A elutriação é um processo fluidodinâmico de engenharia química e de mecânica de fluidos que consiste na separação e classificação de partículas sólidas com base no seu tamanho, forma e densidade, ocorrendo por meio do escoamento ascendente de um fluido contínuo (seja um líquido, como a água, ou um gás, como o ar) no interior de uma coluna vertical. O princípio físico subjacente baseia-se no equilíbrio de forças opostas que atuam sobre cada partícula em suspensão: a força de gravidade, que atua no sentido descendente, confronta a força de arrasto exercida pelo fluido em movimento contracorrente e a força de impulsão hidrostática, que atuam no sentido ascendente. Sempre que a velocidade ascendente do fluido supera a velocidade terminal de decantação (ou velocidade de sedimentação livre) de uma determinada fração de partículas, estas são arrastadas de forma seletiva em direção ao topo da coluna, constituindo a corrente de finos ou transbordo, ao passo que as partículas maiores ou mais densas, cujas velocidades de assentamento excedem a força cinética do vetor ascendente, afundam inevitavelmente, acumulando-se na base como resíduo ou fração grosseira. Matematicamente regulada pela Lei de Stokes para regimes laminares e pela equação do coeficiente de arrasto em regimes turbulentos, esta técnica é amplamente empregue à escala laboratorial para a análise granulométrica precisa de pós finos e, à escala industrial, no tratamento de minérios para a separação de minerais valiosos da ganga, na reciclagem para a triagem de plásticos e resíduos triturados, na purificação de biomassa, e no tratamento de águas residuais, estendendo-se conceptualmente à geologia e pedogénese para descrever o fenómeno natural de lavagem e migração mecânica de argilas através dos horizontes do solo pela ação da água infiltrada.
Categoria:Engenharia química Categoria:Mecânica de fluidos Categoria:Mineração Categoria:Pedologia Categoria:Processos industriais Categoria:Reciclagem Categoria:Sedimentologia