Ibraim ibne Maomé (; Medina, março–abril de – 631/2) foi um dos filhos de Maomé, nascido de sua relação com Maria, a Copta. Veio ao mundo na região de Cufe, nas proximidades de Medina, e recebeu o nome do profeta Abraão. Seu nascimento foi recebido com grande alegria por Maomé, que, segundo a tradição, libertou Maria nessa ocasião. A Ume Rafi Salma é atribuída a função de parteira, enquanto foi escolhida como sua ama de leite. Ibraim adoeceu quando tinha cerca de dezessete ou dezoito meses e morreu ainda criança. As fontes divergem sobre a data de sua morte, situando-a em diferentes momentos de 631 ou 632. Um eclipse solar tradicionalmente associado ao dia de sua morte levou algumas pessoas a interpretarem o fenômeno como decorrente do falecimento do filho de Maomé, associação que este teria rejeitado, afirmando que o Sol e a Lua não se eclipsavam pela morte de uma pessoa. Ibraim foi sepultado no cemitério de Albaqui, em Medina.

Vida

Ibraim nasceu em dulrija de 8 A.H. (março–abril de 630), na região de Cufe, nas proximidades de Medina, num local posteriormente conhecido como . Era filho de Maomé com Maria, a Copta, uma de suas concubinas. O parto foi assistido por Ume Rafi Salma, dos ançares, cujo marido, , levou a notícia do nascimento a Maomé. Segundo a tradição, este recebeu a notícia com grande alegria, presenteou Abu Rafi com um escravo e declarou ter concedido liberdade a Maria. Maomé afirmou ainda que dera ao menino o nome de seu antepassado, o profeta Abraão. Outra tradição situa a imposição do nome no sétimo dia após o nascimento e a relaciona a uma saudação de Gabriel a Maomé como "pai de Ibraim". No mesmo dia teria sido realizada a do menino; seus cabelos foram cortados por Abu Hinde e pesados, distribuindo-se em esmola uma quantidade de prata equivalente ao seu peso. Seguindo o costume, Ibraim foi entregue a uma ama de leite, escolhida entre numerosas candidatas: , a quem foram destinados um palmeiral e o leite de algumas ovelhas e camelas pertencentes a Maomé. As fontes registram que o nascimento de um filho de Maomé com uma concubina e a grande atenção que dispensava ao menino provocaram ciúmes entre suas esposas.

Quando tinha dezessete ou dezoito meses, Ibraim adoeceu. Maomé dirigiu-se então à casa de Ume Burda acompanhado de Abederramão ibne Aufe e tomou o filho nos braços, vindo o menino a morrer pouco depois. Segundo a tradição, ocorreu um eclipse solar no mesmo dia, levando algumas pessoas a relacioná-lo à morte de Ibraim. Maomé rejeitou essa interpretação e declarou que o Sol e a Lua não se eclipsavam em razão da morte de uma pessoa. As fontes divergem, contudo, sobre a própria data da morte. Algumas a situam em rabi alaual de 10 A.H. (junho de 631) e outras no ramadã do mesmo ano (dezembro de 631). Cálculos astronômicos relativos aos eclipses observáveis em Medina durante a vida de Maomé situam um eclipse em 29 de xaual de 10 A.H. (28 de janeiro de 632), data que, segundo uma reconstrução, corresponderia à morte de Ibraim. Leone Caetani, por outro lado, sustentou que não ocorreu nessa ocasião um eclipse observável em Medina e que a tradição teria associado posteriormente a morte do menino a um eclipse ocorrido meses depois. Diante das divergências das fontes, Babanzāde Aḥmed Naʿīm considerou incertos tanto as datas de nascimento e morte quanto o tempo de vida de Ibraim.

Após a morte do filho, Maomé teria pronunciado palavras expressando sua tristeza. Alfadle ibne Alabás lavou o corpo e, juntamente com Uçama ibne Zaíde, desceu-o à sepultura, embora outra tradição atribua a lavagem a Ume Burda. As fontes também divergem quanto à realização da oração fúnebre: Ibne Abede Albarre considerou inautêntico o relato segundo o qual ela não teria sido realizada, enquanto registrou como posição majoritária entre os estudiosos a de que o próprio Maomé a conduziu. Ibraim foi sepultado no cemitério de Albaqui. Segundo a tradição, Maomé permaneceu junto ao túmulo durante o sepultamento, pediu água para aspergir sobre a sepultura e colocou uma pedra junto à cabeceira para assinalá-la. A morte de Ibraim ainda criança deu posteriormente origem a especulações teológicas. Alguns autores interpretaram-na como sinal da condição de Maomé como último profeta, argumentando que, se Ibraim tivesse sobrevivido, também teria necessariamente recebido uma missão profética. Ibne Hajar de Ascalão, porém, rejeitou tais conjecturas, considerando-as avaliações que refletiam concepções da Jailia.

Bibliografia

Categoria:Naturais de Medina Categoria:Filhos de Maomé Categoria:Árabes do século VII Categoria:Coptas Categoria:Pessoas sepultadas no Cemitério de Albaqui