Carlos Couto (Porto, – Niterói, ), também conhecido como Carlos Couto, Carlos K. Couto, O Homem da Rua e João Cronista, foi uma das figuras culturais de Niterói no século XX. Advogado, juiz, jornalista, escritor, poeta, cronista, ator, diretor teatral, produtor de rádio e televisão e professor de teatro luso-brasileiro. Casou-se no dia 24 de dezembro de 1951 com a atriz e cantora Irema Isis (Irema Braga de Araujo Couto). Após atuar nas áreas jurídica e artística, consolidou-se como uma personalidade relevante da vida cultural de Niterói, destacando-se com a sua emissão Coisas da Praia Grande, ou ainda pela direção do Teatro Municipal João Caetano e pela publicação de dezenas de crônicas em jornais fluminenses e em livros.

Biografia Carlos Couto nasceu em Porto, Portugal, em 17 de fevereiro de 1921. Aos dois anos, mudou‑se para o Brasil com a família, estabelecendo‑se em Niterói, onde iniciou sua escolarização. Entre 1934 e 1939, retornou a Portugal, período em que prosseguiu seus estudos antes de voltar definitivamente ao Brasil.

Ao retornar, passou por um processo de equiparação dos estudos realizados em Portugal, regularizando sua trajetória escolar no Brasil.

Ao contrário do que se poderia supor, Carlos Couto nunca se afastou do teatro. Desde muito jovem manteve atividade contínua no teatro amador, paralelamente à formação acadêmica que desenvolveu ao longo da vida. Formou‑se em Direito, cursou um ano de Pedagogia na Faculdade de Filosofia e realizou curso de Comunicação na UFF e realizou o curso de Biblioteconomia na Biblioteca Nacional, tudo isso articulando sempre sua formação intelectual com a prática artística.

Na magistratura, atuou como Juiz de Menores em Maricá (RJ), função que exerceu até 1951. O teatro, presente desde sua juventude, tornou‑se gradualmente o eixo central de sua vida profissional, levando‑o a criar a Companhia de Comédia Carlos Couto, ao lado de sua esposa Irema Isis, sua enteada Renée Simon.

Ao longo das décadas seguintes, consolidou‑se como escritor, diretor teatral, ator, produtor de rádio e televisão e professor de teatro, afirmando‑se como uma das principais referências da vida cultural de Niterói.

Reconhecido como diretor e ator, recebeu em 1951 os títulos de Revelação de Diretor pela Associação Brasileira de Críticos Teatrais (ABCT) e Revelação de Ator (Roquette Pinto). Sua contribuição estendeu se também à pesquisa e documentação do teatro brasileiro, reunindo acervo raro e especializado.

Carlos Couto atuou na TV Tupi e na TV Rio, onde produziu o programa Coisas da Praia Grande (1954 à 1961). Na Rádio Guanabara, foi redator e repórter, responsável pelo programa No Mundo do Teatro. Produziu ainda o Espetáculo Carlos Couto na Rádio Difusora e lançou Praia Grande em revista.

Nos anos 1962 ele viaja pela Europa com sua esposa, para visitar a filha Renée Simon e ele aproveita para escrever crônicas anti-salazaristas.

Como jornalista, Couto assinou à partir de 1965 .a crônica diária do Grande Jornal Fluminense sob o pseudônimo O Homem da Rua. Ao longo de sua carreira, publicou dezenas de crônicas em jornais fluminenses entre as décadas de 1950 e 1990, abordando temas relacionados ao cotidiano e à vida urbana de Niterói.

Abriu‑se mais uma nova etapa na trajetória multifacetada de Carlos Couto: a de empresário no ramo agrícola. Trabalhando como vendedor de sementes para a Agroceres, empresa de caráter familiar, passou também a produzir e comercializar seus próprios cultivos.

Em seguida inaugurou o Pic‑Pac, na Praça do Rink em Niterói, uma loja onde eram vendidas sementes, flores e frutos cultivados por ele em Pendotiba. Essa iniciativa marcou a expansão de suas atividades para além das artes e da comunicação, revelando sua versatilidade e capacidade de empreender em diferentes áreas.

