a própria morfologia e integridade física dos octocorais.
Categoria:Anthozoa