Danse au sérail é um curta-metragem mudo francês de 1897, dirigido por Georges Méliès e lançado pela Star Film. Registrado sob o número 132 do catálogo Star Film, circulou nos Estados Unidos como Dancing in a Harem. É seguido no catálogo por outro filme de temática similar, Vente d'esclaves au harem (#133), formando um pequeno par de produções ambientadas no imaginário do "sérail" oriental.
Enredo Não há descrição do catálogo Star Film para este título e nenhuma cópia sobrevivente é conhecida. O título sugere uma cena de dança ambientada num harém — motivo recorrente na pintura e no espetáculo orientalista franceses do século XIX (ver seção Produção) —, mas o conteúdo exato não pode ser confirmado.Inferência baseada exclusivamente no título; nenhuma fonte descreve o conteúdo específico deste filme.
Produção A dança na obra de Méliès A dança era um motivo recorrente no repertório de Méliès, que desde 1896 realizava filmes com esse tema, com frequência convocando o prestígio de artistas de palco já estabelecidas — como em Danse serpentine (#44) e Danseuses au Jardin de Paris (#92).
Sobre a tradução do título Optou-se por traduzir "sérail" como "harém", e não como "serralho" ou "pátio interno", apesar de "serralho" ser historicamente o termo português mais tradicional para o vocábulo francês.
Um serralho, no sentido otomano original, era o complexo palaciano inteiro do sultão — não apenas os aposentos femininos, mas também centro administrativo do império, escola de funcionários públicos, tesouro e até quartéis, como no caso paradigmático do Palácio de Topkapi, em Istambul, que por séculos concentrou essas funções simultaneamente. O harém — os aposentos reservados às mulheres do sultão e sua família — era apenas uma das alas desse complexo maior. A escolha se justifica pelo modo de produção de Méliès em 1897: com câmera fixa e um único cenário pintado por tomada, é improvável que o filme retratasse o complexo palaciano como um todo (sentido mais amplo de "serralho") ou um espaço externo como um pátio — mas sim um único ambiente interno fechado, correspondendo mais precisamente ao sentido mais restrito de "harém"."Serralho", historicamente, podia designar tanto o complexo palaciano inteiro quanto, por extensão, os aposentos das mulheres; "harém" refere-se especificamente a este último sentido. A escolha de tradução aqui reflete essa distinção, à luz do modo de produção de Méliès na época.
O harém como motivo orientalista O "sérail" ou harém era, na cultura visual francesa do século XIX, um dos temas centrais da pintura e do espetáculo orientalistas — um espaço interditado aos homens ocidentais que, por isso mesmo, servia de tela em branco para a imaginação europeia. O tema funcionava, com frequência, como um álibi cultural que permitia representar a nudez e a sensualidade femininas de um modo que seria inaceitável em um cenário europeu contemporâneo, distanciando o conteúdo erótico ao situá-lo num "Oriente" imaginado e exótico. Pintores como Ingres e Gérôme popularizaram esse tipo de representação ao longo do século, criando um repertório visual amplamente reconhecível ao qual o cinema de truque de Méliès poderia recorrer.
O tema da dança "oriental" havia, aliás, se tornado um fenômeno cultural de massa recente na França: a expressão "danse du ventre" nasceu do quadro La Danse de l'almée, de Gérôme, exibido no Salão de 1864, mas só se popularizou amplamente após a Exposição Universal de Paris de 1889, cuja atração "Rue du Caire" — com dançarinas apresentando esse tipo de dança — foi a segunda mais visitada de toda a exposição, superada apenas pela Torre Eiffel. Em 1897, quando Méliès realizou este filme, o tema ainda estava relativamente fresco na memória do público parisiense.Conexão editorial entre a datação do filme (1897) e a repercussão da Exposição Universal de 1889; nenhuma fonte confirma diretamente que o filme se inspirou nesse evento específico. Contexto no catálogo
Registrado sob o número 132 do catálogo da Star Film, Danse au sérail é precedido por Le Modèle irascible (#130–131) e seguido por Vente d'esclaves au harem (#133).
Preservação O filme é considerado perdido. Frazer (1979) especulou sobre a possível sobrevivência de um fragmento em Budapeste, mas não conseguiu obter uma cópia para verificação; uma minissérie húngara de televisão sobre história do cinema, exibida em 1989, é por vezes citada como tendo utilizado um trecho do filme.A existência desse fragmento não foi confirmada de forma independente; trata-se de uma pista mencionada por Frazer, não de uma redescoberta documentada.
Ver também Vente d'esclaves au harem Filme perdido
Ligações externas
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