Paul Gust Vallas Sr. ( ; nascido em 10 de junho de 1953) é um administrador educacional norte-americano. Foi superintendente das Escolas Públicas de Bridgeport, em Connecticut, e do Recovery School District, na Luisiana, diretor-executivo tanto do Distrito Escolar da Filadélfia quanto das Escolas Públicas de Chicago, além de diretor de orçamento da cidade de Chicago.
Como superintendente escolar, Vallas tornou-se conhecido por defender a adoção de escolas charter e a privatização de programas e da gestão escolar.
Membro do Partido Democrata, Vallas concorreu sem sucesso a diversos cargos eletivos. Foi o segundo colocado nas eleições primárias democratas para governador de Illinois em 2002. Disputou o cargo de vice-governador de Illinois como candidato democrata na eleição de 2014. Também foi candidato na eleição para prefeito de Chicago de 2019 e, mais recentemente, ficou em segundo lugar na eleição para prefeito de Chicago de 2023. Após terminar o primeiro turno dessa eleição na primeira colocação, sem obter maioria absoluta, Vallas enfrentou Brandon Johnson no segundo turno e foi derrotado. Primeiros anos e início da carreira
Neto de imigrantes gregos, Vallas cresceu no bairro de Roseland, no South Side de Chicago. Passou a adolescência em Palos Heights, Illinois. Formou-se na Carl Sandburg High School e estudou no Moraine Valley Community College antes de ingressar na Universidade Western Illinois, onde obteve um bacharelado em História e Ciência Política, um mestrado em Ciência Política e um certificado para lecionar.
De 1985 a 1990, Vallas presidiu a Comissão Econômica e Fiscal de Illinois. Entre 1990 e 1993, atuou como diretor do orçamento municipal de Chicago durante a administração do prefeito Richard M. Daley.
Superintendências
Vallas exerceu o cargo de superintendente de sistemas escolares em quatro cidades dos Estados Unidos. Em retrospectiva, Mitch Smith, do The New York Times, escreveu que, nessas funções, Vallas "construiu uma reputação de gestor de crises e defensor das escolas charter, disposto a assumir desafios difíceis e implementar mudanças abrangentes, uma abordagem que recebeu tanto elogios quanto críticas". Em um artigo publicado em 2009 na revista acadêmica Education Next, Dale Mezzacappa descreveu o estilo de liderança de Vallas durante sua atuação em Chicago e Filadélfia: "Sua energia é inesgotável, seu temperamento é lendário e seu charme desengonçado também. Seu estilo de liderança, o 'tratamento Vallas', já está bem estabelecido: fazer as coisas em grande escala, rapidamente e todas ao mesmo tempo".
Diretor-executivo das Escolas Públicas de Chicago
Vallas foi diretor-executivo das Escolas Públicas de Chicago (CPS) entre 1995 e 2001. O cargo de diretor-executivo do sistema das Escolas Públicas de Chicago foi criado pelo prefeito Richard M. Daley após convencer a Assembleia Geral de Illinois a colocar o sistema escolar sob controle da prefeitura.
Durante sua gestão, Vallas liderou um amplo esforço de reforma do sistema escolar. O presidente Bill Clinton citou seu trabalho pelo aumento das notas em testes padronizados, pelo equilíbrio do orçamento, pela criação de novos programas, como escolas de verão obrigatórias e atividades extracurriculares, e pela expansão de escolas alternativas, charter e magnet. Sob sua liderança, também foi ampliado o uso de testes padronizados.
Vallas implantou políticas disciplinares de tolerância zero. Também ampliou o número de escolas que não atendiam exclusivamente à vizinhança, incluindo escolas secundárias de admissão seletiva, escolas charter e algumas das primeiras escolas militares públicas da cidade. Além disso, criou treze programas do Bacharelado Internacional nas escolas públicas de ensino médio de Chicago.
