Charles Joseph Scarborough (; nascido em 9 de abril de 1963) é um apresentador de televisão e ex-político norte-americano. É copresentador do programa Morning Joe, da MSNBC, ao lado de sua esposa, Mika Brzezinski, e de Willie Geist. Anteriormente, apresentou o programa Scarborough Country na mesma emissora. Ex-integrante do Partido Republicano, Scarborough representou o 1.º distrito congressional da Flórida na Câmara dos Representantes dos Estados Unidos entre 1995 e 2001.

Em 2002, foi nomeado para o President's Council on the 21st Century Workforce (Conselho Presidencial sobre a Força de Trabalho do Século XXI). Também foi pesquisador visitante (fellow) do Institute of Politics da Escola de Governo John F. Kennedy da Universidade Harvard. Em 2011, foi incluído na lista Time 100 da revista Time, que reúne as cem pessoas mais influentes do mundo. Primeiros anos e educação

Scarborough nasceu em Doraville, Geórgia, em 1963, filho de Mary Joanna (née Clark) e George Francis Scarborough, empresário. Tem dois irmãos.

Em 1969, sua família mudou-se para Meridian, no Mississippi; em 1973, para Elmira, no estado de Nova Iorque; e, em 1978, para Pensacola, na Flórida. Scarborough estudou na Pensacola Catholic High School, em Pensacola. Em 1985, obteve o grau de bacharel em História pela Universidade do Alabama e, em 1990, graduou-se em Direito pela Faculdade de Direito da Universidade da Flórida.

Durante esse período, escreveu músicas e produziu CDs com sua banda, Dixon Mills, incluindo o álbum Calling on Robert E. Lee, além de atuar como treinador de futebol americano e professor do ensino médio.

No primeiro ano da faculdade de Direito, Scarborough escreveu um musical sobre televangelistas intitulado The Gospel According to Esther, que estreou na Universidade do Alabama e recebeu críticas positivas. Posteriormente, o musical foi apresentado no Alabama Shakespeare Festival. Carreira jurídica

Scarborough foi admitido na Ordem dos Advogados da Flórida em 1991 e passou a exercer a advocacia em Pensacola, na Flórida.Barone, Michael; Cohen, Richard E. The Almanac of American Politics. National Journal Press, 2002, p. 374–376.

O caso de maior repercussão de sua carreira foi a breve representação de Michael F. Griffin,2 abortion crusaders meet – and 1 is dead, Chicago Tribune, 19 de março de 1993. responsável pelo assassinato do médico David Gunn em 1993. O pai de Griffin era amigo dos sogros de Scarborough, e Joe concordou em representá-lo apenas até que o acusado encontrasse representação jurídica adequada.

Antes de retirar-se do caso, Scarborough compareceu a diversas audiências representando Griffin. Posteriormente, declarou: "Não havia a menor possibilidade de eu permanecer em um julgamento cível, muito menos em um julgamento por crime capital", referindo-se à possibilidade de o Ministério Público requerer a pena de morte contra Griffin.

Scarborough auxiliou Griffin na escolha de novos advogados entre os diversos profissionais que se ofereceram para representá-lo e também ajudou, pro bono, a proteger a família da intensa exposição da imprensa.

Sua projeção política também aumentou quando participou, no final de 1993, de uma campanha de coleta de assinaturas que liderou uma revolta fiscal em Pensacola. A iniciativa contribuiu para derrotar uma proposta de aumento de 65% no imposto sobre a propriedade imobiliária da cidade. Câmara dos Representantes dos Estados Unidos

Eleições

miniaturadaimagem|180px|direita|Scarborough em 1995

Nas eleições de 1994, Scarborough foi eleito para a Câmara dos Representantes dos Estados Unidos, representando o 1.º distrito congressional da Flórida. Tornou-se o primeiro republicano a representar a região do Panhandle da Flórida desde a Era da Reconstrução. A vaga foi aberta após a aposentadoria do deputado democrata Earl Hutto, que exercera oito mandatos.

