Maria Luiza Rezende da Silva, também conhecida pelo nome artístico Nery Rezende, personalidade cuja trajetória de vida e acervo pessoal se tornaram importantes fontes para o estudo da memória e dos caminhos da população negra na cidade de São Paulo, especialmente entre as décadas de 1950 e 1960.

Biografia Nery Rezende nasceu no dia 13 de maio de 1930, filha do trabalhador do campo Florentino José da Silva e da dona de casa Maria Helena Rezende da Silva, na cidade de São José do Rio Preto. Foi a filha mais velha do casal, tendo como irmãos Nestor da Silva, falecido aos nove meses, Alice Azevedo e Jackson Rezende da Silva, que chegaria à família por adoção somente em 1952. Faleceu no ano de 2012.

Infância Durante a infância, com a ida de seus pais e irmã para a cidade de São Paulo, Nery Rezende foi para Catanduva, para viver com seus padrinhos, o juiz,à época, Sebastião de Vasconcelos Leme, e sua esposa, Eunice Vale Leme. Nesse período, Nery viveu com a família na condição ambígua de afilhada e comadre, mas atuando também como babá.

A família Leme deixa Catanduva quando Nery Rezende tinha nove anos de idade e vai para Santos. Lá, moraram durante dois anos, até fixarem residência na cidade de São Paulo. Conviveu com a família Leme até os dezoito anos de idade, quando voltou a morar com sua mãe e irmã, Alice, em 1948, no bairro da Bela Vista.

Vida adulta Após retornar ao convívio com sua família, Nery Rezende iniciou sua vida profissional. Seu primeiro emprego foi nas Indústrias Reunidas Francisco Matarazzo, na sede localizada no bairro da Água Branca, onde permaneceu por três anos. Logo depois, ingressou no comércio local, onde atuou em loja de artigos femininos e de roupas para adultos e crianças. Posteriormente, ela trabalhou na área de supermercados  do SESI até completar seus anos de contribuição e aposentar-se.

No início da década de 1950, pela proximidade da sua residência do Teatro Brasileiro de Comédia, e também considerando o fato que sua mãe trabalhava como doméstica na casa de diferentes atores conhecidos no período, como Jaime Barcellos, Elísio de Albuquerque e Sérgio Brito, Nery Rezende se aproximou do universo do teatro.

Em 1969, nasceria sua única filha, Greissy Rezende.

Carreira artística A partir de seu envolvimento com o universo teatral, por volta dos seus vinte anos, Nery Rezende trabalhou como corista de programas de auditório da TV Record, onde ficaria até os anos 1960. Também passaria a atuar em peças de teatro amador a partir desse período. Adicionalmente, Nery ocupa o papel de vedete no teatro de revista.

Arquivo Nery Rezende A natureza orgânica do Arquivo Nery Rezende preserva a proveniência e a interconexão dos documentos. O conteúdo é classificado em quatro categorias: Impressos, Manuscritos, Imagens fotográficas e Objetos tridimensionais. A inclusão de objetos tridimensionais e de imagens fotográficas transforma o arquivo em uma coleção robusta de cultura material, permitindo uma análise antropológica. As fotografias são exemplares do patrimônio fotográfico vernacular, documentando as "vidas não monumentais," focando na sociabilidade e no cotidiano.

Durante sua vida, Nery Rezende reuniu um arquivo pessoal contendo revistas de mais variados temas, como cinema e rádio, bem como correspondências pessoais, fotografias, negativos, álbuns, cadernos, impressos, notas fiscais, receitas, objetos pessoais e domésticos.

Esse importante conjunto documental, que retrata a vida de mulheres negras na cidade de São Paulo, principalmente entre os anos de 1950 e 1960, foi adquirido pelo Museu Paulista no ano de 2022. A aquisição ocorreu por meio de doação de sua filha, Greissy Rezende e por intermédio do antropólogo Alexandre Araújo Bispo.

Nas palavras da historiadora, pesquisadora e docente do Museu Paulista, Solange Ferraz de Lima:É o primeiro arquivo pessoal de uma mulher preta, trabalhadora da indústria e do comércio, militante de movimentos sociais e que viveu e trabalhou em São Paulo, tornando sua vida integrada ao intenso processo de metropolização ocorrido nas décadas de 1950 e 1960O arquivo Nery Rezende é composto por cerca de 12 mil itens e constitui-se como o maior conjunto documental pessoal do Museu Paulista. A aquisição do arquivo de Nery Rezende representa uma etapa importante da implantação da nova política de aquisição do Museu Paulista. Entre os objetivos de tal política está o reconhecimento da associação de outras camadas sociais ao suporte fotográfico, como quem produziu as imagens e como foi sua circulação.

Referências

Categoria:Pessoas