Em 1995, as CPS enfrentavam um déficit projetado de US$ 1,4 bilhão para 1999. Para enfrentá-lo, Vallas apresentou um plano que, segundo ele, economizaria US$ 162 milhões mediante a redução de 1.700 funcionários da administração central, a venda de 20 imóveis excedentes e a eliminação de um programa, descrito como "elaborado", destinado à interligação dos computadores do distrito. O plano também redirecionou recursos destinados às pensões dos professores para o orçamento operacional geral. Essa medida foi implementada. Nos anos seguintes, entretanto, a queda dos retornos do mercado acionário e o aumento do número de aposentados impediram que o sistema escolar realizasse integralmente os pagamentos das pensões. Esse episódio foi apontado como um dos fatores que desencadearam a posterior crise orçamentária de US$ 1 bilhão, atribuída em grande parte ao aumento das despesas previdenciárias. Os US$ 666 milhões em títulos emitidos durante sua gestão deverão custar à cidade cerca de US$ 1,5 bilhão quando considerados os juros, segundo estimativas publicadas em 2023.
Em junho de 2001, Vallas anunciou sua renúncia. Sua saída ocorreu duas semanas após a renúncia de Gery Chico, presidente do Conselho de Educação de Chicago. Ambas ocorreram pouco depois de resultados insatisfatórios em testes padronizados anularem os avanços registrados nos dois anos anteriores. A perda desse progresso desagradou o prefeito Daley. O mandato de seis anos de Vallas foi mais que o dobro da permanência média dos superintendentes dos grandes sistemas escolares norte-americanos à época.
Diversos observadores elogiaram sua gestão, atribuindo-lhe melhorias no desempenho do sistema escolar. Martha Woodall, do The Philadelphia Inquirer, escreveu em 2002 que Vallas conquistou em Chicago a reputação de ser "um gestor experiente, trabalhador e direto, que insiste em fazer as coisas à sua maneira". Em artigo publicado em 2009 no Peabody Journal of Education, Elizabeth Useem afirmou que Vallas "desenvolveu a reputação de ser um líder enérgico, capaz de agir rapidamente para implementar um amplo programa de reformas". Entre as críticas dirigidas ao seu estilo de liderança estavam as alegações de que colaborava pouco com grupos comunitários e demonstrava hostilidade em relação àqueles que criticavam ou questionavam suas decisões. Diretor-executivo do Distrito Escolar da Filadélfia
Em julho de 2002, Vallas foi nomeado diretor-executivo do Distrito Escolar da Filadélfia. Sua nomeação ocorreu seis meses após o governo estadual assumir o controle do distrito escolar. Vallas rapidamente apresentou uma agenda de reformas inspirada nas medidas que havia adotado em Chicago.
Como diretor-executivo, presidiu o maior experimento de privatização da gestão de escolas públicas nos Estados Unidos, com a administração de mais de 40 escolas transferida para empresas com fins lucrativos, organizações sem fins lucrativos e universidades a partir do segundo semestre de 2002. Um estudo publicado em 2007 pela RAND Corporation concluiu que os ganhos de desempenho acadêmico das escolas administradas por entidades privadas, em média, não diferiam dos ganhos obtidos pelo restante da rede escolar da Filadélfia, nem eram significativamente superiores aos de outras escolas de baixo desempenho do estado. Em particular, escolas que permaneceram sob administração do distrito, mas receberam recursos adicionais semelhantes aos destinados às escolas administradas por empresas privadas, apresentaram aumentos comparáveis no desempenho em matemática.
Vallas reorganizou a estrutura escolar do distrito para os níveis K–8 e 9–12, eliminando quase todas as escolas de ensino intermediário da cidade. Também supervisionou a padronização do currículo escolar. Durante sua gestão, foram criados novos programas extracurriculares, além de programas de aulas aos sábados e durante o verão, muitos deles administrados por empresas privadas, como a The Princeton Review e a Kaplan, Inc.. Como superintendente, também conduziu um programa de construção de novas escolas e de modernização das instalações existentes. Seu mandato registrou ainda a ampliação do número de escolas disciplinares e escolas alternativas administradas por entidades privadas, bem como a expansão dos programas do Bacharelado Internacional e de Advanced Placement.