Na eleição geral, Scarborough derrotou o candidato democrata, o advogado Vince "Vinnie" Whibbs Jr., de Pensacola, obtendo 61% dos votos. Whibbs era filho do ex-prefeito de Pensacola Vince Whibbs. Embora o distrito não apoiasse um candidato democrata à presidência dos Estados Unidos desde a eleição de 1960, candidatos democratas continuaram ocupando a maioria dos cargos locais até a década de 1990. A vitória de Scarborough coincidiu com a ampla vitória republicana nas eleições de 1994, conhecida como a Revolução Republicana, que deu ao Partido Republicano o controle da Câmara dos Representantes pela primeira vez em quarenta anos.

Scarborough foi reeleito em 1996 com 72% dos votos. Nas eleições de 1998 e 2000, enfrentou apenas candidatos write-in (candidatos cujos nomes são escritos manualmente pelos eleitores nas cédulas).

Mandato

Em junho de 2000, durante sua atuação no Congresso, recebeu uma classificação vitalícia de 95% da American Conservative Union. Também assinou o programa legislativo Contract with America.

Scarborough integrou as comissões da Câmara responsáveis por Serviços Armados, Assuntos Judiciários, Reforma Governamental e Educação e Trabalho. Em 1998, foi nomeado presidente da Subcomissão do Serviço Civil.

Scarborough integrou um grupo de aproximadamente quarenta deputados republicanos de primeiro mandato que se autodenominava New Federalists, em referência aos Federalist Papers. Foi eleito diretor político do grupo. Os New Federalists defendiam amplos cortes no governo federal, incluindo propostas para "privatizar, descentralizar, consolidar ou extinguir" os Departamentos de Comércio, Educação, Energia e Habitação e Desenvolvimento Urbano.

O presidente da Câmara, Newt Gingrich, designou Scarborough para liderar uma força-tarefa republicana sobre educação. Na ocasião, Scarborough declarou: "Nosso objetivo é retirar de Washington o máximo possível de dinheiro, poder e autoridade e transferi-los para as salas de aula". O deputado John Kasich, então presidente da Comissão de Orçamento da Câmara, incorporou ao projeto de resolução orçamentária de 1996 a proposta de extinguir o Departamento Federal de Educação. A resolução foi aprovada pela Câmara por 238 votos a 193. Scarborough e o grupo desempenharam papel importante ao pressionar Gingrich a cumprir a promessa republicana de equilibrar o orçamento federal. Scarborough apoiou diversas posições contrárias ao aborto durante seu mandato no Congresso, entre elas a proibição do financiamento de programas de planejamento familiar em iniciativas de ajuda externa dos Estados Unidos, a proibição do aborto por nascimento parcial e a criminalização do transporte de menores de idade para realizar abortos. Também votou a favor da Unborn Victims of Violence Act, que tornou crime causar danos a um feto durante a prática de outros delitos.

Scarborough apresentou um projeto de lei para obrigar os Estados Unidos a se retirarem da Organização das Nações Unidas após um período de transição de quatro anos e substituí-la por uma organização internacional composta por nações democráticas.

Votou para tornar a Corporation for Public Broadcasting financeiramente autossuficiente, eliminando o financiamento federal. Também apoiou a Medicare Preservation Act of 1995, que reduziu em US$ 270 bilhões, ao longo de dez anos, o crescimento projetado dos gastos do Medicare.

Scarborough foi um dos poucos republicanos da Câmara a votar contra as iniciativas de Newt Gingrich para reduzir o financiamento do Medicaid e o único integrante republicano da bancada da Flórida a votar contra a redução dos royalties incidentes sobre a exploração de petróleo, medida que classificou como "bem-estar corporativo" (corporate welfare).

Também votou contra a Small Business Job Protection Act of 1996, que elevou o salário mínimo federal para US$ 5,15 por hora.

Scarborough manteve um histórico de votação conservador em questões econômicas, sociais e de política externa, mas era considerado moderado em temas relacionados ao ambientalismo e aos direitos humanos, incluindo o apoio ao fechamento da School of the Americas e a defesa da norte-americana Lori Berenson, acusada de terrorismo no Peru.

