Faide () é uma localidade histórica do Négede, na atual Arábia Saudita, situada numa planície entre Jabal Xamar e Alcacim, cerca de 130 quilômetros a sudeste de Hail. O assentamento provavelmente já existia durante a Jailia e aparece na antiga poesia árabe. Sua importância aumentou consideravelmente após o advento do Islã devido à sua localização aproximadamente a meio caminho entre Cufa e as cidades sagradas de Meca e Medina, tornando-se uma das principais estações da . Durante a Idade Média, Faide possuía fortificações, mesquita, banho público, poços, cisternas e instalações destinadas ao abastecimento e proteção das caravanas de peregrinos. Servia ainda como sede do oficial responsável pela segurança da peregrinação através da região. Sua posição estratégica também a tornou alvo de ataques, incluindo os promovidos pelos taiítas em 906–907 e pelos cármatas em 924. Faide perdeu posteriormente sua importância para Hail com a alteração das rotas de peregrinação. O antigo assentamento, situado ao norte da atual aldeia, conserva vestígios de construções, cisternas e poços.

Geografia e origens

Faide situa-se no Négede, nas coordenadas aproximadas de 27° 8' N e 42° 28' E, numa planície da zona de transição entre Jabal Xamar, a noroeste, e Alcacim, a sudeste, cerca de 130 quilômetros a sudeste de Hail. Os primeiros geógrafos muçulmanos situavam-na na região em que confinavam as pastagens dos taiítas e dos açaditas, nas proximidades das chamadas "duas montanhas dos taiítas", Salma e Aja. Albacri e descrevem Faide como um célebre hima do período pré-islâmico. Segundo uma tradição registrada por esses autores e por Alharbi, quando o chefe taiíta se converteu ao Islã, Maomé mudou seu nome para Zaíde Alcair (Zayd al-Khayr) e concedeu-lhe Faide como uma cati'a. Uma tradição popular atribuía ao lugar o nome completo de Faide ibne Hame ibne Amaliqe (Fayd ibn Hām ibn ʿAmālīq), considerado seu primeiro habitante. Independentemente da historicidade dessa explicação, o assentamento provavelmente já existia de alguma forma durante a Jailia, pois Faide é mencionada por poetas antigos como Zuair ibne Abi Sulma e Axamaque ibne Dirar.

Estação de peregrinação

A importância de Faide durante o período islâmico resultou sobretudo de sua posição aproximadamente a meio caminho da rota de peregrinação entre Cufa, no Iraque, e Meca e Medina, posteriormente conhecida como . Já nas primeiras décadas do Islã, o califa Otomão teria promovido obras de irrigação no local. No início do Período Abássida, obras beneficentes semelhantes foram atribuídas aos califas Almançor , Almadi e ao vizir Alfadle ibne Arrabi. No , o emir buída Adude Adaulá realizou novas melhorias no assentamento. Faide tornou-se assim uma estação de considerável importância. Geógrafos e viajantes árabes descrevem-na como dotada de duas cidadelas fortificadas, um banho público, uma mesquita de sexta-feira e outras instalações destinadas aos habitantes e viajantes. Dispunha de água corrente proveniente de nascentes e poços, utilizada para irrigar palmeirais e armazenada em cisternas. Mantinham-se no assentamento provisões de alimentos e forragem para os peregrinos, que também podiam deixar ali suas bagagens mais pesadas sob a guarda de agentes de confiança e recuperá-las no retorno do . Em razão de sua posição estratégica, Faide servia como sede do oficial nomeado pelo Estado para proteger a peregrinação e a rota através da Arábia, denominado emir do haje ou amil atarique (ʿāmil al-ṭarīq), juntamente com seu contingente de guardas. O assentamento também possuía alguma atividade intelectual: Iacute Alhamaui registra vários ulemás originários de Faide.

Conflitos

A presença do comandante e de sua guarnição era particularmente importante devido aos perigos enfrentados pelas caravanas de peregrinação, frequentemente sujeitas a ataques de grupos beduínos e movimentos dissidentes. Em 294 A.H. (906–907), os taiítas sitiaram durante três dias em Faide o emir do haje , enviado pelo califa Almoctafi. Em 312 A.H. (924), os cármatas, comandados por Abu Tair Aljanabi, massacraram nas proximidades grande parte da caravana de peregrinos proveniente do Oriente. Em 412 A.H. (1021–1022), os nabânidas dos taiítas, comandados por , sitiaram em Faide uma caravana de peregrinos do Coração financiada por Mamude de Gásni , apesar de já terem recebido cinco mil dinares como pagamento em troca de proteção. Os atacantes acabaram sendo repelidos. A insegurança permaneceu característica da região nos séculos seguintes: Ibne Jubair e Ibne Batuta registraram que, em suas respectivas épocas, os peregrinos entravam em Faide dispostos em formação de combate para se protegerem de possíveis ataques beduínos.

Declínio e sítio arqueológico

Em época posterior, Faide perdeu gradualmente sua importância para Hail, à medida que a rota de peregrinação passou a atravessar esta última cidade e as caravanas começaram a seguir pelo oásis de . Viajantes europeus da segunda metade do século XIX já encontraram Faide reduzida a condições muito mais modestas. William Gifford Palgrave atravessou-a durante uma viagem de Hail a Alcacim, e Charles Montagu Doughty visitou-a quando se encontrava nos domínios de , emir de Hail. Alois Musil registrou posteriormente apenas 35 cabanas habitadas por tamimitas. A localidade moderna desenvolveu-se como uma grande aldeia, provida de palmeiras, áreas de pastagem e abundante água doce. O assentamento medieval situa-se cerca de 1,5 quilômetro ao norte e conserva vestígios de construções, cisternas, poços profundos e, possivelmente, uma mesquita. Parte considerável dessas estruturas foi destruída em tempos recentes pela retirada de pedras para reutilização como material de construção.

Bibliografia

Categoria:Localidades da Arábia Saudita