Claro que ele não pararia ali. Depois de transitar pelas artes, pela comunicação, pelo empreendedorismo e pelo universo agrícola, Carlos Couto abriu mais uma frente de criação: passou a publicar livros, peças e poemas, consolidando uma produção literária que acompanhava sua inquietação artística e sua necessidade constante de transformar experiências em palavra escrita.

Criou a ATEN (Amigos do Teatro em Niterói), associação destinada a apoiar e incentivar a classe teatral, descobrir novos talentos e promover atividades culturais.

Na residência familial em Pendotiba criou com a esposa e a enteada o Teatro de Varandas, espaço ao ar livre inaugurado em 1981. Durante três décadas, o local recebeu aulas de dança da Escola Brasileira de Artes, ensaios da Companhia Franco Brasileira de Danças, cursos de teatro, ensaios e espetáculos.

Entre 1983 e 1986, Couto dirigiu o Theatro Municipal de Niterói, contribuindo para sua revitalização e para a consolidação de políticas culturais locais. O teatro encontrava se em situação precária, e Couto mobilizou artistas e cidadãos para mantê-lo ativo. Os membros da ATEN, conhecidos como "ATENciosos", realizavam desde tarefas administrativas até serviços de carpintaria e limpeza.

Em 1990, participou do Encontro dos Intelectuais e Artistas Portugueses, realizado em São Paulo pelo Centro de Estudos Americanos Fernando Pessoa.

Carlos Couto faleceu em 24 de maio de 1993, vítima de infarto, e repousa no Parque da Colina, em Niterói, ao lado da esposa Irema Isis e da enteada Renée Simon.

Em sua homenagem, a sala anexa ao Theatro Municipal de Niterói foi nomeada Sala Carlos Couto, inaugurada em 6 de agosto de 1993. O espaço tornou se um dos centros culturais mais ativos da cidade, abrigando exposições, recitais, lançamentos literários e acervos históricos.

Segundo registros, pisou no palco 1.253 vezes.

A trajetória de Carlos Couto encerra‑se como a de um criados múltiplo, movido por curiosidade, disciplina e uma rara capacidade de reinventar caminhos. Dos palcos e estúdios de televisão às redações, das iniciativas empresariais às experiências agrícolas, das revistas culturais aos livros, peças e poemas, sua vida profissional formou um mosaico de talentos que dialogavam entre si.

Ao longo de décadas, construiu uma obra marcada pela diversidade e pela persistência, sempre guiado pela vontade de participar da vida cultural de Niterói e de transformar ideias em projetos concretos.

Carreira Artística 1941: Aos 20 anos, Carlos Couto conquistou o 1º lugar como ator e o 1º lugar como redator no programa Vamos brincar de rádio‑teatro, da Rádio Cruzeiro do Sul. Participou dos programas Fortaleza d’Aquem e d’Além‑Mar, substituindo Berliot Jr. na Revista Biográfica Portuguesa.

Começo de atividades amadorísticas no Grupo Cênico do João Caetano, em Niterói, dirigido por Lyad de Almeida. Nessa fase, Carlos K. Couto também trabalhava como vendedor‑pracista.

1944: Iniciou suas atividades jornalísticas no jornal O Estado, de Niterói, atuando como crítico teatral sob o pseudônimo Honório Pacarã. Ingressou no Clube Dramático Fluminense como artista e diretor de publicidade.

Fundou e tornou‑se o primeiro diretor do Teatro da União Fluminense dos Estudantes, em Niterói, realizando montagens de diversas peças e organizando o Circo dos Estudantes, então presidido por Jorge Loretta, da UFF.

1947: Integrou o Teatro dos Estudantes do Brasil como ator, sob a direção de Paschoal Carlos Magno, participando das montagens Hamlet e Inês de Castro. Nessa mesma época, ingressou na Faculdade de Direito em Niterói.

1948: Em parceria com Sérgio Cardoso, Sérgio Britto e outros nomes fundamentais da cena brasileira, participou da criação do Teatro dos Doze, ativo até 1953, com montagens como Arlequim, Servidor de Dois Amos (Carlo Goldoni), Tragédia em New York (Maxwell Anderson) e o infantil Simbita e o Dragão (Lúcia Benedetti).