Também colaborou com líderes dos direitos civis em uma controversa campanha para renomear uma rua histórica de Pensacola em homenagem a Martin Luther King Jr.. O Pensacola News Journal elogiou sua liderança, observando que essa iniciativa não lhe trazia benefícios políticos diretos.

Durante sua passagem pelo Congresso, Scarborough recebeu diversos prêmios, entre eles o Friend of the Taxpayer Award, da Americans for Tax Reform; o Guardian of Small Business Award, da National Federation of Independent Business; o Spirit of Enterprise Award, da Câmara de Comércio dos Estados Unidos; o Taxpayer's Hero Award, da Citizens Against Government Waste; e o Guardian of Seniors' Rights Award, da 60 Plus Association.

Em 1996, Scarborough discursou no jantar anual do conselho da John Birch Society, realizado em Woodland Hills, Los Angeles.

Scarborough foi um dos 228 membros da Câmara dos Representantes que votaram a favor do impeachment de Bill Clinton, em dezembro de 1998. Participação em comissões 104.º CongressoDesignating Majority Membership on Certain Standing Committees of the House (Câmara dos Representantes – 4 de janeiro de 1995) Comissão de Reforma e Supervisão Governamental Comissão de Segurança Nacional (anteriormente Comissão de Serviços Armados)

105.º CongressoElection of Majority Members to Certain Standing Committees of the House (Câmara dos Representantes – 7 de janeiro de 1997) Comissão de Segurança Nacional Comissão de Reforma e Supervisão Governamental Comissão de Educação e Trabalho

106.º CongressoElection of Majority Members to Certain Standing Committees of the House (Câmara dos Representantes – 6 de janeiro de 1999) Comissão de Serviços Armados Comissão de Reforma Governamental Comissão do Poder Judiciário

107.º CongressoElection of Members to Certain Standing Committees of the House (Câmara dos Representantes – 6 de janeiro de 2001) Comissão de Reforma Governamental Comissão do Poder Judiciário Histórico eleitoral + Resultados eleitorais de Joe Scarborough para a Câmara dos Representantes dos Estados Unidos (1994–2000) Ano Candidato democrata Votos % Candidato republicano Votos % 1994 Vince Whibbs70.416 38% Joe Scarborough112.974 62% 1996 Kevin Beck66.495 27% Joe Scarborough175.946 73% 1998 Tom Wells (candidato por inscrição)663 0% Joe Scarborough140.525 99,5% 2000 Sem oposição— — Joe Scarborough226.473 100% Renúncia Em maio de 2001, cinco meses após o início de seu quarto mandato no Congresso, Scarborough anunciou sua intenção de renunciar ao cargo para passar mais tempo com seus filhos. Sobre sua decisão, declarou: "Percebi que eles estão em uma fase crucial de suas vidas e prefiro ser lembrado, no fim da minha vida, como um pai, e não como um congressista".

Uma eleição especial foi realizada em outubro de 2001 para escolher seu sucessor.

Desde então, Scarborough cogitou retornar à política em diversas ocasiões.

Em 2017, Scarborough deixou o Partido Republicano e passou a se declarar político independente. Carreira na mídia

Em 1999, enquanto ainda exercia seu mandato no Congresso, Scarborough fundou o jornal semanal gratuito The Florida Sun, voltado para a região de Pensacola. Em 2001, o periódico foi incorporado a outra publicação e passou a se chamar Independent News.

Após deixar o Congresso, Scarborough trabalhou como advogado especializado em direito ambiental na Flórida.

Scarborough Country

Em abril de 2003, Scarborough Country estreou na MSNBC como um programa noturno exibido no horário nobre.

Em 2005, o programa abordava temas de política e cultura popular. Scarborough apresentou a atração diretamente de Biloxi, no Mississippi, durante os dias que se seguiram à passagem do Furacão Katrina. Após três dias cobrindo a devastação, classificou a situação na Costa do Golfo dos Estados Unidos como "nada menos que uma desgraça nacional".