Vallas ampliou o número de programas do Bacharelado Internacional na cidade e aumentou a quantidade de academias militares do distrito.
Durante sua gestão, houve um aumento gradual das notas obtidas em testes padronizados. Entretanto, os resultados dos alunos do 11.º ano permaneceram insatisfatórios. Também aumentou o número de escolas que atingiram as metas de desempenho estabelecidas pela lei No Child Left Behind. Por outro lado, Vallas não conseguiu reduzir a elevada taxa de evasão escolar do distrito.
Vallas deixou o cargo em junho de 2007 para assumir uma função na Luisiana. Após sua saída, Thomas Brady exerceu interinamente a função de diretor-executivo até a posse de Arlene Ackerman. Quando deixou o cargo, a revista Philadelphia o descreveu como "o mais eficaz dirigente das escolas da Filadélfia em uma geração". Um estudo publicado pela Escola de Governo Kennedy da Universidade Harvard concluiu que "o aluno médio das escolas administradas por empresas com fins lucrativos aprendeu mais matemática do que aprenderia caso essas escolas tivessem permanecido sob administração direta do distrito".
Entretanto, ao final de sua gestão havia surgido um déficit orçamentário anual de US$ 73,3 milhões, o que se tornou um dos principais pontos de crítica à sua administração. A implementação de um grande número de novas iniciativas e programas contribuiu para o desequilíbrio das contas do distrito. Seu mandato de cinco anos foi superior ao tempo médio de permanência dos superintendentes de sistemas escolares nas grandes cidades dos Estados Unidos. Superintendente do Recovery School District da Luisiana
Vallas assinou um contrato de dois anos (2007–2008) para exercer o cargo de superintendente do Recovery School District da Luisiana. Permaneceu à frente do distrito até 2011. Durante sua gestão, Vallas ampliou significativamente a utilização de escolas charter no sistema.
Superintendente das Escolas Públicas de Bridgeport
Em dezembro de 2011, Vallas foi contratado pelo conselho de educação de Bridgeport, Connecticut, para assumir o cargo de superintendente interino das Escolas Públicas de Bridgeport, com início em 1.º de janeiro de 2012.
Em junho de 2013, Vallas tornou-se superintendente efetivo das Escolas Públicas de Bridgeport. No mês seguinte, a juíza Barbara Bellis, do Tribunal Superior de Connecticut, determinou sua destituição do cargo por não ter concluído os cursos e a certificação exigidos para a função. Posteriormente, a Suprema Corte de Connecticut anulou a decisão de Bellis e determinou sua recondução ao cargo.Fontes múltiplas:
Vallas renunciou ao cargo em 8 de novembro de 2013 para concorrer ao cargo de vice-governador de Illinois. Universidade Estadual de Chicago
Em janeiro de 2017, o governador de Illinois, Bruce Rauner, nomeou Vallas para uma vaga no conselho de curadores da Universidade Estadual de Chicago. A nomeação surpreendeu alguns observadores, já que ambos haviam sido rivais políticos anteriormente. Rauner recomendou que Vallas assumisse a presidência do conselho, embora os conselheiros já tivessem eleito um presidente meses antes. Em vez disso, Vallas foi escolhido como secretário do conselho. Algumas semanas depois, Rauner também sugeriu que Vallas atuasse como gestor de crise da universidade, proposta que não foi implementada.
Após a universidade anunciar a intenção de contratar um novo presidente interino e criar o cargo de diretor administrativo, Rauner recomendou Vallas para a presidência interina da Universidade Estadual de Chicago. O conselho permitiu que Vallas concorresse às duas funções, desde que renunciasse ao seu assento no próprio conselho de curadores. A possibilidade de sua nomeação gerou objeções, incluindo críticas à influência de Rauner no processo de escolha e à indicação de Vallas, que é branco, para dirigir uma universidade cuja comunidade acadêmica é majoritariamente afro-americana.