Wanderley Ciuffi (Guaranésia, 31 de janeiro de 1942 — Embu das Artes, 10 de novembro de 2025) foi um pintor, desenhista e escultor brasileiro, autodidata, considerado uma das figuras centrais da cena artística de Embu das Artes, cidade paulista onde viveu a partir de 1964 e à qual sua trajetória ficou intimamente associada.
Biografia Ciuffi nasceu em Guaranésia, no interior de Minas Gerais, onde cursou o ensino primário e secundário. Aos dezenove anos, mudou-se para São Paulo para trabalhar em uma firma de arquitetura, período em que passou a frequentar galerias de arte e a conviver com outros jovens artistas atraídos pela vida na metrópole, em um contexto de agitação política que antecedeu a crise política de 1964. Autodidata, iniciou a carreira expondo quadros em ruas e praças da cidade enquanto estudava a obra de pintores como Vincent van Gogh, Honoré Daumier, Edvard Munch, Cândido Portinari, Emil Nolde, Iberê Camargo e Willem de Kooning.
Em 1964, fixou-se em Embu, então um núcleo emergente da produção artística paulista. Em 1965, participou do 2º Salão de Artes Plásticas de Embu, no âmbito do chamado Movimento de Arte de Embu, no qual ficou em segundo lugar na categoria pintura — episódio que marcou o início de sua inserção na cena artística local. Ciuffi é apontado como um dos fundadores da tradicional Feira de Artes e Artesanato de Embu. Segundo depoimento do próprio artista, registrado em pesquisa acadêmica sobre o movimento artístico de artistas afrodescendentes atuantes na Praça da República e em Embu entre as décadas de 1960 e 1980, o grupo de Embu reunia tanto artistas negros quanto brancos — entre os quais o próprio Ciuffi —, tendo sido Mestre Assis a liderança do chamado "Movimento de Arte", que levou artistas da cidade a expor em diversos estados brasileiros.
Em 1968, realizou sua primeira exposição individual, na Galeria Varanda, em São Paulo. Na década de 1970, participou da exposição "Hiroshima e Nagasaki – Reportagem Fotográfica de um Evento Histórico" e de diversas edições do Salão de Artes de Embu, além de expor na Associação dos Amigos do Museu de Arte Moderna de São Paulo (MAM/SP) em 1970 e 1983. Em 1978, pintou um mural para o Hotel Urupema, em São José dos Campos (SP), e no ano seguinte participou de uma exposição coletiva no mesmo local; em 1984, integrou a campanha para a criação do Conselho Municipal de Cultura daquela cidade. Ainda na década de 1980, desenvolveu o estudo O Rio São Francisco é uma Miragem? – Estudo Sócio-político-econômico na Visão de um Artista, de caráter socioeconômico e político, refletindo sua visão crítica sobre a realidade brasileira.
Em 1996, expôs no salão da Secretaria de Estado da Cultura de São Paulo. Segundo a Câmara Municipal de Embu das Artes, sua primeira mostra internacional ocorreu em 1991, em Lisboa, e, a partir de 1995, passou a expor regularmente na Tap Art Gallery, em Sausalito, Califórnia (Estados Unidos). Em 2009, durante viagem de estudos, apresentou trabalhos na Galeria Colorida, em Lisboa, mostra descrita pela Enciclopédia Itaú Cultural como sua primeira exposição em galeria europeia; viajou na ocasião também a Madri e Paris. Em 2010, integrou a comissão organizadora do 27º Salão de Artes Plásticas de Embu das Artes.
Sua obra, inicialmente influenciada pelo expressionismo do pintor norueguês Edvard Munch e marcada pela angústia do artista diante da ditadura militar brasileira, ganhou, a partir da década de 1990, traços mais leves e paleta mais suave, em reflexo de maior maturidade criativa. Críticos como Almeida Salles e Mário Schemberg elogiaram e ajudaram a consolidar sua carreira. Em Embu, além do ateliê que mantinha no centro histórico, produziu um painel na entrada do Centro Cultural do Parque Pirajuçara, na periferia da cidade; a obra foi vandalizada em 2016 e posteriormente restaurada pelo próprio artista.
Em setembro de 2021, por ocasião de um ano da morte de sua esposa, o artista realizou a exposição "Olhares e Expressões", com 29 pinturas em homenagem póstuma a ela, no Centro Cultural Mestre Assis. Nos últimos anos de vida, foi amparado pelo amigo e também artista Renato Gonda.
Em 29 de outubro de 2020, aos 78 anos, Ciuffi recebeu da Câmara Municipal de Embu das Artes o título de Cidadão Embuense, por proposta do vereador Julio Cesar Campanha, em reconhecimento a seus serviços prestados à difusão da arte e da cultura da cidade.
Morte Wanderley Ciuffi morreu em 10 de novembro de 2025, aos 83 anos, em decorrência de complicações renais. O velório ocorreu no Cemitério Vale dos Reis, em Taboão da Serra, município limítrofe a Embu das Artes, onde o artista foi cremado. A morte foi lamentada em nota oficial pela Prefeitura de Embu das Artes.
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