Ingressou na Rádio Guanabara, no Rio de Janeiro, onde atuou como produtor, ator e repórter de rua, consolidando sua presença no meio radiofônico. Posteriormente, integrou as primeiras produções da TV Tupi, participando de programas pioneiros da emissora e estrelando a adaptação televisiva de Memórias de Além‑Túmulo, de Amaral Neto. Paralelamente às atividades no rádio e na televisão, realizou reportagens como free‑lancer para o jornal O Radical, ampliando sua atuação no campo jornalístico.

1952: Criou sua própria companhia teatral, tendo como atriz principal Irema Isis, Renée Simon, Isaac Bardavid, Ricardinho Faria e Elita Diniz. Realizaram turnês pelo Brasil e pelo interior do Rio de Janeiro, encerrando temporada no Teatro Municipal de Niterói.

1954: Começou a fazer a crônica diária "Ontem, Hoje e Amanhã", no Jornal O Fluminence e depois foi para o grande jornal Fluminence.

Lançou Coisas da Praia Grande na TV Rio, um programa de alcance nacional dedicado à cidade de Niterói. Muitos atores, cantores, bailarinos e músicos tiveram projeção por meio dessa emissão. Os arquivos Braga‑Simon‑Couto registram em fotografias esses encontros com inúmeros companheiros de cena de sua esposa Irema Isis, entre eles Grande Otelo, Eva Todor, Bibi Ferreira ... e também artistas como o compositor Sérgio Mendes. O programa ampliou seu formato por volta de 1958 e foi apresentado até 1961. Foi nesse período que lançou o slogan “Niterói Merece”.

Iniciou‑se uma nova fase para Carlos, marcada pela multiplicidade de carreiras: a de empresário. Em parceria com os irmãos Falcão, das Gráficas Falcão, lançou a revista Praia Grande em Revista, publicada em duas cores. A coluna “Vivemos Amanhã” era dedicada aos jovens, enquanto outras páginas reuniam jornalistas já reconhecidos, como Pedro Guedes Alcoforado, Luís Antônio Pimentel e Alcides Machado Gonçalves. Em diferentes áreas também despontaram nomes como Esther Lúcio Bittencourt, Ricardo Augusto dos Anjos, Iderval Garcia, entre tantos outros.

Companhia de Teatro Carlos Couto 1952/1960: Criou a caravana teatral que realizou excursão pelos estados do Rio de Janeiro (Campos dos Goytacazes, Macaé, Maricá, Nova Friburgo, Bom Jesus do Itabapoana, Miracema, Itaperuna, Cordeiro e Cantagalo), Minas Gerais, Pernambuco e Brasil a fora. O elenco, que contava com a participação de sua esposa Irema Isis, de sua entiada Renée Simon, além de Isaac Bardavid, Carlos Oswaldo, Luiz Carlos Saroldi, Ricardinho Faria, José Carlos Elita Diniz, Diva Sonia e Aurora Aboim com os espetáculos:

O pedido em casamento de Tchecov Duas ostras no Paraiso de José Maria Monteiro Endemoniada O atentado de Somin Nina de Roussin Viúva, porém honesta de Bracco O Dote de Arthur Azevedo Edipo Rei Festival de Teatro Grego Helena fechou a porto A Luva de W. O. Somin

Obras literárias Pequena Contribuição... Incrível História de João, O Homem da Rua, Editora São José

1976 Rosas e Porradas

1979 Zagorá Rua Versus Homem, Editora Falcão, Niterói.

1988 O Bem do Mal Dizer, Editora Achiamé

1991 Um Auto na Praça

1995 ...E Não Conseguiram Me Fazer Triste , Niterói Livros (pós‑mortem)

Ligações externas Theatro Municipal João Caetano Sala Carlos Couto – Programação cultural e histórico do espaço. https://enciclopedia.itaucultural.org.br/pessoas/29442-carlos-couto https://hemeroteca-pdf.bn.gov.br/116408/per116408_1948_02161.pdf

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